capitalismo

ontem no jornal Público, Agostinho Pereira de Miranda, faz uma análise do mais “recente livro de Paul Collier, The Future of Capitalism, merece ser destacado pela sua clareza, profundidade e utilidade.”

“A sociedade capitalista tem de ser próspera mas também ética. Collier entende que se deve começar pela definição  de direitos e obrigações, ao nível da família, da empresa e do Estado. O conceito-chave é o da reciprocidade. Nenhum direito individual sem a correspondente obrigação. Não podemos continuar a esperar que as obrigações recaiam sobre o Estado paternalista, que nas últimas décadas anestesiou o sentido de responsabilidade e de identidade dos cidadãos.”

Pessoa & Saramago

este domingo, dia 28, voltam as Conversas de Cesta.

partilhar o que cada um tem na cesta.

sinta-se convidado e convide.

mafiosos

Devemos todos saber que o maior dos perigos, também ele não legislável, vem de outro tipo de famílias. Há uns anos, num daqueles congressos internacionais, para pouca ou nenhuma coisa, tive a oportunidade de conhecer o jovem presidente da Junta de Freguesia de Oeiras. Um rapaz bem vestido, muito bem-falante e etc. Nunca mais vi ou me lembrei de tal criatura. Até que, na semana passada numa boa iniciativa do Parlamento decorreu mais um “Café de Ciência” dedicado à água e à seca; na mesa onde fiquei, para além, do “velho” e conhecido ex-presidente da CM de Moura, Pós-de-Mina, surgiu um rosto que me “incomodou” durante algum tempo por não me recordar de onde o conhecia. Precisamente, a tal jovem promessa de Oeiras. Agora virou especialista em água, é Director Delegado dos Serviços Intermunicipalizados de Água e Saneamento de Oeiras e Amadora, empresa que também tem um Presidente do Concelho de Administração entre muitas outras coisas. Suspeito que o Director Delegado seja licenciado em direito. O país, nós todos, muito lhe agradecemos mais este serviço em prol do bem comum. Obviamente que todos sabemos como e porquê este tipo de cargos acontecem; obviamente, é transversal a toda a manjedoura política.  Na verdade este novelo de clientelismo político de uma classe, verdadeiramente, mafiosa é muito difícil de desatar. Não consigo imaginar como vamos sair deste beco e darmos passos em frente no sentido de um estado de consciência mais elevado donde resultará uma sociedade mais justa e um mais rico. Acontece, e eles não dão por isso, ou fingem não dar, que a massa anónima que trabalha e sustenta tudo isto com os seus impostos, começa a dar sinais de saturação; diz-nos a história que o resultado disto não é coisa boa. Eduardo Dâmaso no editorial da revista Sábado escreve uma série de “absurdos” sobre o Juiz Desembargador, ex-presidente da CM da Figueira da Foz e novo Secretário de Estado do Ambiente. Como este jornalista ainda não foi preso só temos que acreditar que escreve a verdade. Assim estamos nós, cantando, rindo e assobiando para o lado.

Vai na volta, afinal, vivam os primos, comparativamente inofensivos.

teatro no interior

Em Évora, na sexta feira fui ao teatro, aos Celeiros da EPAC.  Bons artistas, bom espectáculo. Como professor/estudante paguei três euros. Estavam cinco espectadores, os artistas eram três, fora todo o outro pessoal envolvido, desde a menina que vende os bilhetes… Bem sei que já paguei muito mais através dos impostos absurdamente elevados sobre o meu trabalho que o Estado me cobra. Também sei que há pequenas cidades do interior, por exemplo a Covilhã, onde as salas esgotam e as representações têm que ser repetidas para satisfazer a procura. Isto faz-me pensar. Esta realidade de Évora, esta pobreza, não é de agora. Sempre assim foi. Não é só centro histórico que está em ruínas, as calçadas estão impróprias, a iluminação publica é deplorável (já repararam na principal entrada de Évora, as portas do Raimundo?), as marcações horizontais são inexistentes… Em Évora há uma Universidade com uma Escola de Artes. Quantos alunos e professores do Departamento de Artes Cénicas viram este espectáculo? E dos restantes? Évora é a cidade que pretende ser cultural e que é candidata a capital europeia da cultura 2027: rimos ou choramos? Isto não é uma interpretação pessoal ou política da coisa, isto não é um texto de opinião, são factos. Só não vê quem não quer, ou não pode. Estamos, pois, perante uma encruzilhada muito difícil de resolver. Não há solução mágica para Évora. O país não nos vai ajudar, antes pelo contrário. O país está de tanga, como nunca esteve. Já perceberam isso? O que fazer? Como mínimo, para começar, é incontornável abrir os olhos.

évora no seu pior

Há muito que tenho a profunda convicção que, para alguns, governar na pobreza é uma opção estratégica de sobrevivência. Em Évora, com umas duas décadas de atraso como mínimo, o atual executivo anunciou, no início do seu primeiro mandato, que Évora iria ter um parque de autocaravanas. Mal e porcamente, cerca de 5 anos depois, surgiram, junto à piscina do AMINATA, umas placas de parque de estacionamento a anunciar a coisa. Esta coisa começou mal, continuou muito mal e não pode ficar bem. Não pode ficar bem porque, na verdade, a opção não é fazer desta terra uma terra rica. Ao atraso de 20 anos, seguiu-se uma embrulhada com o convívio entre “povos nómadas”, ciganos e auto-caravanistas.

Como estes tempos andam patetas, impõe-se uma nota: quem me conhece sabe que sou admirador do povo e cultura cigana, a questão fundamental não foi essa. Estamos agora na fase de um “parque de autocaravanas” que apenas tem o nome… Quem passa pela zona ao final do dia, ou de manhã, compreende que a coisa tem muito potencial. Por isso incomoda muito que Évora não tenha um parque de autocaravanas com qualidade distintiva para uma grande lotação, 100? Este parque, fortemente arborizado, e com várias infraestruturas de apoio, convidaria esta, cada vez mais, significativa tribo, não só a pernoitar em Évora mas a permanecer por cá mais tempo. Já agora a coisa devia existir também para camionistas e motociclistas, com as suas especificidades e óbvia separação física. Pode haver esperança?

Sado e Arrábida, cumplicidade

O Setubalense e a Universidade de Évora promoveram no dia 21 uma meia jornada para falar da Arrábida e do Sado. O objetivo é ambicioso e invulgar, cosntituir uma rede de ligações inovadores entre gentes de saberes diferentes e aparentemente contraditórios . Convidaram-se todos os principais atores e a conversa está aberta à população. Parece-nos óbvio que os interesses das diferentes partes, designadamente a proteção e valorização do ecossistema, podem e devem ser complementares e convergentes. Porque razão, eventualmente, assim, não é? Porque razão proteger e valorizar a Arrábida e o Sado não podem ser compatíveis com atividades económicas rentáveis? Deseja-se uma Arrábida e Sado vivos e vividos. Dia 21, amanhã no Convento de S. Paulo,  queremos promover o início de uma conversa positiva e franca, simples e despretensiosa, que possa contribuir, ano após ano, passo a passo, para uma agenda de valorização e proteção do território. Uma conversa cúmplice onde cada parte assuma os seus deveres e direitos. Este território tem uma profundidade que se funde com as pessoas que o habita e configura uma paisagem única que sintetiza uma dimensão natural, religiosa, cultural, social e económica que não pode ser ignorada. Há que realçar a identidade deste lugar e   potenciar a sua apropriação pelas gentes que cá vivem, como parte integrante deste ecossistema. Poucas terras têm um património natural desta dimensão. É legitimo que este tesouro não seja delapidado e possa ser benéfico para quem cá vive. Assim, durante uma manhã vamos convergir para objetivos simples, consensuais e comuns. Qual é a agenda essencial para a Arrábida e Sado? Quais são as ações incontornáveis que devem ser assumidas pela Arrábida e Sado?  O Sado une territórios e a Arrábida eleva-os ao céu.

Reportagem no Setubalens:

https://www.dropbox.com/s/59w53xll0mo9nue/jornada%20arr%C3%A1bida%20-%20sado%20%20Edi%C3%A7%C3%A3o%20133-p%C3%A1ginas-1%2C4-5.pdf?dl=0

conversas de cesta, dia 24, 18:00

tertúlia, conversas de cesta, uma rede informal de partilha de saberes úteis.

participe e convide.


verdade


As perguntas fundamentais e verdadeiras: 
temos dinheiro para pagar o Estado que temos?
ou, mais exatamente, temos dinheiro para pagar o Estado de que precisamos?
ou, indo mais longe, temos dinheiro para pagar o Estado que, por comparação com a Europa, achamos que devíamos ter?
a resposta a estas três perguntas é não.
(Vasco Pulido Valente)
faço eu a última pergunta: o que fazer?


amor

popularismo e populismo

O popularismo, no mínimo tão perigoso como o populismo, anda por aí em força, só comparável à amnésia deste povo. Os absurdos contraditórios do tipo “as nossas contas públicas estão ótimas, o país está bem”, quando é o contrário, deixam-me perplexo. Na verdade o “sucesso” das nossas contas assenta em cortes (cativações, isto é, igual a manhoso  em alentejano) e em aumento de impostos e contribuições. Nada de criar riqueza, de aumentar a produtividade. Uma fatura enorme, incalculável, a pagar no futuro não muito longínquo. Um verdadeiro popularismo que por cá, até agora, ofusca completamente o populismo que parece ameaçar a Europa. Vivemos num país improdutivo, sem riqueza, habilidoso, de “contas com esquemas” que nos são contadas com um sorriso. O popularismo é nosso, a habitual esperteza saloia portuguesa só possível no seio de um povo pobre, inculto e conformado. Os inconformados, os melhores, fizeram a mala de cartão e andam por esse mundo a gerar riqueza.

Entretanto o populismo  rodeia-nos por todo o lado e está aqui ao nosso lado. Será que nos vamos manter isolados e ficar “orgulhosamente sós”? Alguém acredita que a qualidade dos nossos partidos, políticas e políticos nos salvaguarda da ameaça do populismo? Fui espreitar os ditos extremistas aqui ao lado na Andaluzia e vi coisas, que no mínimo, nos devem fazer pensar.  Dizem eles que querem “apoiar os que criam emprego e riqueza – as pessoas autónomas, comerciantes, empreendedores e pequenas e médias empresas”, apoiar significa baixar impostos e taxas. Desculpem-me se sou politicamente incorreto, mas eu quero isto em Portugal. Por cá, como não se produz, a opção é taxar, cada mais, quem trabalha.  Incentivar a criação de riqueza, como forma de luta contra a pobreza, que em Portugal é cada vez mais preocupante, sempre foi uma das minhas mais fortes convicções. Isto é mau? É populismo?

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan