ridículos

O ridículo é uma das palavras chave deste tempo. Eles rodeiam-nos por todo o lado. A coisa assume tal dimensão que às vezes me interrogo se estou certo do que vejo e lembro-me de Anais Nin, escritora francesa (1903-1977), que nos diz, “não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos”. O ridículo poderei ser eu. Até aqui tudo bem, o pior é quando a coisa passa algumas fronteiras e roça a aquela “qualidade” que nada resolve e a todos prejudica, a estupidez.  Dos que mais me custa aceitar é a “grande a oportunidade que temos com digitalização”. Contam-nos esta estupidez e exigem que acreditemos, no enorme benefício da digitalização da economia, do ensino, da vida… Não bastam as dificuldades que todos passamos, sobretudo os de sempre, os mais desfavorecidos, cada vez em maior número, como ainda assobiam para o lado a fazerem de nós parvos. Como esta há dezenas de exemplos diários, em todas as dimensões e escalas. Acredito que muitas vezes nem os próprios autores acreditam no que dizem e fazem.  Neste tempo falta bom senso e o fundamental, verdade. Provavelmente este é um dos bens, cada vez, mais raro e escasso. Quando sabemos que a palavra “crise” tem na sua origem grega o significado de “verdade” maior é a razão para perseguir esta qualidade. Os meus olhos veem o caminho contrário; estamos cada vez mais longe das verdades necessárias à nossa Paz e Bem.

corrupção e justiça

No que respeita à corrupção e justiça o António Barreto no Público de 27 de setembro escreve assim:

“os principais responsáveis pela política e pela justiça querem que as coisas fiquem como estão, pois é o que lhes interessa e dá vantagens.”

quem são estes responsáveis políticos? O Costa, Marcelo, geringonça (Jerónimo e Catarina), Ferro Rodrigues, Rio, etc.? Se não são estes quem pode ser?

É bem verdade que é a estes a quem mais interessa a pobreza e a miséria, asseguradas pela corrupção e inexistência de justiça. Só assim, com um povo sem voz,  é que os medíocres conseguem governar.

medo

Neste tempo de grandes incertezas e desafios o medo é a maior das verdades. Acontece que o medo é, também, o maior dos vírus. Se o corona é mau o que diremos do medo? Desde os primórdios dos tempos até hoje o medo acompanhou o Homem, é o seu maior obstáculo. Temos muito medo do desconhecido, assim é desde o tempo das cavernas. É por isto que gostamos de tudo o que nos contam sobre o “bicho” que condiciona a nossa vida essencialmente pelo medo. Devoramos milhares de estudos, muitas vezes contraditórios, com avidez, quase como uma primeira necessidade. A maioria das vezes o efeito é contraditório e ficamos ainda mais distantes da verdade, quiçá com mais medo, mesmo que escondido. É neste caldo que os ridículos proliferam como nunca e, às vezes, até os aceitamos como bons: visitar uma igreja no centro histórico de Évora que ostenta o Clean & Safe é muito mais seguro do que se não tivesse lá o pateta autocolante. Gastam o dinheiro dos nossos impostos com estes folclores e depois falta para a saúde, educação, justiça e cultura. Será que um hotel antes de ter este autocolante na porta não era suficientemente limpo, higiénico e sanitariamente seguro? Esta coisa barra a entrada do bicho no hotel? O mais ridículo de todos os Clean & Safe vi-o num tuk-tuk, lindo, para sustentar a minha razão.

Entretanto “vamos ficar todos bem”, “ninguém pode ficar para trás” e inúmeras versões de “os ricos que paguem a crise”. É este o quadro de manipulação, de um povo cada vez menos livre, onde o medo gosta de viver e crescer. “Viva” a dependência do Estado, do subsídio, das boas medidas do governo.  Na verdade, o vírus não é nada democrático e, há cada vez mais vizinhos mais pobres. Todos nós estamos mais pobres.

Nunca como agora necessitamos tanto de verdade, pela nossa própria cabeça e vontade. Vamos perder esta oportunidade? Tudo nos diz que sim.

oportunidade

Uma das grandes certezas deste tempo é a crise rodear-nos por todo o lado. Todavia, segundo o ancestral saber grego, crise (krisis e krino) significa uma oportunidade de escolha e um convite à verdade. Escolha e verdade são pois dois caminhos incontornáveis neste tempo de incerteza, medo e, necessariamente, mudança. Mudar para quê se a “grande conversa” e vontade, mais ou menos explicita, é voltar ao “normal”. “Normal” que, como todos mais ou menos sabemos, é um somatório de enormes anormais.  Num repente, uma contingência global e aparentemente significativa leva-nos, no mínimo, a questionar alguma coisa sobre o nosso modo de vida. É normal viajar para Londres por trinta Euros? É normal uma garrafa de vinho custar menos de dois Euros? Onde está o custo trabalho do viticultor, do enólogo, da garrafa, rótulo, rolha, transporte, comercialização etc., etc. Onde fica a verdade que a crise nos exige? Talvez os donos da democracia, os juízes da moral que por aí proliferam, um dia nos digam por onde anda ela. É bom gozar alguma liberdade, quem a pode ter, mas é incontornável validá-la com a responsabilidade perante os outros. Almada Negreiros terá dito “as palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um.” Acreditamos que  o clean & safe do turismo nos vai salvar – basta por mais uns muitos milhões na TAP. Será que os juízes do “certo-errado” nos deixam acreditar em nós próprios, nos nossos recursos e na nossa capacidade para criar riqueza? A verdade, isto é, a crise, exige-nos que deixemos de assobiar para o lado, a olhar para Bruxelas e a esquecer significativas franjas do submundo português que diariamente navegam à tona da miséria para sobreviver. Milhões de portugueses reféns da pobreza à espera da caridade pública e privada. Finalmente temos a oportunidade de acreditar na nossa terra, nos nossos recursos e no mérito das nossas pessoas. Se lá fora vingam exemplarmente porque não o conseguem fazer cá? Será que há por aí uma classe dirigente decisória que não está interessada no nosso sucesso como nação? Viva o up local, a grande oportunidade para ermos mais felizes e ricos na nossa terra.

mudar de atitude

Mesmo que a maioria olhe para o lado e o negue, o medo domina a nossa vida, muito mais do que o miserável vírus. O medo leva-nos ao instinto de segurança. Para além de segurança há apenas, e só, mais duas palavras essenciais para nós; recursos e abrigo. Sempre assim foi e será. Todos temos de garantir os recursos mínimos de sobrevivência, água, energia e alimentos no topo, e, um abrigo confortável (e seguro), se possível com jardim, piscina e grande garagem…, o sonho mais pateta deste modo de vida. Com os países é igual. Por cá, confiamos tudo isto, o mais essencial, ao Costa, Jerónimo e Catarina, o Professor Marcelo sustenta e o Rio empurra. A maioria dos portugueses estão descansados. Outros, um número (milhões) cada vez mais significativo, que vive no submundo da pobreza, diariamente não pensa além de conseguir algum alimento, o mais provável pela caridade do todo poderoso e “protetor” Estado e de particulares. Uma ínfima minoria como tem inquieta-se. Enquanto isto, os nossos guardiões, em cima citados, fazem-nos acreditar que os amigos europeus existem para nos salvar, sempre que pedinchamos ajuda. Acreditamos nisto, somos um povo pobre, profundamente inculto e muito fácil de governar. O habitual é esbanjar recursos e entornar dinheiro em cima dos problemas sem nada resolver. Gostamos do faz de conta. Pouco do essencial é feito, isso implicaria muita verdade e mudança profunda de atitude, aquela pequena coisa que faz toda a diferença. Assumir o nosso destino na nossa mão é coisa que nem nos passa pela cabeça; para quê a suficiência alimentar se os outros produzem muito mais barato e tudo nos cá chega já embalado e pronto a consumir? Basicamente vivemos de estratégia em estratégia à beira mar plantados. Há dias, quatro ilustres professoras amigas juntaram-se e escreveram mais uma estratégia para a nossa salvação (www.2030.pt). Isto sim, é o que nós gostamos, estratégias e planos, uns atrás dos outros.

Ri palhaço, chora homem, sofre cão.

Como saímos deste beco?

democracia socialista

ao fim de quase 50 anos de democracia o socialismo chegou aqui.

avante kamarada, o povo é quem mais ordena.

miserável povo que aceita esta ditadura.

https://www.publico.pt/2020/09/02/politica/noticia/ps-escolhe-jose-apolinario-comissao-coordenacao-algarve-1929993

geologia no presente

Dia 1 de setembro às 18 horas em Portugal.

sardinhada

No tempo dos ridículos do corona e do país corrupto só me interessa tudo o resto; neste tempo de verão, as sardinhas assadas no topo, uma das mais valias que nos distingue superiormente. De Setúbal a Matosinhos não faltam catedrais. Deus abençoou-me com o privilégio de ter amigos em Setúbal, Sesimbra, Ericeira, Peniche e Nazaré, entre outros terroirs. Sim, o mar é igual à terra, tem terroir. O vinho é igual ao peixe. As maçãs iguais às batatas, o lugar é determinante. Em qualquer destas terras come-se o melhor peixe do mundo, coitados dos que não sabem ou não o podem saborear. A sardinha é o peixe da época. Os meus amigos de Setúbal, sobretudo o Fernando e o Jorge, e de Peniche, o Tó Zé, o presidente da câmara que pôs Peniche no mapa mundial do surf, que me perdoem, mas as melhores sardinhas assadas do mundo e arredores estão em Évora.

Não é por acaso, a coisa tem história com quase 100 anos. Nessa época, um casal, ali da Igrejinha e Graça do Divor, instalou-se na Rua do Inverno, 5 (965 155 939) e abriu a Taberna do Pita, alcunha de José dos Santos Pisco, o avô do Nuno. Depois do avô passou o Joaquim dos Santos Pisco, o pai do Nuno.  A coisa tem mesmo história, verdadeira e genuína, que o Nuno neste tempo honra da melhor forma: tudo o que serve é muito bom. Vem isto a propósito das sardinhas assadas que o neto do Pita serve e levam ao céu todos os comensais de bom gosto. Para além da qualidade dos bichos o Nuno sabe assar, faz uma salada divina e serve um Antão Vaz estupidamente gelado que compõe o ramalhete. Se faz favor guarde este segredo.

kamarada

Festa do Avante, todos à festa.
kamarada o sol quando nasce é para nós.

o futuro do passado

O “futuro do passado” não é meu mas ajusta-se perfeitamente aos infinitos ridículos mentirosos a que vamos assistindo no presente. Nunca como agora é essencial pensarmos pelas nossas cabeças. Leitor, por si e pelos seus mais queridos, por favor, pense pela sua cabeça. Na verdade “não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos”(Anais Nin, 1903-1977, escritora francesa). Neste tempo de crise, isto é, de oportunidade, segundo a ancestral língua e saber grego, o essencial é um apelo à verdade. Poucos ou nenhuns estão interessados em esquerda-direita, queremos é viver em segurança. A minoria, muito minoria, privilegiada, que vive da politica, sim, esses esses sim interessam-se pelas aparentes questões “esquerda-direita”. Segurança é a palavra mais importante. E deixem-se de mentiras democráticas tipo “vamos ficar todos bem”, “ninguém pode ficar para trás”. Democracia é a última palavra que este vírus conhece; não querem? Paciência, é assim. Os arautos da democracia, juízes da santíssima trindade, direitos, garantias e liberdades, não se questionam? Uma miragem mentirosa e conveniente para nos manipularem. Talvez fosse uma boa oportunidade para lhes explicar o excelente momento para começarmos a assumir os deveres. Será que eles têm deveres? Onde fica a verdade que a crise nos exige?  É bom gozar a liberdade, quem a pode ter, mas é incontornável validá-la com a responsabilidade perante os outros. Será que os juízes do “certo-errado” (esquerda – direita) nos deixam acreditar em nós próprios, nos nossos recursos e na nossa capacidade para criar riqueza? A verdade, isto é, a crise, exige-nos que deixemos de assobiar para o lado, a olhar para Bruxelas e a esquecer significativas franjas do submundo português que diariamente navegam à tona da miséria para sobreviver. São milhões os portugueses reféns da pobreza à espera da caridade pública e privada. Com ou sem mala de cartão, cada vez mais distantes da sua terra, os melhores partiram. Não nos interrogamos? Dizem-nos que foi a troika e dormimos todos bem? Que raio de fatalismo é este que nos obriga a ser pobres? Sem estudos, estratégias e consultores, que já nada acrescentam e só servem para entornar muitos milhões em cima dos problemas, uma boa verdade seria escolher sermos remediados e felizes na terra onde nascemos e que amamos, honrando a cultura e os saberes dos nossos antepassados. Pode ser?

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan