professor

recomeçar

“Quanto maior e mais abrangente for a nossa visão da vida, quanta mais liberdade sentiremos.” Agora, no recomeço, sinto-me livre para evoluir e crescer mediante a mudança de visão.

Setembro e janeiro carregam o ónus, e a oportunidade, do recomeçar. Agora, setembro, depois das férias, para quem as teve (quem as tem julga que férias é um bem global mas não é), para as centenas de milhar de alunos e professores, um pouco para todos, representa o começar do ano. Os dias ficam mais curtos e, se a natureza se comportar dentro da média, sentimos que o verão já lá vai. As folhas começam a cair. É tempo para projetar e concretizar sonhos, pessoais e profissionais. A expetativa de que vai ser diferente para melhor é comum. Na verdade tudo lá fora está mais ou menos na mesma. Goste-se, ou não, o António Costa está na mesma e o futebol é sempre igual.

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quê antes do para quê

Tim Marshall em Prisioneiros da Geografia (2017, ed. portuguesa) escreve que a geografia é uma parte fundamental, tanto do “porquê” como do “quê”. A terra onde nascemos e vivemos diz-nos o que somos e porquê. Porquê ou para quê? Na ciência da vida importa mais o para quê  mas também o quê. Provavelmente só chegamos ao para quê se compreendemos bem o quê.  Ter respostas, resolver desafios, oscila entre o “favorável”, ou não tanto, inicialmente. O quê permite-nos equacionar o desafio como o primeiro passo para a resposta que nos interessa, o para quê. O quê associado ao para quê dá-nos Paz e retira-nos ansiedade. A ansiedade das “muitas coisas”, estas e outras, do “já já”, o imediato, sem tempo. A apreensão e insegurança trata-se com saber, com tempo e com a certeza que há sempre um para quê que joga a nosso favor. Seguimos um caminho, que às vezes não compreendemos, mas que é o nosso, à medida. Verdadeiramente sem surpresas, só pode ser assim. É justo e perfeito para nos levar onde temos que ir. Este trilho da vida só é positivamente percorrido com grandes doses de compreensão e aceitação. Sem muitas perguntas. As respostas têm um tempo, muitas vezes não é o nosso.

Para quê:

http://www.otrosmundos.cc/?s=por+qu%C3%AA

toussinho

todo o país o conhece e muitos tivemos  o privilégio de com ele aprender, é o Professor, grande mestre, Galopim de Carvalho, o “divulgador de saber”.

nos finais dos anos 70, depois da Politécnica arder, cheguei à Faculdade de Ciências num clima de grande agitação social e politica. Para um eborense tímido a coisa não foi fácil e deu em chumbo no 1º ano, disfarçado com a reestruturação do curso; uma verdadeira Bolonha em setenta, imaginem. Julgo que muito graças à visão de outro grande geólogo, Carlos Romariz, que já por cá não anda.

quando o Prof. Galopim me apareceu pela frente foi uma lufada de ar fresco, mais concretamente de afectividade e carinho, muito para além da geologia. Ouvi na 24 de julho, onde tínhamos aulas devido ao fogo, a minha língua materna, alentejano, de Évora onde o Professor nasceu. Pela primeira vez um professor dizia qualquer coisa que na sala só eu compreendia. Lembro-me, como se fosse ontem, o professor falou numa venda (taberna com mercearia), onde, em trabalho de campo, tinha almoçado.

ontem em Évora, na apresentação do seu mais recente livro (açordas, migas e conversas), com muitas histórias, o professor partilhou, como sempre, muito saber.

Isabel (revisora oficial): olha que toussinho é com c.

Galopim: leste chouriço? Não, então está bem.

esta é enormidade de Galopim de Carvalho, Isabel é a sua mulher.

nesta agitação permanente, de há muitos anos, em que vive o ensino, essencialmente para cumprir estatísticas, o Professor escreve, “o professor tem de ter arte (por vocação própria ou porque para tal foi formado) de levar os educandos a «a aprenderem a gostar de saber» … compete em grande parte, ao professor, conduzir o aluno nesses três sentidos; “aprender a gostar de saber”, o “dever cívico de estudar”e a “autoestima”. Oh Professor, tão longe que temos andado disto.

porque inteiramente merecida, uma referência ao Sr. Ludgero,  deveriam haver mais homens destes. Quando passar por Évora,  Moinho do Cú Torto, e nunca mais vai esquecer o seu almoço ou jantar.

bem haja Professor.

nota: aqui ao lado, na Azaruja, onde fiz a escola primária, tenho quase a certeza que tóicinho  é a forma correcta para dizer toucinho.

 

terrorismo em Portugal

A ver se fica claro por uma vez: Portugal, desde há uns meses, é um país fortemente fustigado por atos de terrorismo. Desde 2014 que o escrevi, o fogo em Portugal é terrorismo. Finalmente parece que alguns comentadores, não responsáveis políticos, começam a admitir o facto, embora timidamente e sem chamar os bois pelos nomes. Perante o flagelo a que temos assistido só um louco é que acredita em causas naturais ou num doente mental pirómano que domingo à tarde se lembra de dar um passeio de motorizada e com um isqueiro pega fogo à floresta.

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Lusitano – Porto no Observador

na crónica ao jogo no Observador consta este comentário por mim escrito:

tudo bom no que respeita ao meu Lusitano de sempre. o Porto não vi 😉

não foram só os de Évora ou alentejanos que gostaram, tenho a certeza que por esse país fora houve muito português que adorou rever o Lusitano – somos portugueses, somos Lusitanos.

os grandes clubes, podem ser pequenos, mas só eles teem destas coisas.

tive pena que os calções tivessem sido verdes e não brancos, como julgo ser o equipamento mais clássico e verdadeiro do Lusitano.

nesta terra alentejana, a melhor do mundo, vamos em frente Lusitano.

meditar de olhos (bem) abertos

O meu rio sagrado é o Tejo, o Guadiana, o Sado e todos os outros que atravessam as terras que piso e cheiro todos os dias,  nada tenho a ver com o esgoto que, lamentavelmente, é o Ganges. Não vivo debaixo de uma árvore, sento-me em cadeiras e tenho um modo de vida ocidental o mais consciente e são que consigo.

Em busca da paz interior decidi que as férias seriam passadas num “retiro de silêncio de dez dias”. O tiro saiu pela culatra mas valeu a pena: fiquei inequivocamente a saber que sou ocidental e cristão. Não há problema nisto, pois não! Nestes tempos de confusão às tantas não sabemos se é correto fazer uma afirmação destas.

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famílias

À beira da pausa anual, alguns temos este privilégio de dias para nós a que chamamos férias, dou comigo a refletir sobre o passado recente e o momento atual. Dou conta que já passaram duas dezenas  anos em que todas as semanas tento tocar os leitores do Diário do Sul com alguma coisa que valha a pena. O que penso e escrevo é decorrente do meu “nível de consciência”. Aqui não há volta a dar e não há mentira possível, escrevo o que sou. Por isso qualquer leitor, mesmo que só me tenha lido duas ou três vezes, sobre água, ambiente, turismo ou o que seja, provavelmente já não terá grandes surpresas. Isto é, neste tempo de valores às vezes confusos, está aqui uma criatura muito conservadora na convicção da mais – valia de muito do que ficou lá para trás. Na primeira linha ponho a família e tudo o que de bom lhe está associado.

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a cultura e o vinho

Do lado de cá do Tejo, há quase um ano, um conjunto de pessoas que representam diversas entidades levam a cabo uma tertúlia mensal sobre o vinho – Coisas de vinho. Antes de tudo convém não ignorar que, neste país de matriz essencialmente rural, a vinha é a cultura agrícola mais importante de Portugal. Li algures que representa cerca de 10% da área agrícola do país. Para além de tudo o resto, magníficas adegas, enologia de grande valia, enoturismo em alta etc., esta dimensão agrícola a montante de tudo é de longe o mais relevante. Poucos temas serão tão transversais e identitários com a cultura e tradição da região onde trabalhamos e vivemos, os patrimónios associados à vinha e ao vinho tenderão para o infinito.

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Diário da Região (Setúbal e tudo à volta)

Colaboração regular com o Diário da Região.

É com gratidão, responsabilidade e expectativa que inicio esta colaboração periódica com o Diário da Região – primeira e terceira semana de cada mês.

Faço-o porque me identifico com os valores e matriz do jornal, essencialmente na sua dimensão local. É aqui, no local,  que existem os recursos que todos conhecemos; solo, água, território e, sobretudo, pessoas. É no local que vivem pessoas.

No inicio de mais um ano, tempo de balanços e prospectivas, a questão é, como ser feliz em 2017 na terra onde vivemos?

Andamos nas ruas, entramos num café, atendemos um telefonema e batemos na verdadeira crise – a crise dos cinzentos que somos, a grande massa de povo que se deixa (des)governar. Todos aqueles que conhecem todos os seus direitos, que esperam que as condições para serem felizes lhes sejam oferecidas por alguém. É altura de tomarmos a decisão de governar o nosso barco. O “serei feliz quando…” não existe! É a desculpa perfeita para sermos, cada dia, mais infelizes. Deixar de esperar que sucedam algumas coisas para sermos mais felizes é o primeiro passo para o sermos.

Texto completo em:

https://www.dropbox.com/home?preview=feliz+onde+nasci+-+ccupeto+-+10+jan+17.pdf

 

 

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan