aRRÁBIDA, proposta de extinção do ICNF

Se os dinossauros se extinguiram, a bem da natureza e do capital natural, porque não se extingue o ICNF?

Já escrevi duas ou três vezes sobre a Arrábida, falando do que acredito serem boas ideias. E agora, como se passa à prática?

Qual a agenda essencial para a Arrábida? Desde logo AGENDA.

Um. Nada de estudos e estratégias, o melhor caminho para estragar dinheiro. Agenda é ação.

Dois. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) é dos maiores cancros deste país. Não só não faz o que deve como impede que outros o façam. Todos o sabemos, não me vou perder em exemplos e justificações. Basta saber que em Portugal é mau viver num parque natural…  Como é mau esperar por alguém lúcido que acabe com o ICNF; a Área Metropolitana de Lisboa deve exigir e reclamar para si a responsabilidade e gestão da Arrábida. Só vantagens para todos, a começar pela serra. Esta óbvia transferência de competências do ICNF para câmaras municipais já se faz.

Continue reading

vai à adega e prova o vinho

Conta a lenda que num dia frio e chuvoso de inverno Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada para lhe dar, pegou na espada, cortou o manto ao meio e cobriu o mendigo com uma das partes. Mais à frente encontrou outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Martinho continuou viagem sem nada que o protegesse do frio. Diz a lenda que, nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias. Não sei onde entra aqui o vinho mas o ditado popular diz, “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.

Assim vai ser no próximo fim de semana por todo o Alentejo.

A nossa sugestão,

dia 10:

17:00, Adega do Mestre Daniel, Vila Alva, Cuba;

18:00, 125 anos do Moinho do Cú Torto, com Francisco Pimenta, Évora;

dia 11:

18:00, com a artista Maria do Céu Guerra, Sovibor, Borba.

 

Comenda Grande

Partilhar  coisas boas é o meu maior gosto. Até porque acredito que a mudança, para melhor, se faz pelo exemplo. Muitos conhecerão os excelentes vinhos da Comenda Grande. A história deste projeto de empresa vínica com apenas 16 anos,  é um exemplo local e deve constituir um orgulho nacional. Um exemplo de como uma história agrícola centenária, que se perde na memória dos tempos, se reinventou, com grande sucesso. Há muito mérito e trabalho nisso. Às vezes corremos mundo à procura de tesouros e eles estão à porta de nossa casa.

Continue reading

municípios e vinho

Quando se juntam duas coisas boas o mais provável é dar certo, municípios e vinho é um desses felizes casamentos. Como muitos sabemos o poder local, quando não dá para o torto, é do melhor que temos em Portugal, junta-se-lhe a AMPV – Associação de Municípios Portugueses do Vinho e acontecem daquelas coisas raras em Portugal. O mais curioso, pela grandiosidade do que fazem, a coisa é basicamente discreta, outra boa prova que o trabalho realizado é justo e perfeito. Vem isto a propósito da Gala do 11º aniversário da AMPV que se comemorou há dias no Cartaxo. O Centro Cultural do Cartaxo encheu para homenagear Vasco d’Avillez, distinguir personalidades e entidades com os Prémios Prestígio e também para assistir ao filme “Setembro a Vida Inteira”, de Ana Sofia Fonseca. Alguém muito distraído que tivesse assistido a esta sessão perceberia com muita facilidade porque razão o vinho é um dos sectores com mais sucesso em Portugal; tão só porque trabalha bem.

Continue reading

turismo com ciência

Apesar de alguma degradação ecológica, sempre negada pelo Ministério do Ambiente, e exagerada por ecologistas, Portugal goza de um conjunto de patrimónios únicos e de grande valor. Entre eles destaca-se o património natural, que nos dá uma enorme riqueza, não quantificada, se não ignorada. Aqui, sim, está o nosso valor distintivo até para o turismo, para além de tudo o resto, como a agricultura.  O sucesso do próprio sector vínico quase tudo deve à enorme geobiodiversidade que temos.

Vem isto a propósito da “cauda longa” aplicada ao sector do turismo. Podemos e devemos estruturar produtos turísticos que abranjam franjas do mercado de alto valor e distintivas; isto é, que outros não têm. Muito para além do lugar-comum “turismo de natureza” – onde quase tudo cabe –, devemos atender ao turismo científico. O novo Dino Parque na Lourinhã, que trouxe novamente o tema dos dinossauros para as páginas dos jornais, é um excelente exemplo. Este Parque só existe parque há em todo o litoral do Oeste, de Torres Vedras a Peniche, um património paleontológico Mesozóico ímpar. Poucos territórios no mundo têm tantas jazidas mesozoicas como o Oeste. Todavia, como sempre acontece por esta terra, este magnífico território geológico está dividido administrativamente por concelhos e, sobretudo, pela cabeça dos actores: a Lourinhã tem um excelente grupo de especialistas e Torres Vedras tem outro. É mais ou menos como no surf, cada um com a sua onda. Portugal tem, na verdade, um enorme e incomparável potencial para o turismo científico de grande valor. A própria capital, Lisboa, tem um enquadramento natural ímpar, a Reserva Natural do Estuário do Tejo é um hot spot mundial em matéria de aves. Quase no centro de Lisboa, do outro lado, em Vila Franca, há uma infraestrutura magnífica, que os outros não têm, o EVOA (Espaço de Visitação e Observação de Aves) que, absurdamente, se bate com dificuldades para sobreviver. Quantos portugueses conhecem o EVOA? Como se pode promover um recurso desta dimensão se nós próprios não o conhecemos? Os atores do turismo em Portugal conhecem o EVOA? Depois da massificação, da quantidade, é avisado diferenciar e valorizar.

Artigo completo:

https://www.dropbox.com/s/96r2wd7lbwrwoov/carlos%20cupeto%20-%20turismo%20com%20ci%C3%AAncia%20-%20Expresso%205%20maio%202018.pdf?dl=0

caminhar no estuário do Sado

caminhar no magnífico estuário do Sado e almoçar e visitar a quinta do projecto Romã é o nosso convite para domingo, dia 29.

vinho trabalha bem

 

A vantagem de andar de olhos abertos é enorme. Quando menos se espera, vemos coisas fantásticas que enriquecem a nossa existência. Um dia destes, nas recorrentes viagens que faço de um lado para outro, onde nada de relevante se espera por razões óbvias, aconteceu uma daquelas situações que valem a pena. Os meus olhos bateram na traseira de um camião TIR que ostentava uma imagem fabulosa. Por ir de olhos abertos ganhei o dia e mais alguma coisa: a enorme fotografia tinha como ponto central um caminho de terra que se perdia no infinito da planície alentejana. Acontece que o referido caminho era ladeado por vinhas, também elas infinitas. A (con)fusão da estrada em que estávamos a rolar (A6) com esta imagem foi qualquer coisa de soberbo. Tão bom como o excelente vinho que produzimos e que, como este exemplo evidencia, tão bem promovemos. Este sublime exemplo mostra-nos que é possível fazer bem mais e melhor.

Continue reading

falar de vinho ao fim da tarde

a tertúlia do vinho em Évora/Alentejo volta dia 19, 5ª feira, 18:30, no Estrela d’ Ouro.

Estrela d’ Ouro (no centro UNESCO da cidade de Évora) será o palco para “o vinho ao fim da tarde”.

O vinho ao fim da tarde,com Vanessa Scnhitzer, estudante de PhD na UÉv.

Provaremos Courela da Toure da Agrovinaz.

Depois do dia de trabalho venha passar um bom bocado, traga os seus amigos.

 

ilha do Pico

Quem tiver dúvidas que território é, antes de tudo, geologia, vá ao Pico. A verdade maior é que somos a terra onde nascemos e vivemos. Os picarotos, os naturais da ilha do Pico, são, provavelmente, pela força das circunstâncias, o melhor exemplo português desta realidade: uma existência entre o partir e ficar, a terra e o mar. Agricultores e pescadores. Homens que fizeram o milagre de tornar a rocha, sem água, terra habitável. Entre uma agricultura de resistência, onde só heróis como estes são capazes, e plantas rústicas, como a videira e a figueira, se aguentam. No principio nem um palmo de terra, esta, muito valiosa, foi “importada” em pequenas caixas do Faial. Assim nasceu a mais fantástica construção em pedra da humanidade – os currais do excelente vinho do Pico. Depois, a filoxera atirou os picarotos para a miséria, empurrou-os para o mar e tornou-os baleeiros; a ancestral arte da pesca, que põe frente a frente um animal de 50 toneladas e meia dúzia de homens numa embarcação a remos, munidos de arpões lançados à mão.

Continue reading

Amarante – terra de patrimónios

As terras de patrimónios têm um encanto especial. Por ora o termo “patrimónios” é orgulhosamente um exclusivo meu. Enquanto isto, Amarante com o seu Tâmega, convidou-me a vivê-la durante um fim de semana. Esta é uma terra de patrimónios com muito encanto. Provavelmente este é um dos segredos mais bem guardados de Portugal; encanto, beleza, cultura e tradição. Não é Porto, não é Douro, não é Minho nem Trás-os-Montes, é tudo isto.

Continue reading

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan