emparelhamento

Uma das palavras mais usadas para caracterizar o up local é  proximidade. Na verdade a proximidade é sinónimo de contiguidade, pequena demora ou mesmo vizinhança. A proximidade surge na forma de amizade, ajuda, contacto, reciprocidade, troca de ideias e outras formas de relação social entre o indivíduo e o que o rodeia. Tudo isto é o Diário do Sul na região em que se insere e nós, os seus leitores, não só o reconhecemos como o sentimos. Sei que as pessoas, profissionais, que fazem o jornal vivem o reciproco. Isto é, é a proximidade que confere ao jornal a perfeita simbiose com a região. A mais das vezes as notícias e os acontecimentos são vividos pelas duas partes da mesma forma; porque as pessoas se conhecem. O Sr. Piçarra, o Sr. Oliveira, a Maria Antónia ou o Paulo para além de um nome teem um rosto e um jeito que quase todos conhecem. Esta similitude de emoções só é possível porque as pessoas se tocam, vivem todos os dias a mesma temperatura do ar.

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turismo, pedras e vinho

Ciência no Verão

Universidade de Évora/Centro de Ciência Viva no Verão e Adega de Borba.

Numa breve visita à vinha é possível observar e interpretar alguns episódios da fabulosa história da Terra e tentar transpo-los para o vinho. Na adega procuraremos, no vinho, o sabor do lugar (the taste of the place) . Este é o espantoso mundo da  enogeobiodiversidade  que desejamos viver numa experiência que associa ciência, arte e cultura, através de um simples copo de vinho.

https://www.dropbox.com/s/4wek654a8s1nt6a/a%20hist%C3%B3ria%20da%20Terra%20num%20copo%20em%20imagens.pdf?dl=0

https://www.dropbox.com/s/7n3329gheugz3p8/tejo%20confraria%20%20carlos%20cupeto%20-22-06-2017.pdf?dl=0

 

 

patrimónios (Cuba)

Providencialmente, os últimos dias trouxeram-me cultura. Na verdade, cada vez mais acredito que o caminho da mudança é por aí e quem julga que a ciência e os patrimónios, e bem assim, a arte, são intocáveis, engana-se profundamente. Tive a oportunidade de ir a Cuba e tomar contacto próximo com o Cuba Leader; quase que se pode resumir numa palavra: fantástico. Já sabia que este pequeno concelho do Baixo Alentejo tem identidade cultural, mas é muito mais que isso; assume a sua matriz como um recurso incontornável e primordial. E não é que tem razão?

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tabernas do Alentejo – arte e ciência

Está em curso a votação dos projectos do Orçamento Participativo Portugal.

A nossa nossa identidade cultural é fundamental para a suficiência e sustentabilidade local, isto é, para a qualidade de vida das pessoas nas suas terras.

O projecto Tabernas do Alentejo – arte e ciência foi formulado para conhecer e valorizar os nossos mais ancestrais patrimónios. “A cultura como herança moral da humanidade” (D. Amálio Marichalar em Sines) é o resgate em que  estamos empenhados – participe com o seu voto (é simples e rápido).

vote neste link:

https://opp.gov.pt/projetos/todos/211-tabernas-do-alentejo-arte-e-ciencia

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àgua como fogo

Às vezes, a curiosidade é maior que o bom senso e cometemos “loucuras”. Assim foi no feriado de 15, em que rumei a Cáceres pelo Tejo, onde a Confraria Ibérica do Tejo (CIT) organizou um seminário. Mais um a juntar a dezenas de outros que deste há muito vão acontecendo. Como cristão, interrogo-me se terá sido pecado dedicar um feriado santo a ir a Cáceres. Na verdade, os rios merecem isto e muito mais e, no fim, valeu a pena ir a Cáceres. A nova CIT pode ser uma boa oportunidade para cuidar do Tejo, mas aquilo que presenciei em Cáceres deixa-me muitas dúvidas: mais do mesmo, isto é, gastar dinheiro que contribui para a nossa pobreza. Bom, o certo é que em Cáceres o Tejo estava bem representado, o que infelizmente só por si não chega. Do mais curioso que se passou em Cáceres foi, na primeira mesa redonda do dia, ficar evidente que cada um dos presentes tinha uma ideia diferente do que se estava ali a passar. O ponto alto do ridículo aconteceu quando a representante do Governo português, Helena Freitas – mulher com peso, porque coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior – se viu obrigada a intervir e a dizer aos organizadores o que estavam ali fazer.

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vinho

Desde outubro do passado ano que levamos a cabo a Coisas de vinho, uma tertúlia que procura contribuir para enaltecer a cultura, a arte e a ciência do vinho. Foram 8 magníficas sessões que nos convidam a comemorar o sucesso.

Coisas de vinho encerra  o ano de actividades na rua – o tema é o vinho no verão.

A oradora é Maria João Cabrita, docente na Universidade de Évora; os vinhos à prova são da Adega Cooperativa da Vidigueira e são apresentados por Luís Leão.

Na Mercearia do Largo, Largo Álvaro Velho (em frente à Pousada da Juventude – antigo hotel Planície), sexta-feira, dia 16, 18:00.

Venha celebrar o vinho e o verão e prove o verão alentejano num copo, partilhe e traga amigos.

 

 

dia do ambiente

Dentro de dias alguns celebram mais um dia internacional do ambiente. Se tudo tem dias, porque não o ambiente? Nesse dia, algumas associações ambientalistas inúteis e prejudiciais à causa, vão procurar ecrã com mais alguns estudos de coisa nenhuma: uns dados da Agência Portuguesa do Ambiente com tratamento estatístico são quanto basta. Entretanto, a semana passada, uma revista semanal da nossa praça fez o seu número anual a que chama “edição verde”. O melhor respeita a uma entrevista aquele que foi o responsável da BBC pelos mais espectaculares programas de TV sobre natureza realizados até hoje. Diz o senhor Tom Hugh-Jones que o mais assustador “não é Donald Trump, somos todos nós – a forma como vivo a minha vida…, a forma como as pessoas que conheço vivem as suas vidas… Bem posso dizer que me preocupo com as alterações climáticas mas depois vou de avião para Portugal. Fico envergonhado por não conseguir comprometer-me mais.” Concordamos totalmente, escrevemo-lo no DS muitas vezes: o dia europeu sem carros, o dia do ambiente e quase tudo o resto é um folclore que só serve para não fazer o que devemos.

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solo e água

Nas nossas terras todos conhecemos alguns sinais, bons exemplos, indicando-nos que alguma coisa está em processo de mudança para melhor. Enquanto o folclore, às vezes ofensivo, das startups anima os nossos melhores centros de excelência, quase sempre ligados às universidades, a fazerem inutilidades em série, o mundo real onde as pessoas vivem, onde os rios correm e as árvores crescem, começa a mostrar-nos excelentes práticas. Num destes fins de semana tentei visitar num dos bairros, tipicamente rural, da cidade em que habito, um mercado local que começa a ter fama. Os pequenos produtores juntaram-se, ganharam alguma escala, ajudam-se e a coisa está a correr bem; entre a agricultura tradicional e a biológica, as pessoas reconhecem a qualidade dos produtos e aderem com natural facilidade.  Escrevo “tentei”, porque, como um perfeito urbano, falhei o dia, fui no sábado e o mercado é ao domingo. Mas, graças à simpatia das pessoas simples do campo, rapidamente fui informado que ali mesmo ao lado num outro bairro – daqueles que não deviam existir, porque não é rural nem urbano e de qualidade nada tem –, havia nesse mesmo dia um mercado “muito melhor”.

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o Tejo num congresso

Há duas semanas o Tejo ia ter mais um Congresso, não aconteceu sabe-se lá porquê!

Lamento dececionar os mais inocentes, mas nesta, como noutras matérias, está tudo dito e todos sabem o que devem (têm) de fazer; só não fazem se não quiserem. Sobeja (e muito) a legislação, os instrumentos de gestão vigentes e tudo o resto. Apenas se pede uma ação que proteja e valorize o rio e que conduza a um Tejo onde se nade e pesque, somente isto. Ou seja, políticas e práticas que contrariem o habitual “proibir” e incentivem o bom uso, pois o rio devolve-nos exponencialmente tudo o que por ele fizermos.

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para lá do Marão

Hoje é daqueles dias em que o “adoro escrever, só detesto começar” é ainda mais verdade. O “Tejo a pé”, um grupo de caminhada informal, esteve em Trás-os-Montes, ou seja, o “Tejo andou no Douro”. Este país é único; rios como os nossos não há mais na Europa. Em contrapartida, todos os outros (Espanha, Itália, França…) têm melhores igrejas, castelos, monumentos… É só por esta verdade que insisto no património natural da nossa terra como o maior dos valores turísticos e verdadeiramente distintivo. Andámos no Douro, mais concretamente no Tua, fruto de uma parceria com a Casa do Lagares Vara e Pedra, muito mais que uma casa de campo, na pessoa do biólogo Paulo Pinto. O Paulo preparou-nos um magnífico fim de semana que incluiu várias dimensões do que faz um humano feliz. Em Vilas Boas, no bonito concelho de Vila Flôr, bem para lá do Marão, no Parque Natural Regional do Vale do Tua, andámos cerca de 11 quilómetros de um encanto difícil de escrever e retratar. Jamais imaginámos que seria possível em Portugal andar tal distância continuamente com vistas soberbas.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan