web summit

Paddy Cosgrave afirmou hoje que este pequeno país é um “país startup”. Fiquei entusiasmado; enquanto isto a nossa miserável pobreza, leia-se produtividade, necessita de 2,5 vezes do território do país para gerar a nossa pobre riqueza, é mau demais.

Também hoje a cidade de Nova Deli está fechada porque a qualidade do ar é venenosa, irrespirável. Estou certo que em Lisboa vai surgir uma app que resolverá o problema. E um pingo de vergonha, não lhes ficaria bem?

no Público dois dias depois:

https://www.dropbox.com/home?preview=Emerg%C3%AAncia+Clim%C3%A1tica+-+Publico+Lisboa-20191106-p%C3%A1ginas-1%2C28-29+(1).pdf

desgoverno

A maior de todas as grandes desgraças nacionais é o desordenamento do território. Ninguém tenha dúvidas. Esta realidade encarregou-se de nos fazer pobres, de desperdiçar recursos e de gastar fortunas a tentar remediar a coisa.  Colocam loteamentos (pessoas a viver) ao lado dos porcos.  Constrói-se em leitos de cheia e em bom solo agrícola. Ignoram-se recursos geológicos, veja-se a Zona dos Mármores. A partir daí toda a gente ralha e todos têm razão. Talvez por isso os grandes desafios associados ao território estejam dispersos por vários Ministérios e Secretarias de Estado no novo enorme Governo. Estou-me nas tintas para isso, é mais caro um Governo grande que um pequeno, mas não é por aí. O que nos deve interessar é a eficácia do Governo e os resultados alcançados. Falam-nos em eficiência energética, descarbonização, luta contra as alterações climáticas, aposta nos transportes públicos, economia circular, ciclovias, etc., etc e depois encalhamos num país miseravelmente produtivo que necessita de 2,5 vezes o seu território para gerar a nossa pobre riqueza, é mau demais. O resto é conversa fiada do bem disposto Ministro Matos Fernandes.  Temos na nossa terra condições, como poucos, para solucionar grande parte do “enorme problema” a que a humanidade chegou: temos solo e água, isto é, território de baixa densidade, pronto a produzir os alimentos que nos faltam para sermos suficientes. Na verdade temos condições para um verdadeiro up local em detrimento do up global que tanto tem agradado a uma ínfima minoria. Num planeta sobrelotado, não é difícil povoar o interior como desejarmos, enquanto é tempo.  Apesar de questões globais, como as alterações climáticas, temos algumas condições ímpares para um Alentejo bem melhor para todos. A grande questão é: os nossos governantes não compreendem isto ou não querem compreender?

solidão

os Cartuxos deixam Évora e Portugal, depois de mais de 400 anos embora não contínuos. “Falamos a Deus dos homens”, disse ontem na despedida o Padre Antão Lopez em Évora.

8+8+8 h de oração, trabalho e descanso; assim é o dia do Cartuxo, em solidão para chegar ao silêncio. “O mais difícil é quebrar a normalidade” – afinal há normalidade.

simplicidade é o segredo da vida feliz.


sabedoria

serenidade para aceitar as coisas que não posso mudar, coragem para modificar aquelas que posso mudar e sabedoria para reconhecer a diferença.” (Leitura Diária, 21, out, 19)

3T, arte

Há uns tempos, de forma mais consolidada, percebi o poder transformador das artes. A arte transforma as pessoas e as cidades para melhor. Não sei como, mas creio, que as artes terão um papel determinante na eventual saída da emergência planetária em que nos encontramos. No mínimo, como ferramenta para elevar o nível de consciência da Humanidade. Mais  recentemente com o André Carmo, geógrafo, cientista social, colega na universidade em Évora, que estuda e investiga a arte como transformadora das cidades – Lisboa, Seixal, Porto, Moita, Barreiro, Loures, Montemor – o – Novo são alguns dos exemplos estudados, a coisa ficou ainda mais clara. Nestas e noutras terras foram estudadas verdadeiras dinâmicas de transformação com uma enorme diversidade de projetos e ações. Um dos casos, de necessária transformação de um passado industrial para um novo contexto, é o Barreiro. Era muito avisado que o próximo Governo desse mais atenção a esta matéria, conforme evidenciam alguns exemplos é um investimento que compensa largamente.  A promessa de 2% do Orçamento Geral do Estado ser afeto à cultura não pode servir apenas para as eleições e ficar no papel. Para isto é preciso visão onde, a mais das vezes, abunda a miopia. Segundo Richard Florida, professor americano,  referente  em estudos urbanos com foco na teoria social e econômica, temos que atuar segundo os “3T”, tecnologia, talento e tolerância; bem precisamos.

maratona de fora

hoje vivi a maratona de Lisboa de fora. Corri em sentido contrário um ou 2 quilómetros, toquei os olhos deles; meditar nos Himalaias é igual. Murakami, quando vendeu o bar e escolheu ser escritor, escreveu: “comparável à maratona, só escrever um livro” (determinação, esforço, persistência, capacidade de sacrifício…).

para quem está de fora as palavras são: admiração, transcendência e nostalgia.

[por favor, por vocês, corram a maratona]

em 2013 foi assim:

Rock’n Roll Marathon Series – Lisbon Marathon 2013


cimeira de NY

ouvi a intervenção do nosso conterrâneo Guterres, brilhante.
honesto ao ponto de confessar que a sua geração falhou…, nós bem o sabemos.
segue-se depois o apontar de tudo o que temos de fazer; quem diria melhor?
falta só dizer como se faz?
sobre isso nem uma palavra. Vai falhar outra vez.
o Prof Marcelo foi na mesma linha e todos os outros assim farão.
não há transição possível, vamos bater no muro de frente e aí sim a coisa muda… se os dinossauros nos pudessem contar como foi…
as lágrimas da gaiata sueca não acrescentam nada, ela disse-o, devia estar na escola, como todos os outros meninos que enchem as avenidas dos países ricos com cartazes coloridos; Guterres, Marcelo, eu e você sabemos o que há a fazer mas estamos bem, até ver, e não fazemos.
entretanto viajamos para onde nos apetece por meia dúzia e Euros e vamos trocando de automóvel… aos costumes disse nada!
haja paciência.

novo aeroporto

porque não acredito em estudos de impacte ambiental não me passou pela cabeça ler o Estudo de Impacte Ambiental do aeroporto do Montijo. Por um passado recente com responsabilidades no Tejo sei bem da importância ecológica do estuário deste rio. Olha-se para a seguinte fotografia e parece-me absurdo fazer ali um aeroporto:


entre centenas de perguntas com difícil resposta faço uma: quanto custa preparar geotecnicamente estes solos para suportarem uma pista?

entretanto temos o aeroporto de Lisboa:

esta fotografia foi tirada da janela da cozinha de uma pessoa amiga que vive no bairro de Alvalade em Lisboa. Em largos períodos do dia a periodicidade da passagem dos aviões é de três minutos. Há dias em que ela tem de sair de casa porque não suporta mais o incomodo. Dificilmente poderia haver uma pior localização para o principal aeroporto do país. Não nos esqueçamos localização do aeroporto de Faro…

em matéria de aeroportos é esta a triste realidade de um país que nos dizem exemplar!

catástrofe planetária

Catástrofe planetária e Greta

O risco de uma catástrofe planetária é cada vez maior; isto é uma enorme verdade. A coisa aparece com o nome de “alterações climáticas”. Quase tão grave como esta realidade é o que se tem feito e a forma como surge na casa de cada um: um folclore inconsequente, uma oportunidade política para sacar mais uns votos, ou até uma moda, como todas as outras que, tal como aparecem, da mesma forma se vão… Reparem que na atual campanha eleitoral todos os partidos, ou quase, têm cartazes verdes a aproveitar a onda… Haja paciência, mas não há. O ridículo chega ao ponto de ser uma garota, Greta, de um país rico a liderar a festa.

Outra verdade é o tema ser mais um excelente campo de negócio de milhões para os mesmos de sempre: os mesmos que aproveitaram outras modas e que viraram agora especialistas em clima. Um dos produtos deste negócio são os planos de ação contra as alterações climáticas; ridículos é pouco para os qualificar. Há-os para todos os gostos e não há terrinha que não tenha um pano destes. Data de 2006 um primeiro Programa Nacional para as Alterações Climáticas. São os nossos impostos que os pagam aos tais consultores e especialistas. Entretanto, por causa de mais uma cimeira, esta em Nova York, as últimas semanas têm sido muito animadas.

Há paciência para manifestações, greves e recados de garotas confortáveis na vida que fazem mais mal do que bem à causa? As ruas das cidades ficam cheias de gente a gritar com cartazes, a cimeira passa e, como todas as outras, “aos costumes disse nada”, ou seja, fica tudo na mesma – quem tem piscina tem, viaja de avião as vezes que lhe apetece a custo escandaloso e quem tem fome, fica com fome. Nada muda. Greves palermas para nada, a não ser para tranquilizar consciências. Será que o Ministro do Ambiente também faz greve?

Quantas cimeiras destas já houve? Quais foram os resultados? Depois de cada cimeira a coisa piorou e continua a piorar. Por cá, temos um modo de vida totalmente insustentável: consumimos limões do Chile e vamos ali a Londres por 30 euros. Como é compatível a sustentabilidade do planeta com o turismo que todos conhecemos, cada vez com mais intensidade e que se deseja mais e mais? Tenham vergonha, deixem-se de cimeiras e fiquem em “casa” a fazer o que devem.


as mentiras da sustentabilidade

Talvez por ter começado há muito tempo, também há muito tempo que esgotei a paciência para as mentiras da sustentabilidade. Tenham paciência mas não acredito que um grupo de criancinhas a plantar árvores seja coisa significativa pelo ambiente.  Tranquiliza a consciência do coletivo depredador. Há uns anos a ONU definiu um conjunto de objetivos para a sustentabilidade até 2030 e seguintes (ODS). Irrepreensível no papel, só no papel. Mais do que objetivos para o desenvolvimento sustentável são utopias para a sustentabilidade. A semana passada a mesma ONU divulgou uma espécie de resultados onde Portugal surge em lugar de destaque como bom aluno. Que enorme mentira, em tudo de mais elementar: intensidade energética, gestão da água, produção de resíduos etc. estamos cada vez pior, com toda a verdade. É muito preocupante que a ONU divulgue este tipo de relatórios, enganadores, que alimentam a máquina e não convidam a arrepiar caminho. Não passa de conversa e política, política que entre nós até serve para uns palermas impreparados formarem um partido com sucesso e, não sei onde, na Europa do norte, uma gaita de 17 anos se tornar leader de opinião. A coisa é de tal forma grave que ainda a semana passada o norte do país ardeu violentamente enquanto que a poucos quilómetros, em Valência, devido a enxurradas morreram pessoas e os prejuízos materiais, designadamente na agricultura, foram incalculáveis. A coisa é mesmo de emergência muito séria mas até esta palavra, emergência, perdeu sentido pela leviandade com que é usada e abusada.

Há várias formas de terrorismo, a mentira em matéria de clima e ambiente é uma, bem grave.      

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan