água

 

[água e solo são os principais recursos de um país]

o bom ordenamento e gestão do território é essencial para a qualidade de vida das pessoas e para a sustentabilidade do país.

bacia hidrográfica, por excelência a unidade de gestão do território.

bacia hidrográfica: uma porção de território que drena para um ponto.

#uplocal2020


o que me conta a minha janela…

a minha janela

vivemos um novo “normal” com muitas incertezas e medos, porque não dizê-lo, que nos assolam diariamente, mas temos uma certeza: a minha escolha (compreensivelmente agora um pouco mais limitada) depende só e só de mim. O que escolhe depende só de si.

o que fazemos com o tempo que agora temos e que não tínhamos?

o que faz com o “confinamento domiciliário” é uma escolha sua; porque não fazer boas escolhas?

convite:

escrever um texto sobre o que lhe conta a sua janela: emoções, medos, ansiedade, saberes, paisagens, geografias, vizinhanças, expetativas, cores, vidas, luz, noite, dia, …

uma página A4, espaçamento 1,5, letra 12.

proponho que além da página de texto associe 1 ou 2 fotografias da sua janela.

também vou escrever o que me conta a minha janela e partilhar convosco.

cupeto@uevora.pt

espero pelas vossas partilhas (anónimas) até 14 de abril.


mudar de vida

Entre medos e dúvidas quase todos acreditam que depois da tempestade é possível, e aconselhável, ficar tudo na mesma. Parece-nos normal e natural que no centro histórico de Évora existam mais de 200 alojamentos locais para turistas? É aceitável que num só dia ocorram 225 mil voos? Já agora, uma última pergunta: para que nos interessa enterrar milhões e milhões na TAP? A conversa não vai por aí, hoje. Na verdade o que ouvimos, depois da pandemia, é voltar tudo ao mesmo. Quanto antes melhor. A equação que temos para resolver é complexa e exigiria decisões únicas e improváveis. É óbvio que isso, para já, não vai acontecer. Os donos da nossa vida, muitos a viver em Bruxelas, não querem. Vendemos a alma ao diabo e o diabo conhece-nos. Temos a vida na “nuvem” e temos andado todos muito descansados a viver no máximo. Tudo nos exige, mais produtividade e mais consumo, sem regras; crescimento. O deslumbramento pela globalização convém a muito poucos mas tolda a vista a quase todos. Agora mesmo, o teletrabalho, no meu caso dar aulas e acompanhar os alunos, virou uma loucura de pressão sobre todos, mais um “vírus” que contagia e estraga o que podia ser salutar. O que me resta? Acreditar e ter esperança que cada vez há mais pessoas que pensam pela sua cabeça e se vão inconformar com esta coisa.

“Quem pode impedir a primavera? Se as árvores se vão cobrir de flores. Quem? Se os sonhos maus do inverno dão lugar à primavera?” De um poema de Ruy Cinatti. A nossa condição de humanos exige-nos que sobrevivamos, mas,  com ética e valores.

a oportunidade do campo?

No passado, presente e futuro, assim será, apenas três condições essenciais motivam a Humanidade: recursos, abrigo e segurança. Tudo o resto é paisagem. Todavia, pelo modelo global que nos rege, estes três “essenciais” têm andado aparentemente esquecidos. Os limões que compramos a 2€/kg chegam-nos do Chile e viajamos para Londres a 30 €. O mais grave é que consideramos tudo isto normal e natural. Acredita nisto? Talvez valha a pena começar a desconfiar desta mentira.

Depois da campainha ter tocado em 2008 tudo ficou na mesma e agora há um estrondo, um vírus global. O que se vai passar a seguir, provavelmente, é o mesmo, nada.

Não direi que há uma oportunidade, como a Ministra da Agricultura, mas antes uma necessidade. Os recursos locais são, na verdade, os que valem. Farto-me de o escrever mas não me canso; os recursos essenciais são o solo e a água. Obviamente que isto não interessa às bolsas, às multinacionais, à banca… Baralha-se, controla-se o vírus e viva o up global, por aqui ficamos, tudo na mesma. 

E se pensássemos um pouco no up local, talvez seja uma boa ideia.

Objetivamente: fortalecer a economia local.  Como? Povoando o interior  com quem nos interessa e trabalhar para a suficiência alimentar como desígnio nacional. Bem sei que isto choca muitos dos que por aí andam como arautos do “bem”, paciência.

Em 2016 publiquei o Cancioneiro da Sustentabilidade, um livro que tem um capítulo com 50 páginas sobre este tema. Propostas e ideias não faltam, obviamente discutíveis. Por último, talvez, a proposta mais importante de todas, por si e pelos seus, pense pela sua cabeça.

março CC

programa da Conversas de Cesta em março; uma rede informal de partilha de saberes úteis:

Tejo a pé – 23 fev. Magoito, Lomba do Pianos, Praia da Samarra

A onde te levam os teus passos? Andar, enquanto prática básica humana, é um ato físico, mas também, e não menos, cultural. Não há melhor forma de conhecer uma região, uma cidade, um povo. Andar tem um enorme eco espiritual, cultural e político. Todos no Tejo a pé sentimos isto, se andarmos o mundo, a terra onde vivemos, é melhor. Andar liberta-nos da geografia como nenhuma outra forma de deslocação. Andar é um ato de união, é isso que fazemos há mais de 10 anos, muito informalmente, sem caprichos, no Tejo a pé. Andamos porque sim. Andamos devagar, pouco, ao ritmo de todos, mas andamos. Andar é ver o mundo à nossa volta como nos esquecemos de o fazer, é redescobrir terras conhecidas, para, finalmente nos conhecermos melhor. Andar é, provavelmente, o verbo com mais significado, incluindo viver. Mesmo o caminho de ida e volta nunca são iguais e isso ensina-nos muito. “Caminhar é uma das belas artes” (Thomas De Quincey, Londres, 1802), venha daí connosco, em fevereiro dia 23, na boa terra de Sintra, com passos na zona do Magoito-Praia da Samarra.

Programa completo:

https://www.dropbox.com/s/bt5rk29649danh4/tejo%20a%20p%C3%A9%20em%20fevereiro.pdf?dl=0

Évora – Arraiolos; Cascais – Oeiras, etc.

O concelho de Arraiolos não faz qualquer sentido. Obviamente que como este há muitos mais por esse país fora. Apenas mais alguns exemplos: Castelo de Vide,  Marvão e Portalegre deviam ser só um concelho; Estremoz, Borba e Vila Viçosa igual; Arronches, ali encostado a Elvas é uma aberração como Arraiolos. Cuba e Vidigueira; e o que dizer de Alvito? Antes de voltar a Arraiolos,  saiba-se que não é só por cá, Cascais e Oeiras é uma estupidez, por esse país fora há muitos, mas muitos exemplos estúpidos, verdadeiramente estúpidos porque não servem a ninguém nem a nada.

É assim porquê? Porque quando nascemos já assim era? E, para quê? Para que os pequeninos enormes poderes locais da partidocracia possam existir. Já se está a ver no que ia dar a regionalização. Qual é a principal consequência disto? Ineficácia na gestão do território e dos recursos disponíveis, que, consequentemente conduz a miserável pobreza.

Arraiolos tem tudo e não tem nada. Tem tudo porque tem patrimónios (arte, cultura, saberes, etc.), não tem nada porque lhe falta gente e economia, vida. Évora a 20 quilómetros está carregada de turistas, apesar de a maioria descer e subir a rua da Républica ou do Raimundo em 30 minutos. Arraiolos como um produto integrado com Évora (a que falta um verdadeiro castelo) terá um enorme sucesso. Um mine-bus gratuito, num vai-vem permanente  entre a cidade e a vila em menos de 30 minutos serve turistas e moradores. Serve também estudantes da Universidade que não têm alojamento em Évora. Arraiolos é o castelo, os tapetes, o museu, os pasteis de toucinho, etc. que Évora não tem. É a pequena vila/aldeia exemplar que em muitos países estaria atafulhada de gente. Mas há também uma vergonhosa ecopista que liga as duas terras. Esta excelente infraestrutura está subaproveitada e é ignorada por quem nos visita. Não precisamos de passar a fronteira, vejamos excelentes exemplos no Minho, Beiras ou Trás -os – Montes. Ciclovias bem promovidas, muito melhor infraestruturadas que se traduzem em produtos turísticos de grande valor e riqueza.

Não percebem ou não querem perceber?

Conversas de Cesta e Nova SBE

a Conversas de Cesta, a tertúlia da Linha, todos os segundos e quartos domingos às 18h, na Nova SEB, Campus de Carcavelos.

A comunidade local e a universidade num espaço de Conversas.


Lusitano

O Lusitano faz parte da minha vida, declaração de interesse.

Escrever sobre o Lusitano não é coisa leve, é do mais sério que se pode por no papel, já que mais não seja porque faz os alentejanos felizes e orgulhosos.

Este texto é fortemente motivado pela triste notícia do falecimento do Sr. Pepe, que só soube pelo DS. Pela idade nunca tive o privilégio de ver o Sr. Pepe jogar, antes tive a sorte, enquanto criança, de conviver com o Sr. Pepe. Há mais de 50 anos, na Azaruja, fui muitas vezes para a escola de carro com o Sr Pepe. Ir de carro para a escola, era uma coisa raríssima à época. Brinquei muitas vezes com o Tonho, meu parceiro de carteira durante os quatros anos da primária, e a Mariazinha, filhos do Sr. Pepe. Pouco mais sei mas o meu pai contou-me que em idade de júnior vestiu a camisola listada do mítico clube alentejano. O meu avô, que não conheci, e que não era nada macio, proibiu-o de tal heresia e a carreira desportiva acabou.  Recentemente num almoço de amigos soube que de Motrinos, uma bonita aldeia para lá de Reguengos, vinham grupos de homens a pé para ver o Lusitano ganhar aos grandes. Era assim de muitas terras do Alentejo. Na casa do Sr. Borges Fernandes, meu vizinho já em Évora, tive a oportunidade de aceder a alguns números da Crónica Desportiva que dava conta de épicos feitos deste enorme clube. Penso que terá sido com essa bibliografia que percebi a dimensão do clube do meu coração. O Lusitano não se explica, é uma marca cultural única, identitária e por isso de grande valor. Daquelas marcas que se confundem com o Alentejo. Não é mais um clube, é o Alentejo, é único, sai fora de todos os padrões normais de clubismo. Saiba-se que o Lusitano é Membro Honorário da Ordem do Infante D. Henrique, desde 21 de janeiro de 1984 e, desde 27 de outubro de 1984, Instituição de Utilidade Pública; diariamente passam pelo Campo Estrela, “Campo” – até nisto o Lusitano é único, centenas de crianças e jovens que o procuram para praticar desporto na escola de futebol, uma das melhores a sul do Tejo. Hoje, a importância social do Lusitano mantém-se, compreende-se e sente-se muito para além da história. Por tudo isto, e muito mais, quando se escrever, falar ou decidir sobre o Lusitano tem que ser com muito respeito, a nossa alma alentejana exige-o.

2019 – vinho

Tabernas do Alentejo – Coisas de vinho, um ano de actividade num relatório:

https://www.dropbox.com/s/nakxpsh1lag7pyy/Tabernas%20do%20Alentejo-%20Coisas%20de%20Vinho%20-%20relatorio%202019.pdf?dl=0

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan