évora no seu pior

Há muito que tenho a profunda convicção que, para alguns, governar na pobreza é uma opção estratégica de sobrevivência. Em Évora, com umas duas décadas de atraso como mínimo, o atual executivo anunciou, no início do seu primeiro mandato, que Évora iria ter um parque de autocaravanas. Mal e porcamente, cerca de 5 anos depois, surgiram, junto à piscina do AMINATA, umas placas de parque de estacionamento a anunciar a coisa. Esta coisa começou mal, continuou muito mal e não pode ficar bem. Não pode ficar bem porque, na verdade, a opção não é fazer desta terra uma terra rica. Ao atraso de 20 anos, seguiu-se uma embrulhada com o convívio entre “povos nómadas”, ciganos e auto-caravanistas.

Como estes tempos andam patetas, impõe-se uma nota: quem me conhece sabe que sou admirador do povo e cultura cigana, a questão fundamental não foi essa. Estamos agora na fase de um “parque de autocaravanas” que apenas tem o nome… Quem passa pela zona ao final do dia, ou de manhã, compreende que a coisa tem muito potencial. Por isso incomoda muito que Évora não tenha um parque de autocaravanas com qualidade distintiva para uma grande lotação, 100? Este parque, fortemente arborizado, e com várias infraestruturas de apoio, convidaria esta, cada vez mais, significativa tribo, não só a pernoitar em Évora mas a permanecer por cá mais tempo. Já agora a coisa devia existir também para camionistas e motociclistas, com as suas especificidades e óbvia separação física. Pode haver esperança?

verdade


As perguntas fundamentais e verdadeiras: 
temos dinheiro para pagar o Estado que temos?
ou, mais exatamente, temos dinheiro para pagar o Estado de que precisamos?
ou, indo mais longe, temos dinheiro para pagar o Estado que, por comparação com a Europa, achamos que devíamos ter?
a resposta a estas três perguntas é não.
(Vasco Pulido Valente)
faço eu a última pergunta: o que fazer?


roteiro do Alentejo

O governo regional, isto é a CCDR – Alentejo, promoveu uma conferência a que chamou Roteiro para o Alentejo; uma terra “mais competitiva e garantidamente sustentável.” Não pude assistir mas tive muita pena essencialmente pela oportunidade perdida de ver e ouvir o amigo e colega Carlos Zorrinho, que muito estimo. Há muitos anos que não ouço o Carlos Zorrinho, que, por prémio ou castigo, pegou na mala e foi para Bruxelas. O Zorrinho navegou algumas ondas que há época me diziam alguma coisa, designadamente a treta do desenvolvimento sustentável.

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país avariado

Suspeito que este país do faz de conta precisa de urgente arranjo. Estou enganado? Antes estivesse. Não passa dia que não depare com fartas evidências de que a tal crise ainda por aí anda e bem presente. Enganam-nos como querem e lhes apetece até ao momento que necessitamos de ir ao hospital, de viajar de comboio, de recorrer à justiça… Falar em eficiência energética, descarbonização, luta contra as alterações climáticas, aposta nos transportes públicos, economia circular, ciclovias, etc., etc., como faz com muita facilidade o Primeiro Ministro, ainda por cima com um subjacente e cínico sorriso, é fácil. Depois encalhamos num país miseravelmente produtivo que necessita de 2,5 vezes o seu território para gerar a nossa pobre riqueza, é mau demais.

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democracia avariada

esta democracia, muitas vezes, do faz de conta precisa de urgente arranjo.

a par dos referendos está a idolatrada “consulta pública” que Bruxelas e os nossos políticos tanto amam e só serve para gastar dinheiro: milhões, muitos milhões.

e porque amam os políticos estas tretas pseudo-democráticas?

tão só porque:

– manipulam os resultados;

– desresponsabilizam-se.

o “nosso” Carlos Moedas é um fã.

por MEC:

https://www.publico.pt/2018/12/17/mundo/opiniao/certeza-1854949?utm

inteligente & estúpido

estrada e condutor

fernando guerreiro

a dor de cabeça do clima…

a ajudar à festa, isto é, o beco sem saída em que nos encontramos, há os ambientalistas salvadores.

este texto do professor Francisco Ferreira, presidente da Zero, é lindo:

https://www.publico.pt/2018/12/07/sociedade/opiniao/politicos-decidir-maior-ambicao-rapidez-medidas-justica-climatica-1853916

a zero é um excelente exemplo de como a coisa anda e chega até aqui.
durante anos participa na “paródia” das cimeiras e aplaude-as.
quando os resultados são catastróficos, ótimo, “vamos aproveitar para subir ao palco que tanto gostamos para gritar que é preciso mudar.”
é um jogo com as regras em que a zero (que nome tão feliz), as irmãs (zangadas – querqus – ou não) e as primas sempre ganham.

a Zero é mesmo zero e o resultado está à vista.

o nosso futuro…

o presidente do Instituto Superior Técnico escreve hoje no Público sobre a sustentabilidade da Terra.

o presidente do IST é um cientista e tem muito mais responsabilidade, no que pensa e escreve, do que qualquer um.

escreveu isto:

https://www.publico.pt/2018/12/07/ciencia/opiniao/ciencia-tecnologia-futuro-planeta-1853729#comments

comentei a assim:

está no seu papel, sr professor.

o presidente do ist não pode escrever coisa diferente (?)

todavia, por muito que se esforce qualquer tonto que olhe um bocadinho à sua volta, até ler o Público, tira-lhe a razão.

o sr professor acredita mesmo que mais e mais tecnologia resolve a coisa?

peço-lhe que leia: dez mil milhões – enfrentando o nosso futuro, de Stephen Emmott, um cientista seu colega.

depois da leitura, pf, volte a escrever sobre o tema.

interior miserável

Ao interior miserável junta-se agora a miséria da fronteira.

Mentira e mentira.

Provavelmente a mais vergonhosa fake news que por aí anda.

Tenho profunda convicção do contrário, com risco de me tornar arrogante. Não me convencem do interior pobre.

Tenho muita curiosidade em saber se a mentira que nos impingem é por ignorância ou se é intencional? Agora, como se a maldição cinzenta do interior não nos chegasse, junta-se o fatalismo da fronteira, como terra de ninguém, até agora, esquecida. A coisa é tanto mais grave quanto a responsabilidade de quem o apregoa.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan