mudar de vida

Entre medos e dúvidas quase todos acreditam que depois da tempestade é possível, e aconselhável, ficar tudo na mesma. Parece-nos normal e natural que no centro histórico de Évora existam mais de 200 alojamentos locais para turistas? É aceitável que num só dia ocorram 225 mil voos? Já agora, uma última pergunta: para que nos interessa enterrar milhões e milhões na TAP? A conversa não vai por aí, hoje. Na verdade o que ouvimos, depois da pandemia, é voltar tudo ao mesmo. Quanto antes melhor. A equação que temos para resolver é complexa e exigiria decisões únicas e improváveis. É óbvio que isso, para já, não vai acontecer. Os donos da nossa vida, muitos a viver em Bruxelas, não querem. Vendemos a alma ao diabo e o diabo conhece-nos. Temos a vida na “nuvem” e temos andado todos muito descansados a viver no máximo. Tudo nos exige, mais produtividade e mais consumo, sem regras; crescimento. O deslumbramento pela globalização convém a muito poucos mas tolda a vista a quase todos. Agora mesmo, o teletrabalho, no meu caso dar aulas e acompanhar os alunos, virou uma loucura de pressão sobre todos, mais um “vírus” que contagia e estraga o que podia ser salutar. O que me resta? Acreditar e ter esperança que cada vez há mais pessoas que pensam pela sua cabeça e se vão inconformar com esta coisa.

“Quem pode impedir a primavera? Se as árvores se vão cobrir de flores. Quem? Se os sonhos maus do inverno dão lugar à primavera?” De um poema de Ruy Cinatti. A nossa condição de humanos exige-nos que sobrevivamos, mas,  com ética e valores.

globalização

vendemos a alma ao diabo e ele conhece-nos.

ri palhaço, chora homem, sofre cão

os guardiões da democracia alertam-nos para os perigos do estado de emergência. Pode estar em causa a “sagrada família”: direitos, liberdades e garantias.

fiquei apreensivo durante alguns dias até que descobri uma vacina que partilho com todos: DEVERES. Juntemos os deveres. Ficamos com uma mesa de quatro pés, mais estável que três, e podemos ficar democraticamente tranquilos.

deveres – direitos – liberdades – garantias

suspenso – CC

Conversas de Cestas estão suspensas.


andar

a vantagem de quem agora vive no campo, andar.

um dia, tão breve quanto possível, vamos voltar a andar: Tejo a pé.

até lá aqui fica a magnífica caminhada de fevereiro; Portugal no seu melhor:

https://www.dropbox.com/s/zhczqh6uo6yhbbt/Tejo%20a%20p%C3%A9%20em%20fevereiro%20-%20Not%C3%ADcias%20do%20Mar.pdf?dl=0

humanidade

observe a natureza e aprenda.

a humanidade precisa de mais animalidade.

a oportunidade do campo?

No passado, presente e futuro, assim será, apenas três condições essenciais motivam a Humanidade: recursos, abrigo e segurança. Tudo o resto é paisagem. Todavia, pelo modelo global que nos rege, estes três “essenciais” têm andado aparentemente esquecidos. Os limões que compramos a 2€/kg chegam-nos do Chile e viajamos para Londres a 30 €. O mais grave é que consideramos tudo isto normal e natural. Acredita nisto? Talvez valha a pena começar a desconfiar desta mentira.

Depois da campainha ter tocado em 2008 tudo ficou na mesma e agora há um estrondo, um vírus global. O que se vai passar a seguir, provavelmente, é o mesmo, nada.

Não direi que há uma oportunidade, como a Ministra da Agricultura, mas antes uma necessidade. Os recursos locais são, na verdade, os que valem. Farto-me de o escrever mas não me canso; os recursos essenciais são o solo e a água. Obviamente que isto não interessa às bolsas, às multinacionais, à banca… Baralha-se, controla-se o vírus e viva o up global, por aqui ficamos, tudo na mesma. 

E se pensássemos um pouco no up local, talvez seja uma boa ideia.

Objetivamente: fortalecer a economia local.  Como? Povoando o interior  com quem nos interessa e trabalhar para a suficiência alimentar como desígnio nacional. Bem sei que isto choca muitos dos que por aí andam como arautos do “bem”, paciência.

Em 2016 publiquei o Cancioneiro da Sustentabilidade, um livro que tem um capítulo com 50 páginas sobre este tema. Propostas e ideias não faltam, obviamente discutíveis. Por último, talvez, a proposta mais importante de todas, por si e pelos seus, pense pela sua cabeça.

simplesmente mulher

A importância da mulher é cada vez mais relevante.

Ao contrário, a atual conversa sobre igualdade de género, quotas e outras coisas tais, são cada vez mais patetas. Qual é a mulher que se prese que necessita desta conversa? Não conheço nenhuma. O tipo de mulher a que me refiro, é como os homens que merecem respeito, “impõe-se” pelas suas qualidades e competência. Nenhuma destas mulheres necessita que a defendam na posição social, profissional, ou política, porque os tempos assim mandam. Assiste-me a convicção, porque ao longo da minha vida muitas, mas muitas mulheres o provaram, que o país só tem a ganhar se mais mulheres ocuparem as posições que devem, que lhes pertencem. O resto é mais um faz de conta para alimentar um mercado que não tem grandes resultados. Na verdade, nenhuma mulher merece isto. Há alguma coisa mais discriminatória do que uma quota?

Para terminar bem cabe-me evocar o melhor das grandes mulheres com que tive o privilégio de me cruzar. Para além serem pessoas apaixonadas pelo que fazem, têm um controlo de si verdadeiramente ímpar. Estas mulheres são simples e pragmáticas, possuem um grande sentido de humor, assumem riscos e são independentes. E finalmente, muito importante, felicidade é muito mais do que ter um bom automóvel. Admiro-vos muito e quero-vos sempre por perto, a bem da minha felicidade.

a aposta na pobreza

Até parece que embirrei com Arraiolos; antes pelo contrário. Repito o que escrevi anteriormente: Arraiolos é uma terra fantástica, rica em patrimónios. Leram mal? Custa muito que não se tire partido desta riqueza e que continuemos pobres e despovoados.

O meu amigo Tito, leitor fiel do DS, sabe que na farta terra de Cascais/Oeiras a infraestrutura com maior sucesso é o passeio marítimo. Nada se lhe compara; um fantástico sucesso. Ora, por cá, a Ecopista é o mesmo. Melhor, não é mas podia ser. A Ecopista é uma fantástica infraestrutura, mas não está aproveitada. `Não, não estou a ser “má língua”. Alguma utilização, sobretudo no troço urbano e periférico, da população local é pouco, muito pouco. O potencial desta infraestrutura até Mora é enorme. Só numa terra como a nossa é que um desperdício destes é possível. Tão pouco é necessário atravessar a fronteira para ver como se faz, espreitem por favor: https://ecopistadodao.pt/. O que fazem no Dão é comparável?

Como este exemplo do Dão há mais uma dezena ou duas no nosso país. Se passarmos a fronteira, por toda a Europa, desde logo bem perto, em Espanha, França e Itália, temos imensas ciclovias que são fabulosos produtos turísticos com enorme sucesso. Já aqui o escrevi mas volto a fazê-lo: aqui ao lado, numa serra despovoada da Andaluzia há uma destas ecopistas (Via Verde de la Sierra, está tudo na net) com cerca de 36 km que é gerida profissionalmente. Esta infraestrutura, via verde, criou 35 postos de trabalho diretos. Estas infraestruturas são altamente rentáveis, pagam o investimento, a conservação e a manutenção, criam postos de trabalho diretos e atraem e retêm turistas por mais que um dia. Isto tem alguma comparação com a ecopista Évora- Arraiolos- Mora? Se passar pelo pseudoparque de autocaravanas de Évora (junto ao Aminata) verá que a grande maioria destas trazem bicicletas. Seria também um excelente negócio para Évora e arredores um parque de autoravanas com qualidade.

O que é preciso para o fazerem?

março CC

programa da Conversas de Cesta em março; uma rede informal de partilha de saberes úteis:

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan