saúde e interior

Como assumido convicto do valor do interior tudo me conduz ao up local, em oposição ao modelo que nos trouxe até aqui: globalização – produzir, consumir e crescer, o tal ciclo diabólico.

Acredito convictamente na vida local porque tudo o essencial à vida, como os recursos indispensáveis (solo e água), são locais. Entretanto, este país é inundado por estudos e estratégias para tudo o que se possa imaginar e que só servem para produzir papel e nos distanciar do importante, da vida. O interior, aquela coisa pobre, cinzenta e velha, até teve direito a uma Unidade de Missão que entretanto, como sempre, se esfumou sem deixar rasto. Agora mesmo, com o Dr. Ceia da Silva, o Presidente da CCDR – Alentejo “democraticamente” eleito, é que vai ser: vamos tornar esta região colorida, rica e jovem. As oportunidades não vão faltar e casais jovens, portugueses e estrangeiros, sem filhos, vão-se acotovelar para viver e trabalhar no interior. Sem filhos porque, entretanto, algumas más línguas, dizem que a “pediatria retrocedeu em Évora”. Como povoamos com jovens uma região que não responde satisfatoriamente nos cuidados pediátricos? E no resto da saúde, será que estamos bem? Tenho a certeza que o “competentíssimo” Concelho de Administração do Hospital do Espírito Santo de Évora e Administração Regional de Saúde respondem com um inequívoco sim. Esta miséria governativa vai-se perpetuando e consolidando aos mais variados níveis. Trata-se de uma enorme classe inútil e incompetente que assaltou os lugares de decisão e gestão e se protege e sustenta com todas as armas que tem sem olhar a meios e processos. Enquanto isto, idosos doentes aguardam em filas à porta dos centros de saúde, e o número de óbitos dispara; para compensar somos inundados por uma agressiva campanha de marketing para a vacina da gripe que não está nas farmácias.

Até quando este povo assobia para lado? Depois queixem-se dos populismos.

corrupção e justiça

No que respeita à corrupção e justiça o António Barreto no Público de 27 de setembro escreve assim:

“os principais responsáveis pela política e pela justiça querem que as coisas fiquem como estão, pois é o que lhes interessa e dá vantagens.”

quem são estes responsáveis políticos? O Costa, Marcelo, geringonça (Jerónimo e Catarina), Ferro Rodrigues, Rio, etc.? Se não são estes quem pode ser?

É bem verdade que é a estes a quem mais interessa a pobreza e a miséria, asseguradas pela corrupção e inexistência de justiça. Só assim, com um povo sem voz,  é que os medíocres conseguem governar.

medo

Neste tempo de grandes incertezas e desafios o medo é a maior das verdades. Acontece que o medo é, também, o maior dos vírus. Se o corona é mau o que diremos do medo? Desde os primórdios dos tempos até hoje o medo acompanhou o Homem, é o seu maior obstáculo. Temos muito medo do desconhecido, assim é desde o tempo das cavernas. É por isto que gostamos de tudo o que nos contam sobre o “bicho” que condiciona a nossa vida essencialmente pelo medo. Devoramos milhares de estudos, muitas vezes contraditórios, com avidez, quase como uma primeira necessidade. A maioria das vezes o efeito é contraditório e ficamos ainda mais distantes da verdade, quiçá com mais medo, mesmo que escondido. É neste caldo que os ridículos proliferam como nunca e, às vezes, até os aceitamos como bons: visitar uma igreja no centro histórico de Évora que ostenta o Clean & Safe é muito mais seguro do que se não tivesse lá o pateta autocolante. Gastam o dinheiro dos nossos impostos com estes folclores e depois falta para a saúde, educação, justiça e cultura. Será que um hotel antes de ter este autocolante na porta não era suficientemente limpo, higiénico e sanitariamente seguro? Esta coisa barra a entrada do bicho no hotel? O mais ridículo de todos os Clean & Safe vi-o num tuk-tuk, lindo, para sustentar a minha razão.

Entretanto “vamos ficar todos bem”, “ninguém pode ficar para trás” e inúmeras versões de “os ricos que paguem a crise”. É este o quadro de manipulação, de um povo cada vez menos livre, onde o medo gosta de viver e crescer. “Viva” a dependência do Estado, do subsídio, das boas medidas do governo.  Na verdade, o vírus não é nada democrático e, há cada vez mais vizinhos mais pobres. Todos nós estamos mais pobres.

Nunca como agora necessitamos tanto de verdade, pela nossa própria cabeça e vontade. Vamos perder esta oportunidade? Tudo nos diz que sim.

oportunidade

Uma das grandes certezas deste tempo é a crise rodear-nos por todo o lado. Todavia, segundo o ancestral saber grego, crise (krisis e krino) significa uma oportunidade de escolha e um convite à verdade. Escolha e verdade são pois dois caminhos incontornáveis neste tempo de incerteza, medo e, necessariamente, mudança. Mudar para quê se a “grande conversa” e vontade, mais ou menos explicita, é voltar ao “normal”. “Normal” que, como todos mais ou menos sabemos, é um somatório de enormes anormais.  Num repente, uma contingência global e aparentemente significativa leva-nos, no mínimo, a questionar alguma coisa sobre o nosso modo de vida. É normal viajar para Londres por trinta Euros? É normal uma garrafa de vinho custar menos de dois Euros? Onde está o custo trabalho do viticultor, do enólogo, da garrafa, rótulo, rolha, transporte, comercialização etc., etc. Onde fica a verdade que a crise nos exige? Talvez os donos da democracia, os juízes da moral que por aí proliferam, um dia nos digam por onde anda ela. É bom gozar alguma liberdade, quem a pode ter, mas é incontornável validá-la com a responsabilidade perante os outros. Almada Negreiros terá dito “as palavras dançam nos olhos das pessoas conforme o palco dos olhos de cada um.” Acreditamos que  o clean & safe do turismo nos vai salvar – basta por mais uns muitos milhões na TAP. Será que os juízes do “certo-errado” nos deixam acreditar em nós próprios, nos nossos recursos e na nossa capacidade para criar riqueza? A verdade, isto é, a crise, exige-nos que deixemos de assobiar para o lado, a olhar para Bruxelas e a esquecer significativas franjas do submundo português que diariamente navegam à tona da miséria para sobreviver. Milhões de portugueses reféns da pobreza à espera da caridade pública e privada. Finalmente temos a oportunidade de acreditar na nossa terra, nos nossos recursos e no mérito das nossas pessoas. Se lá fora vingam exemplarmente porque não o conseguem fazer cá? Será que há por aí uma classe dirigente decisória que não está interessada no nosso sucesso como nação? Viva o up local, a grande oportunidade para ermos mais felizes e ricos na nossa terra.

mudar de atitude

Mesmo que a maioria olhe para o lado e o negue, o medo domina a nossa vida, muito mais do que o miserável vírus. O medo leva-nos ao instinto de segurança. Para além de segurança há apenas, e só, mais duas palavras essenciais para nós; recursos e abrigo. Sempre assim foi e será. Todos temos de garantir os recursos mínimos de sobrevivência, água, energia e alimentos no topo, e, um abrigo confortável (e seguro), se possível com jardim, piscina e grande garagem…, o sonho mais pateta deste modo de vida. Com os países é igual. Por cá, confiamos tudo isto, o mais essencial, ao Costa, Jerónimo e Catarina, o Professor Marcelo sustenta e o Rio empurra. A maioria dos portugueses estão descansados. Outros, um número (milhões) cada vez mais significativo, que vive no submundo da pobreza, diariamente não pensa além de conseguir algum alimento, o mais provável pela caridade do todo poderoso e “protetor” Estado e de particulares. Uma ínfima minoria como tem inquieta-se. Enquanto isto, os nossos guardiões, em cima citados, fazem-nos acreditar que os amigos europeus existem para nos salvar, sempre que pedinchamos ajuda. Acreditamos nisto, somos um povo pobre, profundamente inculto e muito fácil de governar. O habitual é esbanjar recursos e entornar dinheiro em cima dos problemas sem nada resolver. Gostamos do faz de conta. Pouco do essencial é feito, isso implicaria muita verdade e mudança profunda de atitude, aquela pequena coisa que faz toda a diferença. Assumir o nosso destino na nossa mão é coisa que nem nos passa pela cabeça; para quê a suficiência alimentar se os outros produzem muito mais barato e tudo nos cá chega já embalado e pronto a consumir? Basicamente vivemos de estratégia em estratégia à beira mar plantados. Há dias, quatro ilustres professoras amigas juntaram-se e escreveram mais uma estratégia para a nossa salvação (www.2030.pt). Isto sim, é o que nós gostamos, estratégias e planos, uns atrás dos outros.

Ri palhaço, chora homem, sofre cão.

Como saímos deste beco?

democracia socialista

ao fim de quase 50 anos de democracia o socialismo chegou aqui.

avante kamarada, o povo é quem mais ordena.

miserável povo que aceita esta ditadura.

https://www.publico.pt/2020/09/02/politica/noticia/ps-escolhe-jose-apolinario-comissao-coordenacao-algarve-1929993

o futuro do passado

O “futuro do passado” não é meu mas ajusta-se perfeitamente aos infinitos ridículos mentirosos a que vamos assistindo no presente. Nunca como agora é essencial pensarmos pelas nossas cabeças. Leitor, por si e pelos seus mais queridos, por favor, pense pela sua cabeça. Na verdade “não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos”(Anais Nin, 1903-1977, escritora francesa). Neste tempo de crise, isto é, de oportunidade, segundo a ancestral língua e saber grego, o essencial é um apelo à verdade. Poucos ou nenhuns estão interessados em esquerda-direita, queremos é viver em segurança. A minoria, muito minoria, privilegiada, que vive da politica, sim, esses esses sim interessam-se pelas aparentes questões “esquerda-direita”. Segurança é a palavra mais importante. E deixem-se de mentiras democráticas tipo “vamos ficar todos bem”, “ninguém pode ficar para trás”. Democracia é a última palavra que este vírus conhece; não querem? Paciência, é assim. Os arautos da democracia, juízes da santíssima trindade, direitos, garantias e liberdades, não se questionam? Uma miragem mentirosa e conveniente para nos manipularem. Talvez fosse uma boa oportunidade para lhes explicar o excelente momento para começarmos a assumir os deveres. Será que eles têm deveres? Onde fica a verdade que a crise nos exige?  É bom gozar a liberdade, quem a pode ter, mas é incontornável validá-la com a responsabilidade perante os outros. Será que os juízes do “certo-errado” (esquerda – direita) nos deixam acreditar em nós próprios, nos nossos recursos e na nossa capacidade para criar riqueza? A verdade, isto é, a crise, exige-nos que deixemos de assobiar para o lado, a olhar para Bruxelas e a esquecer significativas franjas do submundo português que diariamente navegam à tona da miséria para sobreviver. São milhões os portugueses reféns da pobreza à espera da caridade pública e privada. Com ou sem mala de cartão, cada vez mais distantes da sua terra, os melhores partiram. Não nos interrogamos? Dizem-nos que foi a troika e dormimos todos bem? Que raio de fatalismo é este que nos obriga a ser pobres? Sem estudos, estratégias e consultores, que já nada acrescentam e só servem para entornar muitos milhões em cima dos problemas, uma boa verdade seria escolher sermos remediados e felizes na terra onde nascemos e que amamos, honrando a cultura e os saberes dos nossos antepassados. Pode ser?

descentralização

esta é vergonha de democracia e valores a que chegámos; só não vê quem não quer.
(Público, 8 agosto 2020)

Ventura & BoaVentura

https://www.publico.pt/2020/07/11/politica/opiniao/higienizacao-academica-racismo-fascismo-chega-1923953

sim, somos todos racistas e outras coisas muito piores se não pensamos como eles.

estes Srs. “juízes da moral e da democracia” é que sabem da poda e nos dizem o que é “bom e mau”.

entre o Ventura e Boaventura Sousa Santos (das coisas mais sinistras que por aí anda) venha o diabo e escolha – posso ter esta opinião?

miséria

in: Público, 9 jul 2020

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan