que turismo?

Para que fique claro, mais uma vez escrevo, só um parvo é contra os turistas e o turismo. Não é disso que se trata, é sim a forma como se faz esta coisa fantástica que se chama turismo. Só um estúpido é que desmerece os turistas que nos visitam, Prof. António Barreto, in: Diário de Notícias de 27 de agosto de 2017.

Todavia, por muito que o custe admitir vivemos apenas o imediato, esta é industria mais predadora do século XXI: o objectivo é viajar cada vez para mais longe em menos tempo com a intensidade máxima, dando uma nova expressão à máxima do “quanto mais melhor.” Acresce ainda que, depois da viagem em low cost, o turista no destino exige e consome sem limites. Este turismo é um produto do nosso tempo com uma factura de valor incalculável, que inevitavelmente será cobrada um dia: “faz e leva o quiseres desde que pagues”, o quanto basta para o nosso contentamento.

No jornal Expresso de 26 de agosto.

artigo completo:

https://www.dropbox.com/s/sqgirvzhnv3fgmx/c%20cupeto%20-%20turismo%20-%20Expresso%2026%20agosto%202017.pdf?dl=0

wine tourism

turismo com alma, aquele que acrescenta valor à nossa terra porque os actores são a nossa gente e os protagonistas os turistas.

turistas de última geração, os que participam e fazem parte da história:

– visita à vinha e breve história geológica – porque razão a mesma planta/casta 50 metros ao lado dá um vinho diferente?;

– apresentação do vinho e prova;

– o sabor do lugar.

  • notícia no jornal Público:

https://www.dropbox.com/s/1rae5rg4n2nn2jb/A%20hist%C3%B3ria%20da%20Terra%20num%20copo%20-%20P%C3%BAblico%203%20ago%202017.pdf?dl=0

  • descrição da “história da Terra num copo”:

https://www.dropbox.com/s/b64vx0eladyyw56/doc%20de%20apoio%20hist%20da%20Terra%20num%20copo%202017.pdf?dl=0

  •  a “história da Terra num copo”em imagens:

https://www.dropbox.com/s/4wek654a8s1nt6a/a%20hist%C3%B3ria%20da%20Terra%20num%20copo%20em%20imagens.pdf?dl=0

mágicos do turismo

Continuamos, por mais umas semanas, no tal tempo de férias. Por muito que custe a admitir o sucesso do turismo é apenas o imediato e esta é “apenas” a industria mais predadora do século XXI: o objetivo é viajar cada vez para mais longe em menos tempo com a intensidade máxima, dando uma nova expressão à máxima do “quanto mais melhor.” Depois da viagem em low cost, o turista no destino exige e consome sem limites. Este turismo é um produto do nosso tempo com uma fatura de valor incalculável, que inevitavelmente será cobrada um dia: “faz e leva o quiseres desde que pagues”, o quanto basta para o nosso contentamento. No fim, como sempre é, resta-nos uma certeza o custo disto vai ser enorme. Tudo o que estamos a vender como produto turístico (monumentos e pouco mais) todos os outros têm, muitas vezes melhor.

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turismo depredador

“alegres, cegos e patetas” é a melhor legenda para os responsáveis portugueses eufóricos com o sucesso do turismo:

http://observador.pt/2017/07/30/fotogaleria-lavertezzo-o-paraiso-suico-que-foi-destruido-por-um-video-viral-no-facebook/#comment-post-2200862-1617682

enquanto isto, por cá, na busca dos euros para o abençoado crescimento, “paga e leva o que quiseres”, intensidade máxima, dando uma nova expressão à máxima do “quanto mais melhor.”

está-se mesmo a ver qual vai ser o fim.

turismo, pedras e vinho

Ciência no Verão

Universidade de Évora/Centro de Ciência Viva no Verão e Adega de Borba.

Numa breve visita à vinha é possível observar e interpretar alguns episódios da fabulosa história da Terra e tentar transpo-los para o vinho. Na adega procuraremos, no vinho, o sabor do lugar (the taste of the place) . Este é o espantoso mundo da  enogeobiodiversidade  que desejamos viver numa experiência que associa ciência, arte e cultura, através de um simples copo de vinho.

https://www.dropbox.com/s/4wek654a8s1nt6a/a%20hist%C3%B3ria%20da%20Terra%20num%20copo%20em%20imagens.pdf?dl=0

https://www.dropbox.com/s/7n3329gheugz3p8/tejo%20confraria%20%20carlos%20cupeto%20-22-06-2017.pdf?dl=0

 

 

turismo e sustentabilidade (observatório)

Começo por confessar que a palavra “observatório”, tanto na moda nos nossos tempos, me deixa, imediatamente, com alguma desconfiança. Não se trata da mania de “ser do contra”, como sempre esforço-me por ser positivo e participativo como devo. Salvo raras e boas exceções, nunca vi sair nada de verdadeiramente transformador desses centros de análise e estudo, os observatórios; desde logo, se se limitam a observar, é francamente pouco, digo eu. Na verdade, era muito bom que a título de amostra se escolhesse meia dúzia de observatórios, daqueles que todos pagamos, e se fizesse uma simples e básica análise custo-benefício. No caso em apreço, o anunciado observatório de turismo sustentável no Alentejo, provavelmente, vão-me acenar com a Organização Mundial de Turismo (OMT), que recomenda a existência de observatórios de vocação regional que monitorizem e recolham informação sobre a atividade turística;  mesmo ao jeito da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

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a cultura e o vinho

Do lado de cá do Tejo, há quase um ano, um conjunto de pessoas que representam diversas entidades levam a cabo uma tertúlia mensal sobre o vinho – Coisas de vinho. Antes de tudo convém não ignorar que, neste país de matriz essencialmente rural, a vinha é a cultura agrícola mais importante de Portugal. Li algures que representa cerca de 10% da área agrícola do país. Para além de tudo o resto, magníficas adegas, enologia de grande valia, enoturismo em alta etc., esta dimensão agrícola a montante de tudo é de longe o mais relevante. Poucos temas serão tão transversais e identitários com a cultura e tradição da região onde trabalhamos e vivemos, os patrimónios associados à vinha e ao vinho tenderão para o infinito.

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turismo 2027

Depois da invasão espanhola na Páscoa apetece voltar a escrever sobre turismo. Bem ou mal o turismo toca em tudo o resto que se possa escrever; talvez por isto este tem sido, sem dúvida, o tema que mais tenho escrito nos últimos tempos. Recentemente saiu à luz o documento estratégico – não se sabe até quando(?); pelo menos desejamos que até este governo se mantenha em funções. Os próximos 10 anos de turismo em Portugal estão aqui bem estudados, é obra. Enquanto a quantidade for uma realidade quase tudo é fácil.

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tejo a pé – Tramagal

Num destes fins de semana cerca de 40 pessoas essencialmente oriundas de Lisboa pela mão do Tejo a pé andaram no Tramagal. Na verdade a mão foi a da empresa local Terradágua sobre qual já aqui escrevi uma vez. O programa pelos trilhos do Tejo foi magnífico, todos os participantes o reconheceram. Apesar de saber alguma coisa do tema não faço ideia quanto pode valer um programa destes para um turista do norte da Europa? Sei que é muito dinheiro. Bem a propósito dos meus anteriores escritos (“Amazónia no rio Mira” e turismo de natureza) mostra-se assim, na prática, como se faz. Na verdade, como quase sempre, à porta de casa temos o que andamos à procura. O que a Terradágua fez no Tramagal é um exemplo prefeito de um produto com um enorme sucesso onde a natureza é viva e vivida sendo a comunidade local o motor. Esta é uma excelente forma de dinamizar a economia e cultura locais. Acrescente-se que para bem começar o dia iniciou-se pela visita à adega do Casal da Coelheira, a cultura e produtos locais, como deve ser,  enriqueceram o programa. A confirmá-lo, e de que maneira, foram as iguarias saboreadas ao almoço; façam o favor de registar estes nomes: restaurante Braz e D. Jacinta à volta das panelas. Quase em todas as terras há alguma coisa deste tipo, capaz de criar valor e riqueza. O maior argumento do turismo na natureza é o, incontornável, envolvimento da população – muito para além de fazer camas e aparar relva em hotéis de cinco estrelas, o que oferece o outro turismo.

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turismo de natureza

Para não variar, o turismo continua na ordem do dia. Durante a semana passada decorreu a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL), o grande certame do setor em Portugal, e foi a oportunidade de sabermos mais sucessos desta galinha dos ovos de ouro.  Claramente não embarco nesta euforia. Bem vistas as coisas, esta indústria de cada vez mais gente ir para mais longe, mais rapidamente e por menos, é um produto do nosso tempo com uma fatura de valor incalculável, inevitavelmente, a cobrar um dia, como sempre. Entretanto, andamos distraídos e contentes.

Também há poucos dias, na bonita e raiana terra do Alandroal, decorreu um encontro sobre turismo de natureza, segundo a própria organização realizado 20 anos depois do primeiro. Suspeito que a conversa terá sido muito semelhante. Todos os que por aqui vivemos neste interior o lamentamos, mas na verdade, mesmo que o presidente Ceia da Silva diga o contrário, não existe turismo de natureza estruturado em Portugal. É absurdo, mas é verdade. É absurdo, porque temos um potencial único na Europa e porque este é efetivamente o tipo de turismo que por todas as razões mais nos interessa  – designadamente, porque é aquele que cria mais riqueza e é mais sustentável. As questões de base, eventualmente tocadas no Alandroal, estão longe de estarem resolvidas.  Além disso, não existe uma opção estratégica do país nesta matéria. Se ouvirmos o “mais que todos” presidente do turismo do Tejo, Além e Riba, falar de turismo religioso, do sol e praia, golfe, ou outra coisa qualquer, o discurso entusiasmado e enaltecedor é igual, apenas depende do palco e da hora do dia.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan