entre o Sado e o Tejo

Todas as terras têm um rio, o mais bonito de todos. Esta certeza popular diz tudo sobre a importância de um rio. Muito mais do que o escoamento superficial da água, um rio é vida. Que o diga quem vive o Sado, nem que seja só com os olhos, ao longe, de quando em vez. Muito para além das suas margens, o rio são as pessoas, as árvores, os pássaros, os peixes e tudo o resto, tudo isto é o rio. Desde há milhares de anos que é assim no Sado, o melhor e mais bonito rio do mundo, porque é o nosso rio, mas também porque tem tudo, tem vida e tem alma, que contagia a quem toca. Como todos os rios maturos, a diversidade torna-o ainda mais precioso. Uma bênção às terras que ele atravessa de sul para norte, desde o Baixo Alentejo, com uma beleza natural ímpar. Mas Setúbal, a região de Setúbal tem também o Tejo, e muito mais, tem os fabulosos e ricos estuários destes rios, as serras da Arrábida e Sintra e, ainda, o imenso Atlântico; que abençoada terra esta. Qual a região da Europa que tem tanta riqueza?

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dragagens no rio Sado

Anunciam-se umas dragagens no Sado e um grupo de interesse, não sei qual, é contra. Tão pouco se sabe com base em quê? É contra porque sim. Acresce ainda outra prática muito comum, como sempre, este grupo, grande ou pequeno, tem a mesma voz que o maior especialista em dragagens.

artigo completo no Setubalense/Diário da Região de hoje:

https://www.dropbox.com/s/z4bhn4o80tm70uh/dragagens%20no%20Sado%20-%20Setubalense%20-%20DR%20-%2019%20set%2018.pdf?dl=0

caminhar no estuário do Sado

caminhar no magnífico estuário do Sado e almoçar e visitar a quinta do projecto Romã é o nosso convite para domingo, dia 29.

o elefante do Tejo

E a montanha pariu um elefante. Um elefante que o Ministério do Ambiente (MA), o Governo e o Estado Português aceitam como se fossem pipocas na matiné do cinema. A nós, povo, cabe-nos assistir, impávidos e serenos, aos programas da impreparada Fátima Campos Ferreira – lembram-se do programa sobre o Alentejo diretamente de Reguengos de Monsaraz? Tejo: desde logo a coima de 12.500 €, à Celtejo, proposta pela Inspeção Geral do Ambiente, transformada numa advertência pelo tribunal, confirma a empresa como cumpridora da lei, isto é, das regras impostas pelo MA. Não bate certo já todos o compreendemos.

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água

“o ministro do ambiente julga que é dono da água”, afirma o presidente da CAP ao jornal Público.
é forte mas é verdade; não está em causa a postura do MA.
a verdade é, quem manda na água são os agricultores que consomem 80% da água em Portugal. nesta e noutras matérias o MA é uma figura decorativa.
numa sociedade do futuro, com”nível de consciência superior” o ambiente é intrínseco a todos os sectores e o MA não tem razão de existir. Em boa verdade, se pensarmos um pouco, talvez já assim seja.

congresso nacional da água no jornal Expresso

Mais um congresso, para novos desafios? Que desafios? Que novos desafios são estes? Renovar e adaptar normas, regulamentos e legislação? Mais legislação? A Directiva Quadro da Água não chega? Mais reuniões, congressos, seminários e todo o tipo de eventos relacionados com o tema? Há alguma semana em que isso não aconteça?

E depois, o que fazemos com os estudos e conclusões dos congressos. Os recentes acontecimentos do Tejo respondem.

Texto completo no jornal Expresso:

https://www.dropbox.com/s/jx2c1w13efaoic6/c%20cupeto%20-%20recursos%20h%C3%ADdricos%20-%20Expresso%20-%2010%20de%20mar%C3%A7o%202018.pdf?dl=0

sustentabilidade insustentável

Para além de tudo o resto o modo de vida a que chegámos é uma mentira maior que este mundo, conveniente para uma ínfima minoria.

A seca que vivemos em Portugal é uma boa oportunidade para tornarmos a conversa em coisa séria.

Hoje no jornal Público:

https://www.publico.pt/2018/02/23/sociedade/opiniao/sustentabilidade-insustentavel-1803240

o outro Tejo

O excelente edifício da Casa das Artes e Cultura do Tejo, em Vila Velha de Rodão, recebeu o II Seminário Transfronteiriço – Desenvolvimento das Comunidades Ribeirinhas do Rio Tejo.  A iniciativa coube à Confraria Ibérica do Tejo (CIT) que, em junho de 2017, promoveu o I Seminário em Cáceres; a este propósito dediquei esta mesma coluna. No que respeita a Vila Velha de Rodão, vou fazer o mesmo, é o meu contributo para a nobre causa do Tejo, mas sou sincero, não sei por onde, nem como começar. O meu sentimento é profundamente contraditório.

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Portugal – Espanha, guerra pela água

“A guerra hoje é em Espanha, mas não duvides, um dia, quando houver ainda menos água aqui, que a guerra vai ser entre Portugal e Espanha. Acreditas que Espanha vai deixar passar para Portugal a água que passa hoje, se precisar urgentemente dela? Só um tolo pensaria tal. Preparem-se: os portugueses também vão sofrer o que nós estamos a sofrer”, disse Manuel Ganãn, presidente da Assembleia de Defesa do Tejo na cidade de Aranjuez.

O Ministro do Ambiente português acredita que vai ser diferente, hoje no Público:

https://www.publico.pt/2017/12/27/sociedade/noticia/vai-haver-um-guerra-da-agua-entre-portugal-e-espanha-1797006

tejo, e agora?

Há algum tempo que não punha os pés no Tejo. Aconteceu a semana passada, por coincidência no dia em que um jornal nacional põe o “Tejo morto” na primeira página e lhe dedica três páginas – provavelmente “incentivado” por um extenso trabalho realizado pelo El Pais uns dias antes. Nesta ausência fui lendo, ouvindo e vendo através da comunicação social. Posso-vos garantir que se não “tocasse” o Tejo com todos os meus sentidos não acreditava. É criminoso. Depois de algumas centenas de milhões de euros (não me enganei, centenas de milhões, algumas) de investimento em saneamento e todo o tipo de infraestruturas, um rio estar como está o Tejo não tem justificação. É inaceitável e inexplicável, é um crime e devia ser tratado como tal. Todos somos responsáveis, mas uns são bem mais que outros. Há um marco simbólico que, provavelmente, não aconteceu por acaso, e que assinala o início do abandono do rio, conduzindo à situação em que hoje está.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan