democracia?

Onde está a capacidade de escolha livre para quem não tem um prato de sopa ou uma fonte de calor para se aquecer? “Direitos, liberdades e garantias”, onde? No papel. Resta-nos um cadáver, chamada Constituição, que nos obriga ao socialismo que nos trouxe até aqui: à vergonha de os melhores terem que sair do país e dos mais vulneráveis por aqui padecerem à custa das migalhas do Estado.

Triste resultado.

o que te conta a janela?

o que me conta a minha janela?
o que me vai cá dentro e vejo lá fora?

em março de 2020, como todos, uma turma de Geografia/Arquitectura Paisagista da Universidade de Évora, cerca de 80 alunos, foi apanhada desprevenida e ficou cada um em sua casa.

entretanto chegou a Páscoa e até as aulas online terminaram.

este é o convite que fiz aos alunos:

vivemos um novo “normal”, com todas as incertezas e medos, porque não dizê-lo, que nos assolam diariamente, mas temos uma certeza: a nossa escolha (compreensivelmente agora um pouco mais limitada). O que escolhemos depende só de nós. O que fazemos com o tempo que agora temos e que não tínhamos?
o que fazemos com o “confinamento domiciliário” é uma escolha nossa; porque não fazer boas escolhas?
“melhorar o meu nível de leitura e escrita”
como? lendo e escrevendo.
peço-vos que escrevam um texto sobre o que vos conta a vossa janela: emoções, medos, ansiedade, saberes, paisagens, geografias, vizinhanças, expectativas, cores, vidas, luz, noite, dia, …
proponho que além da página de texto associem 1 ou 2 fotografias da vossa janela.

este é o resultado, puro, deste desafio:

https://www.dropbox.com/s/ea1gbenehl28awc/janela%202020.pdf?dl=0

palavras chave 2021

as “minhas” palavras 2021.

outra vez as minas (Público)

…embora todos tenhamos o direito e o dever de dizer não (ou sim), não é às comunidades nem às câmaras municipais que compete inviabilizar um projecto de revelação ou aproveitamento de recursos minerais. Sempre que falamos de bens de domínio público, conforme a Constituição Portuguesa estabelece, o suporte à decisão política cabe às entidades licenciadoras com proficiência e experiência reconhecidas nestas matérias, as quais terão seguramente em conta no seu parecer a opinião das populações, desde que devidamente sustentada. É assim num Estado de Direito, como Portugal.

artigo completo no Público a 23 de dez. 2020:

https://www.publico.pt/2020/12/23/opiniao/noticia/acesso-recursos-minerais-direito-dizer-nao-1943708

cidadania, participação e o dever de decidir

o nosso maior problema, como país, não é a falta de participação cidadã, é a falta de cultura.

alterar esta falta de cultura é uma miragem, a pobreza crónica e assumida como estratégica não o consente. O povo tem que se preocupar diariamente com o essencial, sopas. Por outro lado descansa no Costa e no Marcelo como cuidadores.

pôr cidadãos incapazes de tomar conta de si a pensar e a influenciar o colectivo (espaço comum) deixa-me muitas reservas.

na verdade, mesmo na Europa rica e mais culta o tema da “participação pública” a maioria das vezes não é eficaz e só serve para gastar dinheiro.

no início da 2ª década deste século, por cá, no plano de gestão de região hidrográfica do tejo gastaram-se 0.5 M € (meio milhão de euros), daqui resultou nada. Estraga-se dinheiro com esta panaceia, do faz de conta, pelo politicamente correto.

por último gostava de saber onde está a fronteira e quem a traça, entre a participação e o dever de quem tem o poder/competência (legítimos) para tomar a decisão?

um bom e actual exemplo: A Costa vs P N Santos e a decisão da TAP

o jornal Público de hoje aborda este tema:

https://www.publico.pt/2020/12/13/local/noticia/ha-boas-excepcoes-local-desconfia-cidadania-activa-1942820

convictamente pobres

https://www.jornaldenegocios.pt/opiniao/colunistas/isabel-stilwell/detalhe/so-um-tipo-muito-estupido-e-que-tem-uma-empresa?utm_medium=Social&utm_source=Whatsapp&utm_campaign=BotoesSite

Um dos reais quadros do país pobre e miserável que só sobrevive nesta condição.

Absurdo sobretudo quando sabemos que o sustento económico e social do país são as pequenas e micro empresas.

Depois da longa noite fascista, o maravilhoso dia socialista.

psd/chega

o acordo dos Açores é conhecido e a montanha pariu um rato.

a esquerda socialista, com hábitos de donos da democracia e juiz do que é bom ou mau, desde sempre pratica o terrorismo do medo.

desde sempre que gosta de distrair o povo do importante e essencial. Os mais antigos lembram-se:

“Sá Carneiro caloteiro paga a dívida”, uma calúnia que encheu as paredes do país… é assim. Pobre povo que estás cada vez mais na pobreza e que não te deixam sair da miséria. Só assim sabem e podem governar.

botas

as botas sobre todas as coisas.

[publicado no Notícias do Mar de outubro de 2020]

Enquanto o “bicho” não nos deixa andar em grupo livremente pelo campo, preparamos-nos para andar.

Como em tudo o equipamento adequado é meio caminho andado. Umas calças leves e uns ténis servem., mas, as calças e umas botas próprias para andar são melhores.  Todo o equipamento para uma caminhada é importante, a começar pela mochila. Nunca troque uma mochila por nada, o peso, mesmo pouco fica bem distribuído, as mãos livres etc. Mas o nosso foco vai para o mais importante para fazer uma caminhada confortável e segura, o calçado, botas ou sapatos de caminhada – vamos usar o termo “botas” mas a sua escolha podem ser uns sapatos; a maior vantagem das botas é a proteção dos tornozelos.  Poucos equipamentos evoluíram tanto nos últimos anos como as botas de caminheiro. Referimos-nos a botas ligeiras, para andar, e não a botas de montanha. São as botas que nos levam ao nosso destino. Temos de ter em atenção que, ao escolher o calçado, estamos em simultâneo a proteger a coluna vertebral e as articulações, que são ameaçadas pelo contacto dos pés contra o solo, além dos próprios pés. Saibamos desde já que as “botas todo-o-terreno” não existem. Há uma “bota” para cada atividade. Dentro das dezenas de marcas e das centenas de modelos há as botas que mais se ajustam às suas necessidades. Normalmente os especialistas recomendam as botas de trekking, pois este tipo de botas possui sola aderente e protecção para os tornozelos. A nossa experiência diz-nos que botas são botas e as vantagens de as usar são imensas. As botas é onde não se pode poupar, ao fim de algumas dezenas de quilómetros e alguns anos vai verificar que valeu a pena.

Por último, nunca se devem estrear botas para iniciar uma caminhada, mas sim utilizá-las previamente durante umas semanas, na falta de melhor quando vamos passear o cão.

Todos os meses, uma caminhada acessível a todos, sem custos, onde a motivação é o viver a natureza. Para caminhar no Tejo a pé, logo que seja possível, basta enviar um mail a cupeto@uevora.pt.

(texto adaptado de: Fugas a pé, um guia para caminhar, disponível na loja online do jornal Público)

mochila

fotografia, José L. Diniz

[artigo publicado no Notícias do Mar em novembrode 2020]

Caminhar, como qualquer outra actividade, para ser gratificante exige equipamento adequado.

Para uma boa caminhada há uma regra fundamental, ter prazer no caminhar e deixar em casa todos os problemas e assuntos que o acompanham todos os dias. Desde logo há uma pergunta fatal, incontornável, que todos os caminheiros colocam à partida; “quantos quilómetros são?” Para além da condição física e condições climatéricas nunca devemos esquecer o equipamento. O mês passado escrevemos sobre botas, hoje é a vez de uma outra peça de enorme importância, a mochila. No que me toca fica de fora qualquer outro tipo de saco, coletes com infinitos bolsos, onde nunca tenho à mão a navalha porque me esqueço do bolso onde a pus, etc. Mochila é mochila.

Para muitos a mochila é o símbolo da liberdade. Deve ser cómoda, leve, robusta e prática – a organização e a acessibilidade aos diferentes sectores é essencial. Nalgumas situações o carácter impermeável pode ser uma característica importante. Todavia, no mercado existem capas muito simples e práticas, provavelmente a melhor solução. Alguns dos modelos hoje existentes incorporam a capa impermeável. O tipo e tamanho da mochila para uma caminhada varia consoante o tipo de percurso e a sua duração. De qualquer modo deve ser resistente, com apoio lombar, alças acolchoadas e ajustáveis à cintura. A mochila ideal será aquela que depois de cheia, e com as alças bem reguladas se adapte perfeitamente à região lombar, sem ultrapassar a altura das ancas ou forçar a coluna vertebral.  Todavia, subsiste a pergunta: como escolher uma mochila? Como sempre o mercado hoje não nos facilita a vida, na hora de comprar a oferta é infinita. Para uma caminhada de um dia será necessária uma pequena mochila (que no máximo leve 3 – 4 kg de peso), para uma caminhada de mais dias o tamanho da mochila terá de ser maior, mas o peso a transportar nunca deverá ser proporcional. Não há, no entanto, necessidade de comprar duas mochilas diferentes, para fazer face a dois percursos de duração diferente. Deve-se comprar uma suficientemente grande, mesmo que haja alguns inconvenientes de carregar uma mochila meio vazia. Para satisfazer esta necessidade uma mochila com capacidade de 25 a 35 litros constituirá a opção mais acertada. De salientar que a mochila vazia deve pesar aproximadamente 500 gramas. Depois da escolha, seguem-se mais algumas perguntas, como arrumar a nossa mochila? O que levar? … A prática ensina-nos. No fim, o fundamental: leve tudo o necessário com o menor peso possível. E, nunca esqueça, tanto pesa o que levamos inutilmente como o que esquecemos em casa e nos faz falta.

Todos os meses, uma caminhada acessível a todos, sem custos, onde a motivação é o viver a natureza. Para caminhar no Tejo a pé, logo que seja possível, basta enviar um mail a cupeto@uevora.pt.

(tudo isto e muito mais no Fugas a pé, um guia para caminhar, disponível na loja online do jornal Público)

saúde e interior

Como assumido convicto do valor do interior tudo me conduz ao up local, em oposição ao modelo que nos trouxe até aqui: globalização – produzir, consumir e crescer, o tal ciclo diabólico.

Acredito convictamente na vida local porque tudo o essencial à vida, como os recursos indispensáveis (solo e água), são locais. Entretanto, este país é inundado por estudos e estratégias para tudo o que se possa imaginar e que só servem para produzir papel e nos distanciar do importante, da vida. O interior, aquela coisa pobre, cinzenta e velha, até teve direito a uma Unidade de Missão que entretanto, como sempre, se esfumou sem deixar rasto. Agora mesmo, com o Dr. Ceia da Silva, o Presidente da CCDR – Alentejo “democraticamente” eleito, é que vai ser: vamos tornar esta região colorida, rica e jovem. As oportunidades não vão faltar e casais jovens, portugueses e estrangeiros, sem filhos, vão-se acotovelar para viver e trabalhar no interior. Sem filhos porque, entretanto, algumas más línguas, dizem que a “pediatria retrocedeu em Évora”. Como povoamos com jovens uma região que não responde satisfatoriamente nos cuidados pediátricos? E no resto da saúde, será que estamos bem? Tenho a certeza que o “competentíssimo” Concelho de Administração do Hospital do Espírito Santo de Évora e Administração Regional de Saúde respondem com um inequívoco sim. Esta miséria governativa vai-se perpetuando e consolidando aos mais variados níveis. Trata-se de uma enorme classe inútil e incompetente que assaltou os lugares de decisão e gestão e se protege e sustenta com todas as armas que tem sem olhar a meios e processos. Enquanto isto, idosos doentes aguardam em filas à porta dos centros de saúde, e o número de óbitos dispara; para compensar somos inundados por uma agressiva campanha de marketing para a vacina da gripe que não está nas farmácias.

Até quando este povo assobia para lado? Depois queixem-se dos populismos.

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan