oportunidade

Uma das grandes certezas deste tempo é a crise rodear-nos por todo o lado. Todavia, segundo o ancestral saber grego, crise (krisis e krino) significa uma oportunidade de escolha e um convite à verdade. Escolha e verdade são pois dois caminhos incontornáveis neste tempo de incerteza, medo e, necessariamente, mudança. Mudar para quê se a “grande conversa” e vontade, mais ou menos explicita, é voltar ao “normal”. “Normal” que, como todos mais ou menos sabemos, é um somatório de enormes anormais.  Num repente, uma contingência global e aparentemente significativa leva-nos, no mínimo, a questionar alguma coisa sobre o nosso modo de vida. É normal viajar para Londres por trinta Euros? É normal uma garrafa de vinho custar menos de dois Euros? Onde está o custo trabalho do viticultor, do enólogo, da garrafa, rótulo, rolha, transporte, comercialização etc., etc. Onde fica a verdade que a crise nos exige? Talvez os donos da democracia, os juízes da moral que por aí proliferam, um dia nos digam por onde anda ela. É bom gozar alguma liberdade, quem a pode ter, mas é incontornável validá-la com a responsabilidade perante os outros. Almada Negreiros terá dito “as palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um.” Acreditamos que  o clean & safe do turismo nos vai salvar – basta por mais uns muitos milhões na TAP. Será que os juízes do “certo-errado” nos deixam acreditar em nós próprios, nos nossos recursos e na nossa capacidade para criar riqueza? A verdade, isto é, a crise, exige-nos que deixemos de assobiar para o lado, a olhar para Bruxelas e a esquecer significativas franjas do submundo português que diariamente navegam à tona da miséria para sobreviver. Milhões de portugueses reféns da pobreza à espera da caridade pública e privada. Finalmente temos a oportunidade de acreditar na nossa terra, nos nossos recursos e no mérito das nossas pessoas. Se lá fora vingam exemplarmente porque não o conseguem fazer cá? Será que há por aí uma classe dirigente decisória que não está interessada no nosso sucesso como nação? Viva o up local, a grande oportunidade para ermos mais felizes e ricos na nossa terra.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan