à beira mar plantados

era uma vez um povo que vivia num jardim à beira mar plantado.     brando clima, brandos costumes.                                                                       vida fácil, tudo a ajudar, até a história.                                                                até que num repente, no meio da floresta de iguais, surge um lobo mau, Sócrates.                                                                                                                                   contrariamente a que este povo pensa essa criatura não está só, tem muitos, mas muitos seguidores, e, muito importante: não surge do nada. pensavam que tudo se resumia a Sócrates?                                                                                                                         santa ingenuidade a deste povo; povo de onde emanam estas criaturas.   a candura imaculada deste Constâncio nunca inspirou confiança. tantos, mas tantos, iguais aí no ativo. Na verdade estes lobos, tipo Capuchinho Vermelho (Constâncio), são os mais perigosos.

pobreza

esta é uma micro estória de pobreza em que os portugueses aposta e, em particular, os alentejanos acreditam:

” ALENTEJO O Bloco de Esquerda está contra a prospeção de ouro e outros minerais nos concelhos de Évora, Montemor-o-Novo e Vendas Novas.”

estrada e condutor

fernando guerreiro

tempo

muito para além de algo que vai passando,

o tempo vive comigo todas as possibilidades infinitas do Universo em expansão,

este tempo em que acredito liberta-me de todas as amarras.

peça de arte na garagem

quem disse o que é a arte?

a arte também está na garagem.

esta arte tem um motor e duas rodas, quase monocromática: o preto e os cromados.

saiu da garagem e transmitiu arte.

segredou arte aos artistas.

levou os artistas por paisagens nunca vistas; por terras onde por estes dias já choveu.

quem disse que a arte só está nos museus, galerias e outras tais?

escritores

um escritor disse que ė fácil escrever:

“Comece com maiúscula, coloque as ideias no meio e termine com o ponto final”.

Tudo justo e perfeito.

ensino numa universidade há mais de 30 anos, tenho a carteira profissional de jornalista, escrevo em revistas e jornais, tenho centenas de artigos publicados e alguns livros (vaidade à parte).

Lamento mas o que quero com a MINHA escrita é, só, que me COMPREENDAM, mesmo que as ideias, sempre boas, estejam no fin(almente).

“a viagem mais improvável”

entrei na livraria Fonte de Letras em stress, entre o infinito do instante e o lapso da eternidade. Peguei num livro de capa dura, a viagem mais improvável (de Walter Avarez), e larguei-o. Pensei, mais um, tenho tantos em casa que não abri…

Graças a ti, Rui, leio agora esta maravilhosa viagem que fala em estratificação entrecruzada para nos contar a Grande História – cosmos, terra, vida, humanidade.

Por si leia-o.

micro contos

uma amiga especial, do coração, a Margarida, infectou-me com os micro contos.

obrigado.

hoje no otros mundos nasce uma nova categoria:

micro estórias.

Direcção

Todos diziam que o caminho não era por ali.

Mesmo assim ele foi.

E, afinal, era.

(Fernando Guerreiro, in: ficou tanto por dizer)

 

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan