Árvore de Natal

Embora o Presépio e a Árvore de Natal tenham passado para um plano secundário, para muitos, felizmente, ainda têm algum significado pelo seu enorme simbolismo e não só. Por ora, parece que o que conta é quem tem o maior presépio e árvore mais alta, quiçá com mais luzes.

Cada vez mais admiro as árvores. Num tempo em que a tecnologia avança a um ritmo mais rápido que a própria mentalidade do homem, mas que nada resolve do essencial, a árvore converte-se num ponto de referência indispensável. As suas qualidades – imobilidade, estabilidade, neutralidade e equanimidade, assim como a sabedoria do seu ritmo – dão-lhes um especial valor como amigas e conselheiras. Repare-se no comportamento das árvores face às estações do ano, uma enorme sabedoria.

A semana passada caminhei, com o grupo “Tejo a pé”, por Monsanto (Lisboa). As árvores ajudam muito a restabelecer o diálogo correto entre o ser humano e a natureza.

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vindima

Nos nossos campos é agora o tempo da vindima. O fim, ou início, de um ano trabalho; como alguém disse um dia “um ano inteiro à espera dela e um mês à espera que ela acabe”, tal não é a intensidade de trabalho da colheita e trabalho da uva na adega.

Vem isto a propósito de um recente artigo onde li “se as vinhas dessem dinheiro não havia tanto terreno abandonado”. Parece que há algo contraditório. Tudo o resto me diz o contrário. Mais, tenho a convicção que o vinho é um dos setores em que o nosso país se pode orgulhar e seguir o exemplo: empresariou-se e modernizou-se. Mas não, ambas as visões são bem verdadeiras. Por um lado há um país, autêntico, rural, próximo, que tende a desaparecer, sem escala competitiva num modelo global, e por outro, há o sector do vinho bem organizado e estruturado. O país próximo que alguns ainda vivem é bem expresso no texto do O Mirante, onde se lê “pela generosidade do Ribatejo mesmo nos dias mais tristes”. Abençoados homens e mulheres que cuidam da vinha para os 200 litros de vinho que garantem o consumo doméstico para o ano, “porque bebo pouco”.

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a europa e o nosso campo

Cork é uma média cidade no litoral do sul da Irlanda, com cerca de 130 mil pessoas. Nunca lá estive mas deve viver-se bem em Cork. Vem isto a propósito desta cidade ter acolhido em 1996 e 2016 (5 e 6 de setembro) uma “Conferência europeia sobre o desenvolvimento rural” promovida por Phil Hogan, Comissário Europeu para a Agricultura e Desenvolvimento Rural. Seria interessante comparar as conclusões de 96 com as de 2016 e, sobretudo, avaliar resultados após 20 anos de trabalho – desde 96 até hoje. Não vamos por aí, pois a conclusão fundamental é bem conhecida de nós, portugueses: “aos costumes disse nada”. Afinal não somos assim tão diferentes dos povos mais a norte.

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Pucariça (Aldeia do Mato – Abrantes)

Em boa hora nas minhas férias de excelência pelo Zêzere-Tejo passei e fiquei um tempo pela Pucariça.  Desde logo porque fui encontrar o casal Kau e Cláudia meus queridos ex-alunos de há muitos anos e amigos. As “coincidências” pregam-nos partidas, quase sempre boas como esta.

Na Pucariça conheci a TerradÁgua, as palavras certas são difíceis e provavelmente sempre escassas e redutoras. Muito agradeço à Marina e ao Tó Zé o provarem, na prática o que sintetizo na expressão UP LOCAL; na verdade o up local é uma realidade.

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pós-férias

Durante alguns anos tive responsabilidades públicas nos rios do Tejo, estudar, autorizar, licenciar. Sempre que possível, indiscutivelmente sempre que necessário, saí da secretária e estive no local; muito poucas foram as semanas que fiquei em Lisboa. Todavia, depois das férias deste ano, confesso-vos que não conhecia suficientemente a realidade; isto não significa que o serviço, no caso a ARH do Tejo I.P., não cumprisse a função: usar e valorizar a água.  Felizmente, desde a Guarda até Lisboa,  a equipa da ARH integrava técnicos locais de enorme valor e conhecimento que sempre apoiavam a tomada da melhor decisão  pelo bem público e interesse dos utilizadores, quase sempre conciliáveis.
Durante uma semana andei, no sentido literal do termo, a melhor forma de conhecer uma região, pelas bacias do Tejo e Zêzere, pelos pequenos e únicos rios destas grandes bacias hidrográficas.

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cancioneiro da sustentabilidade

riqueza local

Depois de dois exemplos do Portugal bom, sobre os quais escrevi nas semanas anteriores, eis um terceiro que merece ser partilhado.

O Portugal de baixa densidade (despovoado) tem recursos ignorados. Fátima Saraiva, em Penela, leva por diante um projeto de empreendedorismo social que contraria a pobreza.  Surge a marca DAQUI.

Aceda aos  excelentes biscoitos artesanais de Penela:

https://docs.google.com/forms/d/1roWYwJfxsoflIfwdqBxWvgdCvYxRilyue23tSLNN3AM/viewform

Artigo completo em o O Mirante:

http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=54&id=85640&idSeccao=543&Action=noticia#.VijNmrmFPIU

Mais informação:

http://idei-a.blogspot.pt/2015/11/dar-uma-nova-vida-ao-mundo-rural.html#more

 

 

 

 

 

trabalhar a terra

“Assustei-me” quando num daqueles supermercados de todas as terras peguei numas maças a 1€/kg com origem no Brasil. Assim que dei conta devolvi as maçãs ao expositor. Como é possível? Que contas são estas? A quantidade de absurdos que está por detrás deste custo é inaceitável. Será que só é crime assaltar um banco? O que irá acontecer, e quando, para repor a verdade e normalidade neste modelo global do mercado?

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floresta de oportunidades

Muito oportunamente, Oleiros marcou um dia para tratar da floresta, o mais importante recurso natural local. À parte a importância da floresta, o mais relevante foi elevar os recursos locais. Na verdade, o que Oleiros é, foi ou será tem tudo a ver com a floresta.

É importante que cada terra assuma a sua identidade e singularidade e faça delas a mais-valia distintiva, como Oleiros tenta fazer. Provavelmente, o melhor caminho é inovar a tradição, isto é, pegar no que hoje se sabe, na tecnologia existente, incomparavelmente superior, e usá-la na valorização e inovação da tradição. O muito passado traduz-se assim na garantia de um futuro sustentável e atrativo para as novas gerações. Os recursos locais, em toda a sua dimensão, são sempre passíveis de garantir a sustentabilidade e prosperidade locais, é incontornável, assim os saibamos usar e gerir.

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solo

A par da água, o solo é o recurso natural mais importante de um país.

Ninguém de bom senso ignora que a promoção de uma gestão sustentável do solo é essencial para o sistema produtivo de alimentos, melhoria e subsistência dos ecossistemas e modos de vida rurais e para um ambiente saudável.

Pela sua grande importância a ONU, através da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), declarou 2015 como o Ano Internacional dos Solos. Em boa hora o fez. Com esta iniciativa, a FAO quer trazer para a ordem do dia o que se pode sintetizar na frase “A vida na Terra depende da sustentabilidade dos solos”. Na verdade, seja qual for o ângulo de análise, este tema do solo leva-nos à grande relevância da sua importância. Agricultura, segurança alimentar e biodiversidade são alguns dos temas que justificam esta relevância.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan