estrada e condutor

fernando guerreiro

a dor de cabeça do clima…

a ajudar à festa, isto é, o beco sem saída em que nos encontramos, há os ambientalistas salvadores.

este texto do professor Francisco Ferreira, presidente da Zero, é lindo:

https://www.publico.pt/2018/12/07/sociedade/opiniao/politicos-decidir-maior-ambicao-rapidez-medidas-justica-climatica-1853916

a zero é um excelente exemplo de como a coisa anda e chega até aqui.
durante anos participa na “paródia” das cimeiras e aplaude-as.
quando os resultados são catastróficos, ótimo, “vamos aproveitar para subir ao palco que tanto gostamos para gritar que é preciso mudar.”
é um jogo com as regras em que a zero (que nome tão feliz), as irmãs (zangadas – querqus – ou não) e as primas sempre ganham.

a Zero é mesmo zero e o resultado está à vista.

o nosso futuro…

o presidente do Instituto Superior Técnico escreve hoje no Público sobre a sustentabilidade da Terra.

o presidente do IST é um cientista e tem muito mais responsabilidade, no que pensa e escreve, do que qualquer um.

escreveu isto:

https://www.publico.pt/2018/12/07/ciencia/opiniao/ciencia-tecnologia-futuro-planeta-1853729#comments

comentei a assim:

está no seu papel, sr professor.

o presidente do ist não pode escrever coisa diferente (?)

todavia, por muito que se esforce qualquer tonto que olhe um bocadinho à sua volta, até ler o Público, tira-lhe a razão.

o sr professor acredita mesmo que mais e mais tecnologia resolve a coisa?

peço-lhe que leia: dez mil milhões – enfrentando o nosso futuro, de Stephen Emmott, um cientista seu colega.

depois da leitura, pf, volte a escrever sobre o tema.

interior miserável

Ao interior miserável junta-se agora a miséria da fronteira.

Mentira e mentira.

Provavelmente a mais vergonhosa fake news que por aí anda.

Tenho profunda convicção do contrário, com risco de me tornar arrogante. Não me convencem do interior pobre.

Tenho muita curiosidade em saber se a mentira que nos impingem é por ignorância ou se é intencional? Agora, como se a maldição cinzenta do interior não nos chegasse, junta-se o fatalismo da fronteira, como terra de ninguém, até agora, esquecida. A coisa é tanto mais grave quanto a responsabilidade de quem o apregoa.

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as virtudes e valores do interior

as enormes virtudes e valores do interior são culturalmente transformadas em miséria, abandono e etc.

o “interiorismo” é um tema muito querido a otros mundos, acredito profunda e convictamente no inverso da história que nos contam. Esta história assenta, essencialmente, na ignorância. O interior despovoado e miserável (esta palavra é minha; a que melhor retrata tudo  que se diz e escreve sobre o interior) é a maior e mais perigosa das fake news.

a coisa é tanto mais grave quanto a responsabilidade de quem o apregoa.

no P2 de 25 de novembro Álvaro Domingos é um excelente exemplo, leiam e pensem:

https://www.dropbox.com/s/mcsmpdsndo0i9jx/%C3%A1lvaro%20domingues%20e%20o%20interior%20P2%20Porto-20181125-pages-18-19.pdf?dl=0

As desgraças de Álvaro Domingues, no P2 de domingo, 25 de novembro,  são as piores fakes news do chorrilho que por aí se diz e conta. Consegue bater a Joana Amaral Dias na CMTV. Sabemos que o geógrafo tem uma boa máquina fotográfica e tempo para percorrer o país. No P2 conta-nos a história que já todos sabemos, a desgraça do interior. Quase que nos consegue enganar quando nos induz a pensar que o problema da “geografia emocional do interior” (as coisas que ele discorre!) é a falta de Euros… De essencial nada, de novo o habitual e de contributos para resolver a coisa o mesmo de sempre, ainda menos. A esta equação chamada Álvaro Domingues, geógrafo professor numa prestigiada universidade, exige-se bastante mais. Já nos chega Borba de que Álvaro nada percebe, como sempre “aos costumes disse nada”.  Pobre país este que está sujeito a tanta desgraça.

estrada de Borba

Como o sabedor povo diz, “uma desgraça nunca vem só”. Depois da desgraça da charmosa, real, e ancestral estrada de Borba,  outras desgraças, igualmente graves, sucedem-se. Este país, lamentavelmente para todos nós, assemelha-se, cada vez mais, a uma desgraça. O que mais se lamenta é que temos tudo para ser o contrário, um país fantástico onde seria muito bom viver.

A estrada chamada Portugal:

https://www.dropbox.com/s/chvrqlz3683spjk/estrada%20Portugal%20-%20Set-DR%2023%20nov%2018.pdf?dl=0

A desgraça total:

https://www.dropbox.com/s/4uqt28bznksufif/geologia%20%26%20estrada%20de%20Borba%20%20DS_2018_11_30-pages-4.pdf?dl=0

Sic Notícias, Expresso da Meia Noite, quando o Estado falha:

https://sicnoticias.sapo.pt/programas/expressodameianoite/2018-11-24-Quando-o-Estado-falha

rota das tapas em Évora

Há umas semanas aconteceu em Évora, como noutras cidades, a Rota das Tapas (RT). Os dias eram bem maiores e a temperatura convidava. A coisa não se devia chamar assim mas antes “rota do vinho e petisco”. Como a iniciativa é de uma marca de cerveja espanhola que remédio temos nós senão aceitar a RT. Quer Évora goste ou não, adira ou não, a RT acontece há uma série de anos por uma única razão, tem sucesso. Experimentei em Lisboa há uns anos nas duas primeiras edições. Este ano experimentei em Évora. Já que mais não fosse valeu muito a pena porque encontrei e abracei o Manuel Piçarra que já não via há algum tempo. De resto Évora igual a si própria: entre o melhor e pior.

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autoestrada e comboio

Na semana passada, no dia em escrevi sobre a autoestrada estúpida aconteceu um grave acidente na Estrada Nacional nº 4 junto a Vila Boim- Terrugem. Um jornal nacional noticiou e publicou a fotografia de um camião de grandes dimensões que se despistou, felizmente para o talude da estrada. Hoje volto ao tema porque a estupidez é tão grande que não se esgota e merece ser insistentemente gritada.

 

 

Espanta-me muito que a partidarice local/regional não clame por tão justa causa: “portagens a custo que possibilite a criação de riqueza”. Numa linguagem bem mais comum à esquerda do nosso contentamento: “o povoamento do Alentejo e a criação de emprego”, o PCP não diria melhor. Como é que as Comunidades Intermunicipais cá da terra estão quietas e caladas? Como é que a Sra Presidente de Montemor aceita que a sua terra seja esventrada e devassada, com elevadíssimo risco, com um tráfego que nada tem a ver com Montemor? O mesmo Vendas Novas? Será que a estupidez gera estupidez e que, supostamente a hipotética defesa do negócio das bifanas, ou das empadas, justifica tal aberração?

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“…portugueses, somos óptimos.”

uma pedrada no charco?

entrevista de Vasco Pulido Valente ao Público:

https://www.publico.pt/2018/10/21/politica/entrevista/portugueses-optimos-1848215

autoestradas estúpidas

Uma manhã destas percorri a Estrada Nacional nº 4 nos seus escassos 10 quilómetros entre Estremoz e Borba, contei 32 camiões de transporte internacional. Também vi muitos tratores da vindima para além do transito ligeiro particular e comercial e muitos turistas que no início de outubro ainda viajam por estas paragens, vindos da ou para a fronteira. Ao lado a autoestrada está deserta. Esta e as outras autoestradas são grande parte da razão da nossa enorme dívida.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan