minas para quê?

sim, sim, um país carregado de hipocrisia mas “livre” de petróleo e de minerais/metais.
vamos acabar com os pacemaker, certo?
se os metais vierem de longe não tem problema?
com o petróleo idem.
ainda acreditamos nos estudos de impacte ambiental?

https://www.dropbox.com/s/q8li2ohnu8dm6h6/avalia%C3%A7%C3%A3o%20ambiental%20-%20Expresso%20-%2022%20dez%2018%20-%20carlos%20cupeto-pages-35.pdf?dl=0


grande aposta nacional esta de pobres mas honrados, perdão, patetas e vigaristas.

alterações climáticas

pacto ecológico europeu

ao longo de décadas quantas “boas intenções” destas já houve? o que aconteceu? porque vai agora ser diferente?

Borba, um ano depois

… um ano depois aos costumes disse nada. A aposta é sermos um país pobre e quando assim é estragamos recursos.

no jornal Público uma reflexão:

https://www.dropbox.com/s/1mzg6p8r4frln2d/Borba%20um%20ano%20depois%20-%20c%20cupeto%20-%20P%C3%BAblico%20-%209%20dez%202019.pdf?dl=0

interior

O interior é aquela coisa a preto e branco, triste, envelhecida e pobre em oposição a outra, colorida, jovem, alegre e rica, o litoral.

Já tudo aconteceu a favor do interior: um Movimento pelo Interior (ilustres personalidades, desde ex-ministros a autarcas, empresários e professores, como se nenhum deles jamais tivesse a ver com decisões sobre a governança do país), uma Unidade de Missão para a Valorização do Interior, e agora, com o atual governo, um emaranhado de Ministérios e Secretarias de Estado que se sobrepõem e atropelam pela nobre causa. Deseja-se “diferenciar positivamente o interior”. Antes disto tudo, em sucessivos ciclos de governação, já houve dezenas de cangalhadas destas.  O resultado está à vista. Recordo que o anterior governo criou o Programa Nacional para a Coesão Territorial, para que serviu?

Alguns factos: o interior tem tudo, está excelentemente infraestruturado; desde sempre, e cada vez mais, há famílias de estrangeiros que se instalaram no interior onde vivem ricas e felizes; emigraram 2,5 milhões de portugueses; trinta por cento da população do Luxemburgo são portugueses, este país tem um dos maiores PIB da Europa. Tão pouco nos faltou dinheiro para o interior, em variadíssimos e originais programas; o Eurodeputado Zorrinho e ex-Comissário Moedas sabem-no bem.

Sempre me interroguei sobre o que distingue um jovem casal de holandeses que há umas dezenas de anos se instalou no interior? São felizes e criam riqueza sobejante. Interrogo-me também sobre o que falta fazer ao inexcedível Armindo Jacinto, Presidente de Idanha -a – Nova, para ter sucesso na revitalização da sua terra, uma das mais despovoadas do país? Precisamente por iniciativa do autarca de Idanha, em dezembro de 2017, em Lisboa foi apresentada uma estratégia para o interior: O mundo rural e o desenvolvimento económico e social de Portugal, que o inevitável Prof. Augusto Mateus, coordenador da equipa autora, apresentou com o habitual entusiasmo. Para além do “mundo rural, porque sim”, digam lá que não soa bem, como sempre, nada mais. Tudo, mas tudo, sobretudo a realidade e os factos, conduzem-me cada vez mais a uma resposta: a cabeça das pessoas, isto é, a mentalidade, o nível de consciência. A isto chama-se atitude; os portugueses valorizam os bons automóveis e as luzes dos shoppings. A diferença é a atitude das pessoas, moldadas durante muitos anos pela educação e cultura. E isto, meus amigos, não se altera com Movimentos e Programas. Será que temos de continuar pobres?


Borba um ano depois

o país que somos. Necessitamos de melhor Estado e melhores empresários.

https://www.publico.pt/2019/12/09/sociedade/opiniao/borba-ano-1896143

a neve da Greta

A Greta chegou à doca de Santos e ali perto, em Algés, há neve, gelo e tudo o mais a que um povo pobre tem direito. Greta trouxe neve. Em Algés, como em todo o país, o Natal  é a oportunidade para uma grande, cara e escandalosa parvoíce: pistas de gelo, arte em gelo e até neve. Enquanto isto, uma gaiata de 16 anos vem cá dizer-nos o que temos de fazer e é recebida com pompa e circunstância, quase com honras de Estado. Não há santa terrinha que não tenha uma pista de gelo. Será que as infinitas pistas de gelo, uma verdadeira aberração cultural e ambiental, não incomodam os PAN da nossa vida? Já alguém questionou esta moda do Natal como se estivéssemos na Suécia? Haja paciência. Acontece que, “ao lado”, massacram-nos com palermices mentirosas como grandes arautos e salvadores da Terra. Alguém, para além do nosso ministro do Ambiente, “que tudo faz, sem nada fazer”, já fez alguma coisa significativa e que valha a pena para a grande causa da emergência climática? Já repararam que apesar das sucessivas cimeiras, relatórios e discursos inflamados, os indicadores são cada vez piores? Querem que os levemos a sério? Querem que fiquemos entusiasmados com os discursos do Guterres? A retórica é irrepreensível, e o resto, a ação? Engº Guterres, pelo menos, diga-nos: como se faz? Quem, que setor, dá o primeiro passo? Será que aceitam falar seriamente no turismo depredador assente no low cost e no consumo máximo? Não há transição possível, só mesmo rotura, ou vamos bater no muro de frente e aí, sim, a coisa muda. Se os dinossauros nos pudessem contar como foi… Já agora, com que dinheiro são pagas as pistas de gelo e qual o custo ambiental de uma cretinice destas? Será que nenhum senhor deputado se interessa por esta matéria?

ordenado mínimo

Imagine o leitor que, para viver, a sua família necessita todos os meses de 2,5 vezes os recursos que tem disponíveis (no frigorífico, na dispensa, no banco etc.). Não é preciso ser especialista de qualquer coisa, ou pensar muito, para saber qual vai ser o fim. Portugal é assim, para a vida que temos, necessitamos todos os anos de 2,5 vezes a área do nosso país: 2,5 países para termos os recursos que consumimos. Esta é a nossa miserável sustentabilidade. A legislatura arranca com o tema “acordo social” e “aproximar os ordenados dos trabalhadores do lucro das empresas”, segundo as palavras de António Costa. Na verdade, o ordenado mínimo de Portugal, e os outros, o meu e o seu, são miseráveis; só comparáveis à nossa produtividade. Acontece que ninguém fala nesta última, que não se altera com “conversa política”. Como qualquer um de nós percebe, as contas desta equação, ordenado-produtividade, não vão dar bom resultado. Nessa altura, cá estaremos para, mais uma vez, nos baterem à porta e nos pedirem contas.Para ter a certeza do que aqui escrevo consultei  alguns amigos empresários, de todos o quadrantes políticos, designadamente do PCP. A resposta foi unânime e infelizmente tenho razão. Vivemos então num tempo de “faz de conta”, de mentira, do tipo “nunca pareceu estar tão bem e está tão mal”. Para  começar a inverter a coisa, e podermos ter melhores ordenados sustentadamente, é bom que cada um comece a pensar pela sua cabeça e ver a um pouco mais além do que parece.

pobreza miserável

Vieram a público os últimos dados da pobreza em Portugal, 2,2 milhões de portugueses são excluídos porque são pobres. Este número é assustador e muito incomodativo, tira-me o sono. Um belo e orgulhoso resultado de 45 anos de socialismo em vários tons. Escrevo 45 anos de socialismo porque é tempo de deixar em paz os 48 anos de ditadura fascista e começar a pensar onde estamos e como aqui chegámos. Obviamente que na análise de tão monstruosa realidade há todo um conjunto de dados e interpretações que deixa António Costa e a enorme família socialista tranquilos e satisfeitos com o seu trabalho. Apesar desta miséria também se soube esta semana que a subscrição de seguros de saúde disparou em Portugal sobretudo nas classes mais baixas. Daqui se conclui que os pobres deste país duvidam muito, isto é, sentem na pele, que a saúde que o Estado lhes “oferece” não satisfaz. E aqui estamos alegres, contentes e distraídos com as palermices da Joacine que em poucas semanas tirou o palco ao PAN. Caros portugueses, temos a certeza que o mesmo caminho nos vai conduzir aos mesmos miseráveis lugares. Naturalmente que os autoproclamados arautos da democracia, aqueles que nos dizem o que é “bom e mau”, gritam cada vez mais alto o “enorme caminho percorrido desde 74”. Era melhor que assim não fosse, este tipo de gritaria, argumentos, só dão razão a quem pensa diferente. À cabeça está sempre a “liberdade”. Liberdade? Será que estes pobres têm a liberdade para ligar o aquecimento e não terem frio no inverno? Abaixo a aposta estratégica na pobreza, já! Será que é possível experimentar novos caminhos para ter melhores resultados? Qual é o risco? Quarenta e cinco anos depois ainda acreditamos que a culpa é do Salazar? Ainda dá para acreditar que quem nos conduziu até aqui nos vai tirar desta situação? É credível esta miséria ser resultado de alguns “papões” que espreitam a oportunidade de nos fazer mal e não das políticas seguidas?

O cenário é negro mas sabemos que mesmo por detrás de espessas nuvens sempre o sol brilha, tenhamos esperança, podemos mudar para melhor.

web summit

Paddy Cosgrave afirmou hoje que este pequeno país é um “país startup”. Fiquei entusiasmado; enquanto isto a nossa miserável pobreza, leia-se produtividade, necessita de 2,5 vezes do território do país para gerar a nossa pobre riqueza, é mau demais.

Também hoje a cidade de Nova Deli está fechada porque a qualidade do ar é venenosa, irrespirável. Estou certo que em Lisboa vai surgir uma app que resolverá o problema. E um pingo de vergonha, não lhes ficaria bem?

no Público dois dias depois:

https://www.dropbox.com/home?preview=Emerg%C3%AAncia+Clim%C3%A1tica+-+Publico+Lisboa-20191106-p%C3%A1ginas-1%2C28-29+(1).pdf

novo aeroporto

porque não acredito em estudos de impacte ambiental não me passou pela cabeça ler o Estudo de Impacte Ambiental do aeroporto do Montijo. Por um passado recente com responsabilidades no Tejo sei bem da importância ecológica do estuário deste rio. Olha-se para a seguinte fotografia e parece-me absurdo fazer ali um aeroporto:


entre centenas de perguntas com difícil resposta faço uma: quanto custa preparar geotecnicamente estes solos para suportarem uma pista?

entretanto temos o aeroporto de Lisboa:

esta fotografia foi tirada da janela da cozinha de uma pessoa amiga que vive no bairro de Alvalade em Lisboa. Em largos períodos do dia a periodicidade da passagem dos aviões é de três minutos. Há dias em que ela tem de sair de casa porque não suporta mais o incomodo. Dificilmente poderia haver uma pior localização para o principal aeroporto do país. Não nos esqueçamos localização do aeroporto de Faro…

em matéria de aeroportos é esta a triste realidade de um país que nos dizem exemplar!

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan