comunicar com ética (Conversas de Cesta)

é já no próximo domingo que vamos conversar informalmente sobre comunicação.

a sua parte é “dever em participar”, isto é, estar presente e partilhar na constituição de uma rede informal de partilha de saberes úteis. Só assim, por dentro, participando na tomada de decisão podemos contribuir para um país melhor onde não morram meia centenas de pessoas numa estrada a arder.

sinta-se convidado e convide, domingo, 25 de junho, 18:00 no Junqueiro (Parede/Carcavelos).

fogo 2017

 

2017, tudo como dantes. Um ano e uma comissão interministerial de sete ministros depois, o que mudou? Nada.

Um país de 3º mundo (bombeiros voluntários…) com riscos, sistemas (comunicações, centro de comando…), equipamentos (jipes, carros de combate, fardas…) de 1º mundo.

A tragédia, naturalmente (como poderia ter sido diferente?),  abateu-se sobre o nosso campo. Como avaliar, mais uma vez, o que aconteceu? Aos factos associam-se os comentários e os fabulosos e sábios inventários infinitos de causas. O mais provável é que a principal causa esteja num computador central, algures em Lisboa, sem o qual a decisão não é tomada… Isto é, quem vive o local e conhece os bois pelos nomes, por exemplo: dois GNR, que cortam uma estrada de que o PC de Lisboa nunca ouviu falar, podem evitar meia centena de muito tristes e escandalosas mortes.

No fim os cães ladram e o cortejo de vaidades com bonitas fardas e bons jipes com pirilampos estridentes vai passar e continuar intocável até à próxima.

João Miguel Tavares, no Público, escreve: “apaziguamos a alma com donativos. Vemos o presidente da República desculpar toda a gente ainda antes de saber o que aconteceu. ”

Triste tempo este em que mais recursos, mais meios, mais quase tudo, significa menos, muito menos no essencial. Esta é, na verdade, a maior e mais grave das pobrezas, a incapacidade de fazer o que se deve.

avaliar

Avaliar é a pior das tarefas de um professor. Custa-me cada vez mais. Talvez porque ao longo da vida profissional, felizmente estupidamente rica, fui encontrando o que de mais estapafúrdio se possa imaginar. A dada altura trabalhei num projeto empresarial onde é preciso dar a resposta requerida no prazo certo com os meios disponíveis (orçamento) com uma licenciada em ambiente que tinha sido aluna brilhantíssima; o resultado foi catastrófico. Será que a classificações excepcionais não correspondem, necessariamente, bons desempenhos profissionais?  Cada ano que passa um 12 ou 17 pouco ou nada me dizem. Sei que o modelo vigente, muito semelhante há dezenas de anos (acima de 10 é positivo, abaixo é negativo), não serve e mostra-se incapaz de reflectir a aptidão para o desempenho de determinada função. Noto igualmente que há, a par de um alheamento (deixa andar) por parte dos estudantes, uma enorme distância para o “mundo lá fora”.

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afonso (emoções com ténis)

Quando menos se espera as pequenas coisas acontecem e marcam-nos.

Naquele tempo em Évora todos nos conhecíamos, bem ou mal. Cada um quase era uma figura, o Afonso era mesmo. Distinguia-se pela elegância e bom estilo, a namorada não ficava atrás, antes pelo contrário. Não me recordo se alguma vez bebi uma imperial com o Afonso? Tenho a plena consciência que o Afonso jogava noutra divisão da juventude eborense. A esta distância a divisão café Portugal – Arcada e depois com a intrusão da Zoca até tem piada; na época eram “coisas imexíveis”. Não tenho a plena certeza mas resta-me a memória que o Afonso andava um pouco na margem disto tudo, embora mais para lá (Portugal) do que para cá (Arcada-Zoca). Com o Afonso tinha alguns amigos comuns. Hoje o vereador Eduardo Luciano julga que isto é ficção mas engana-se, era assim Évora há quase 50 anos. Apesar de tudo, em muita coisa, bem melhor que hoje.

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vinho

Desde outubro do passado ano que levamos a cabo a Coisas de vinho, uma tertúlia que procura contribuir para enaltecer a cultura, a arte e a ciência do vinho. Foram 8 magníficas sessões que nos convidam a comemorar o sucesso.

Coisas de vinho encerra  o ano de actividades na rua – o tema é o vinho no verão.

A oradora é Maria João Cabrita, docente na Universidade de Évora; os vinhos à prova são da Adega Cooperativa da Vidigueira e são apresentados por Luís Leão.

Na Mercearia do Largo, Largo Álvaro Velho (em frente à Pousada da Juventude – antigo hotel Planície), sexta-feira, dia 16, 18:00.

Venha celebrar o vinho e o verão e prove o verão alentejano num copo, partilhe e traga amigos.

 

 

acordo de Paris

O presidente dos Estados Unidos rasgou o acordo de Paris sobre alterações climáticas. Vale a pena nós, leitores de o Diário do Sul, focarmo-nos e esgotarmos a nossa atenção neste tema? Duvido muito. Anda meio mundo a falar sobre o tema, o que é quase tão nefasto como a própria decisão de Trump; distraímo-nos.  Acredito que, contrariamente ao que gritam, a trumpada interessa enormemente aos governantes europeus que assim têm um bom bode expiatório para nos contentar. Como sabemos, o acordo de Paris, como todos os outros que o antecederam, não é mais que um entretém que nada resolve do que deve. Deve ficar muito claro e explicito que com este escrito não apoio Trump nem tão pouco a sua decisão. Apenas compreendo que, num contexto completamente insustentável, de miséria, muitas cidades americanas se regozijem por as minas de carvão voltarem a laborar.

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dia do ambiente

Dentro de dias alguns celebram mais um dia internacional do ambiente. Se tudo tem dias, porque não o ambiente? Nesse dia, algumas associações ambientalistas inúteis e prejudiciais à causa, vão procurar ecrã com mais alguns estudos de coisa nenhuma: uns dados da Agência Portuguesa do Ambiente com tratamento estatístico são quanto basta. Entretanto, a semana passada, uma revista semanal da nossa praça fez o seu número anual a que chama “edição verde”. O melhor respeita a uma entrevista aquele que foi o responsável da BBC pelos mais espectaculares programas de TV sobre natureza realizados até hoje. Diz o senhor Tom Hugh-Jones que o mais assustador “não é Donald Trump, somos todos nós – a forma como vivo a minha vida…, a forma como as pessoas que conheço vivem as suas vidas… Bem posso dizer que me preocupo com as alterações climáticas mas depois vou de avião para Portugal. Fico envergonhado por não conseguir comprometer-me mais.” Concordamos totalmente, escrevemo-lo no DS muitas vezes: o dia europeu sem carros, o dia do ambiente e quase tudo o resto é um folclore que só serve para não fazer o que devemos.

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solo e água

Nas nossas terras todos conhecemos alguns sinais, bons exemplos, indicando-nos que alguma coisa está em processo de mudança para melhor. Enquanto o folclore, às vezes ofensivo, das startups anima os nossos melhores centros de excelência, quase sempre ligados às universidades, a fazerem inutilidades em série, o mundo real onde as pessoas vivem, onde os rios correm e as árvores crescem, começa a mostrar-nos excelentes práticas. Num destes fins de semana tentei visitar num dos bairros, tipicamente rural, da cidade em que habito, um mercado local que começa a ter fama. Os pequenos produtores juntaram-se, ganharam alguma escala, ajudam-se e a coisa está a correr bem; entre a agricultura tradicional e a biológica, as pessoas reconhecem a qualidade dos produtos e aderem com natural facilidade.  Escrevo “tentei”, porque, como um perfeito urbano, falhei o dia, fui no sábado e o mercado é ao domingo. Mas, graças à simpatia das pessoas simples do campo, rapidamente fui informado que ali mesmo ao lado num outro bairro – daqueles que não deviam existir, porque não é rural nem urbano e de qualidade nada tem –, havia nesse mesmo dia um mercado “muito melhor”.

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o Tejo num congresso

Há duas semanas o Tejo ia ter mais um Congresso, não aconteceu sabe-se lá porquê!

Lamento dececionar os mais inocentes, mas nesta, como noutras matérias, está tudo dito e todos sabem o que devem (têm) de fazer; só não fazem se não quiserem. Sobeja (e muito) a legislação, os instrumentos de gestão vigentes e tudo o resto. Apenas se pede uma ação que proteja e valorize o rio e que conduza a um Tejo onde se nade e pesque, somente isto. Ou seja, políticas e práticas que contrariem o habitual “proibir” e incentivem o bom uso, pois o rio devolve-nos exponencialmente tudo o que por ele fizermos.

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para lá do Marão

Hoje é daqueles dias em que o “adoro escrever, só detesto começar” é ainda mais verdade. O “Tejo a pé”, um grupo de caminhada informal, esteve em Trás-os-Montes, ou seja, o “Tejo andou no Douro”. Este país é único; rios como os nossos não há mais na Europa. Em contrapartida, todos os outros (Espanha, Itália, França…) têm melhores igrejas, castelos, monumentos… É só por esta verdade que insisto no património natural da nossa terra como o maior dos valores turísticos e verdadeiramente distintivo. Andámos no Douro, mais concretamente no Tua, fruto de uma parceria com a Casa do Lagares Vara e Pedra, muito mais que uma casa de campo, na pessoa do biólogo Paulo Pinto. O Paulo preparou-nos um magnífico fim de semana que incluiu várias dimensões do que faz um humano feliz. Em Vilas Boas, no bonito concelho de Vila Flôr, bem para lá do Marão, no Parque Natural Regional do Vale do Tua, andámos cerca de 11 quilómetros de um encanto difícil de escrever e retratar. Jamais imaginámos que seria possível em Portugal andar tal distância continuamente com vistas soberbas.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan