desconstruir o ambiente

Quais os desafios ambientais de um cidadão que tem a profissão de professor de geociências? Acreditar no dia europeu sem carros?

A globalização mascara a verdade. Todavia os recursos continuam a ser locais – up local. Por maioria de razão os recursos geológicos estão onde estão e devem a sua ocorrência a factores exclusivamente geológicos. Território. Vivemos num país com uma imensa geodiversidade, incomparável na Europa. Consequentemente a nossa biodiversidade é uma autêntica arca de Noé. O capital natural, ignorado e mal tratado, que temos pode conduzir a uma mais-valia de qualidade de vida e riqueza impar e singular. A gestão da natureza (recursos naturais/recursos geológicos) é proibir. Onde chegámos e para onde vamos? São estas as questões que nos tocam todos os dias em cada decisão que tomamos. Dever/atitude. O que nos diz a geologia? O que dizemos com a geologia?

https://www.dropbox.com/home?preview=carlos+cupeto+-+XXXVICAP_26%2627Nov’16.pdf

 

escolas públicas

A minha sobrinha Laura tem 11 anos, até aqui andou numa escola privada e este ano, no 2º ciclo, anda na escola pública. Trago o tema a esta coluna porque é importante e geral a muitas das nossas escolas por este Alentejo fora. Como sabemos, na generalidade, sobretudo nas cidades, o modo de vida levou a que as famílias se tenham afastado da educação das crianças. Os pais saem cedo para trabalhar e regressam tarde e cansados, mesmo que não tenham feito grande coisa (como sabemos o nosso país é pouco produtivo). A escola assume ainda mais importância na formação das crianças.

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ambiente na Europa (LIFE)

Há muitos anos que o financiamento mais importante na Europa para a área do ambiente se consubstancia no programa LIFE. O LIFE tem tradição e, atualmente, um nível de exigência bastante grande. Ou seja, não é qualquer grupo de amigos que se juntam, têm uma ideia, esboçam um programa de trabalhos e conseguem um financiamento. Diga-se, ainda em jeito de informação geral, que os montantes do LIFE são na generalidade significativos; projetos acima de um milhão de euros são comuns. Um milhão de euros é dinheiro que, se bem aplicado, pode traduzir-se em consideráveis benefícios.

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mais vinho

Estes dias são loucos no que respeita ao importante setor da vinha e do vinho. O vinho novo está aí para ser provado e os castanhos e amarelos das vinhas por esses campos dão-nos quadros únicos. O dia de S. Martinho,  o dia internacional do Enoturismo no  passado domingo dia 13 (a quantidade de iniciativas por todo o país a comemorar este dia foi impressionante), em Lisboa na FIL (Junqueira) decorreu  o “Vinho e sabores”, o mais relevante semanário português editou um guia bilingue sobre Enoturismo, em Borba a tradicional Festa do Vinho e da Vinha, etc. Folhear um jornal ou uma revista, incluindo obviamente o Diário do Sul, mostra igualmente esta realidade; um setor vivo e vivido. Na verdade um copo de vinho assume uma importância económica, social e cultural sem paralelo. É um património português de elevada qualidade que começa a ter reconhecimento internacional. Por esta altura poucas são as terras/concelhos que passam ao lado do tema. Em todos os lugarejos há algum tipo de iniciativa.

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clima e alimentos

No fim da semana passada o muito badalado acordo de Paris sobre o clima entrou em vigor. A propósito disso o tema das alterações climáticas ficou outra vez na ordem do dia. Já aqui escrevi sobre o assunto muitas vezes mas podia fazê-lo todas a semanas que não era demais. Este é na verdade um jogo “mata-mata”. A grande maioria das pessoas não compreende do que se trata e está convicta que nada tem a ver com o assunto. E, quando dá alguma atenção à coisa, pensa que um aumento de temperatura de dois graus centígrados até é bom, designadamente para ir praia. Nada de mais errado. É um tema muito grave, é a própria vida que está em causa e ninguém, mesmo na mais remota aldeia, fica de fora. Portanto amigo leitor, mesmo que não compreenda aceite esta verdade.

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sequestro libertador

Quando uma Opinião à quinta-feira é publicada no O Mirante é conveniente que, pelo menos, a “inspiração” de outro tema já ande pela cabeça. Há semanas de fartura e alguns escritos potencialmente oportunos e interessantes até se perdem, e outras em que o tema falta.

Há pouco no refeitório do edifício da universidade onde trabalho ouvi parte de uma história no mínimo curiosa. Esta juventude, às vezes, deixa-me perplexo. Apesar de não ser nada interessado em conversas alheias era uma hora calma e a proximidade das mesas tornou a coisa incontornável. O diálogo ocorreu entre uma rapariga, talvez com uns trinta anos, e uma outra provavelmente uns anos mais velha que parecia ter o papel de boa conselheira. O que me “ligou” à conversa foi claramente a expressão dita pela mais jovem em tom bastante alto e convicto, “foi o sequestro que me libertou”. Um amor impossível (?) terá levado essa rapariga a um episódio rocambolesco, aparentemente questionável, mas claramente apontado como salvador. Pelo que ouvi essa rapariga mais jovem foi fechada num quarto para evitar males maiores com o tal amor.

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mexer bem o corpo – tertúlia

nov_2016

Conversas de Cesta, a tertúlia de troca de informação útil, volta no próximo domingo.

Sónia Abrantes, conceituada professora de Pilates, vai falar do corpo.

Participe e convide os seus amigos – partilhe para contribuir para um lugar melhor.

coisas de vinho [o vinho e tudo à volta]

a tertúlia do vinho, em Évora e Alentejo, na última 5ª feira do mês às 18:15.

convidados um orador (um tema sempre diferente) e um produtor.

em lugares de excelência, sempre diferentes.

No Diário do Sul:

https://www.dropbox.com/home/uploads?preview=coisas+de+vinho+-+27+out+2016+no+Di%C3%A1rio+do+Sul.pdf

Vídeo:

Coisas de vinho, o tema é o vinho e tudo à sua volta, uma tertúlia. Poucos temas serão tão transversais e identitários com a cultura e tradição da região onde trabalhamos e vivemos. Os patrimónios associados à vinha e ao vinho tenderão para o infinito.

A vinha, o vinho, a chave de grandes histórias, mistérios, artes e ciência. A vinha revela nos seus cachos os segredos que escondem as rochas, os solos, o clima,  a cultura e a tradição. No copo tudo isto se bebe.

Coisas de vinho é como chamámos a este espaço mensal de troca informal de saber útil sobre o vinho nos seus mais variados contextos. O objetivo último é enaltecer, valorizar e promover a cultura, tradição e patrimónios associados ao néctar de Baco. Só por isto, a iniciativa está justificada e anima-nos a convicção da sua oportunidade.  Em Évora, em vários lugares e espaços, por esse Alentejo marcadamente vinícola, vamos conversar informalmente, como todas as boas conversas entre amigos. À volta de um copo de vinho, todos estão convidados a aparecer.

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sempre o Tejo

cancioneiro da sustentabilidade

A Rosmaninho Editora de Arte honrou-me com a publicação de um livro, o Cancioneiro da Sustentabilidade. Escrevo um dia depois da apresentação deste no Centro Cultural de Cascais, onde umas dezenas de pessoas conversaram à volta do tema publicado. Depois de Évora, agora Cascais, seguir-se-ão Elvas, Parede e Lisboa. É um tema que há umas dezenas de anos se mantém atual e assim vai perdurar, embora gasto. Gasto de tal forma que durante algum tempo evitei a palavra sustentabilidade. Quem de quando em vez me lê sabe que não tenho paciência para os lugares comuns e que as mais das vezes ando ao revés, não porque isso me dê algum gozo mas sim porque conheço e penso. Muito mais que uma compilação de textos, este livro tem uma lógica e uma proposta associadas; também por esta razão, desejo promover o debate e criar a cultura que me seja possível – as tertúlias e as caminhadas em que vou participando, parece que não mas contribuem para este objetivo. Alguns dos textos que integram o livro têm mais de quinze anos e foram publicados em vários jornais e revistas, e isso não é nada despiciendo, antes pelo contrário: os leitores e o tempo validaram-nos; “aos costumes disse nada” (tudo está na mesma); e, a Terra tem uma capacidade de resiliência brutal. Mas o mais relevante mesmo é o “aos costumes disse nada” nos seus mais diversos significados e subtilezas. A grande maioria destes textos, sobre a mãe Terra, o valor do local (up local) e a economia da Terra (economia verde), são desalinhados do status quo e apesar de serem tendencialmente propositivos raramente provocam reações, sejam elas quais forem. Isto carateriza bem o povo que somos, bem acomodado no sofá com um comando de 200 canais na mão que quando sai à rua diz mal de tudo e de todos mas que nada faz para mudar o que seja porque há sempre alguém responsável. Se juntarmos a inveja, temos o pacote perfeito.

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Tema adaptado de Esquire de Matthew Buchanan.