atitude

a atitude é uma pequena coisa que faz a grande diferença. A atitude é um dos nossos maiores recursos:

  • renovável;
  • infinito;
  • melhoria permanente e infinita.

No O Mirante:

https://www.dropbox.com/s/13axgkwu1b0c7o2/atitude%20-%20carlos%20cupeto%20-%2013-07-2017.pdf?dl=0

 

bola de berlim na praia

só um estúpido, muito estúpido, é contra a tecnologia digital; e só um parvo, muito parvo, considera uma app que numa praia chama o vendedor de bolas de berlim uma excelente inovação, muito útil para o cidadão comum.

ri palhaço, chora homem, sofre cão.

Vontade inadiável de comer uma bola de Berlim na praia? Há uma app para isso

este é um excelente exemplo que bem justifica o ponto onde estamos em termos civilizacionais: um Mundo onde há cada vez mais pobres que não têm água nem alimentos.

enquanto o nosso verão vai ser muito melhor nas praias, na China há uma nova profissão – o polinizador. Como exterminaram com os insectos polinizadores agora há o chinês polinizador, não sabemos se com alguma app, eventualmente de uma startup portuguesa, mas sim com um pincel a recolher pólen de uma flor para o depositar noutra.

http://consorcioapicola.cl/2012/10/10/china-disminucion-de-la-poblacion-de-abejas-obliga-agricultores-a-polinizar-a-mano/

http://www.fenatracoop.com.br/site/em-sichuan-china-homens-abelhas-polinizam-os-pomares-com-as-maos/

como se vê estamos mesmo no bom caminho.

“em que pensa o porco?

só em bolota.”

 

 

àgua como fogo

Às vezes, a curiosidade é maior que o bom senso e cometemos “loucuras”. Assim foi no feriado de 15, em que rumei a Cáceres pelo Tejo, onde a Confraria Ibérica do Tejo (CIT) organizou um seminário. Mais um a juntar a dezenas de outros que deste há muito vão acontecendo. Como cristão, interrogo-me se terá sido pecado dedicar um feriado santo a ir a Cáceres. Na verdade, os rios merecem isto e muito mais e, no fim, valeu a pena ir a Cáceres. A nova CIT pode ser uma boa oportunidade para cuidar do Tejo, mas aquilo que presenciei em Cáceres deixa-me muitas dúvidas: mais do mesmo, isto é, gastar dinheiro que contribui para a nossa pobreza. Bom, o certo é que em Cáceres o Tejo estava bem representado, o que infelizmente só por si não chega. Do mais curioso que se passou em Cáceres foi, na primeira mesa redonda do dia, ficar evidente que cada um dos presentes tinha uma ideia diferente do que se estava ali a passar. O ponto alto do ridículo aconteceu quando a representante do Governo português, Helena Freitas – mulher com peso, porque coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior – se viu obrigada a intervir e a dizer aos organizadores o que estavam ali fazer.

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fogo, pior que dantes

Li o que escrevi em anos idos sobre fogos e torna-se incontornável voltar ao tema. Setembro de 2013: “o que se passou no Caramulo é demasiado grave para ficarmos pelo habitual (…) Num contexto só comparável a uma situação de guerra, a exigência técnica e o risco são demasiado elevados para bombeiros voluntários amadores. Neste combate, nesta frente, só podem estar profissionais altamente qualificados, preparados e equipados.” Há menos de um ano, em agosto de 2016, andei nas florestas de Pedrogão Grande e Figueiró dos Vinhos e neste mesmo jornal escrevi: “Andei, passo a passo, algumas dezenas de quilómetros na floresta do centro do país e a pergunta que constantemente me assolava era só uma: ‘como é possível isto não arder?’ No estado em que se encontra a floresta vai arder de certeza.” Ainda a este propósito escrevi em setembro de 2016 que a área ardida em Portugal é maior que a de toda a Europa: “Por cá o ‘negócio do fogo’ está mal equacionado, pois a grande fatia do investimento é feita num segmento da fileira não rentável, o apagar fogo. Imagine-se o resultado diferente se os mesmos recursos fossem investidos em limpeza, conservação e valorização da floresta.” Chegamos a 2017 e tudo pior que dantes. Um ano e uma comissão interministerial de sete ministros depois, o que mudou? Nada. Somos um país do terceiro mundo (bombeiros voluntários, gente que descansa a consciência com paletes de leite para os bombeiros e roupas para os desalojados…), com riscos, sistemas (comunicações, centro de comando…) e equipamentos (jipes, carros de combate, fardas…) do primeiro mundo.

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fogo 2017

2017, tudo como dantes. Um ano e uma comissão interministerial de sete ministros depois, o que mudou? Nada.

Somos um país de 3º mundo (bombeiros voluntários, gente que descansa a consciência com paletes de leite para os bombeiros e roupas para os desalojados…) com riscos, sistemas (comunicações, centro de comando…), equipamentos (jipes, carros de combate, fardas…) de 1º mundo.

A tragédia, naturalmente (como poderia ter sido diferente?),  abateu-se sobre o nosso campo. Como avaliar, mais uma vez, o que aconteceu? Aos factos associam-se os comentários e os fabulosos e sábios inventários infinitos de causas. O mais provável é que a principal causa esteja num computador central, algures em Lisboa, sem o qual a decisão não é tomada… Isto é, quem vive o local e conhece os bois pelos nomes, por exemplo: dois GNR, que cortam uma estrada de que o PC de Lisboa nunca ouviu falar, podem evitar meia centena de muito tristes e escandalosas mortes.

Se a dona do café sabia a GNR e os bombeiros locais não?

“Uns metros à frente, no café-restaurante Gil, Lurdes Henriques descreve o mesmo filme. “Muitos turistas até jantaram cá, mas depois entraram em pânico. Queriam ir para Lisboa, só falavam em Lisboa. A uns ainda lhes disse para irem para o lado da Lousã [local contrário à direcção das chamas], a outros, um casal com duas crianças, tanto lhes pedi para não irem. Ainda levaram uma garrafa de água”, lembra.” In: Rádio Renascença, 21 de junho, 8:20.

(http://rr.sapo.pt/noticia/86783/da_agua_ao_fogo_porque_nao_fechou_a_n236_1_a_estrada_da_morte?utm_medium=email&utm_source=newsletter)

No fim os cães ladram e o cortejo de vaidades com bonitas fardas e bons jipes com pirilampos estridentes vai passar e continuar intocável até à próxima.

João Miguel Tavares, no Público (20 de jun.), escreve: “apaziguamos a alma com donativos. Vemos o presidente da República desculpar toda a gente ainda antes de saber o que aconteceu. ”

Fica uma certeza e algumas incertezas, vai voltar a acontecer, não sabemos quando e onde; tudo o que é risco natural acontece nos países ricos e nos pobres. Tudo o resto é outra conversa.

Triste tempo este em que mais recursos, mais meios, mais quase tudo, significa menos, muito menos do essencial. Esta é, na verdade, a maior e mais grave das pobrezas, a incapacidade de fazer o que se deve.

a arder como dantes…:

https://www.dropbox.com/s/803uq8qkcjm85nw/a%20arder%20como%20dantes%20-%20carlos%20cupeto.pdf?dl=0

trabalho e emprego

Por estes dias, um colega, reitor numa universidade brasileira, veio visitar-nos. A dada altura comentou algo que todos sabemos mas que a maior parte das vezes fingimos não ser assim: “faltam empregos mas não falta trabalho.” Lá, no Brasil, como cá. Na verdade, incomodam-me muito as paisagens sociais e económicas que vemos à nossa volta. Pelos vistos, a questão é global. O problema é complexo e, como tal, não tem solução simples. Apesar desta realidade, há duas questões que me parecem essenciais para abordar tão complexo problema: a dicotomia direito-dever e a dimensão local da coisa que assume vários nomes, designadamente “suficiência local”.

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festa e automóveis na escola

Primavera, verão e eleições autárquicas é certeza que vamos entrar em festa. Festa continua onde a imaginação não tem limites. Basta passar pelas nossas terras e estradas e os plásticos pendurados em tudo o que é sitio, a maioria com extremo mau gosto, não nos deixam ter dúvidas. Não há lugarejo e fim de semana em que não aconteça muita coisa. As grandes questões à volta do tema são muitas e significativas. Será que estes eventos contribuem positivamente para o bem estar e qualidade de vida de quem lá vive? Qual é a eficácia do investimento? Esta é mesmo a melhor opção? Uma coisa é certa, desde logo, a ideia dos plásticos pendurados por tudo o que é sítio é poluição visual e outra que não se recomenda. Quando isto acontece num centro histórico, à entrada de uma cidade, pior ainda. Mas há, pelo menos, uma outra questão pertinente. À parte o maior ou menor valor da temática que justifica o evento há sempre um programa musical associado. Está claro, e é assumido, que os ditos músicos servem para atrair gente à coisa. Perante esta realidade as minhas orelhas ficam desde logo muito arrebitadas. Significa isto que o tema e motivo, “a causa da coisa”, que justifica organização do evento, só por si, não é suficiente para atrair pessoas e ter público? Se assim é porque se faz? As respostas, certamente muito válidas, devem ser quase infinitas provavelmente com a dimensão e aposta cultural à cabeça. Portanto daqui se conclui que a Feira Nacional da Agricultura, necessita do Quim Barreiros para, eventualmente, vingar e justificar a realização do certame. Se olharmos para os plásticos pendurados por todo o lado o que salta à vista são os  artistas.

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acção pela biodiversidade

a mística do instante

Cruzamentos (série 4)

15 Março

Igreja de São Vicente, 21:30

Carlos Cupeto apresenta

A mística do instante (2014), de J. Tolentino de Mendonça

«A forma como nós lidamos com o tempo é anómala porque deixámos de ter tempo. O tempo é uma invenção humana, mas nós nunca temos tempo. [Urge] Uma reconciliação profunda com o tempo, com os ritmos mais humanos, com a necessidade do descanso, do repouso, da sedimentação, para que cada um de nós possa sentir-se habitado, sentir o sabor das coisas pequenas […]»

J. Tolentino Mendonça

Ler Tolentino Mendonça é esbarrar na simplicidade da vida que tanto gostamos de complicar. Independentemente da crença, ou da religião de cada um, Tolentino Mendonça é uma referência e um pilar da cultura contemporânea portuguesa. «Ler as páginas de Tolentino é realizar uma experiência de amizade. As suas palavras são palavras privadas ditas em público. São acolhedoras porque mantêm a raiz profunda da experiência e abrem a um diálogo em que o leitor se sente protagonista», escreve Antonio Spadaro, director de La Civiltà Cattolica (Itália).

Na verdade as palavras e as ideias em Tolentino Mendonça assumem uma dimensão e um sentido únicos; até o mais complexo dos temas ganha uma simplicidade e clareza que nos conforta e ajuda nos grandes desafios, tanto quotidianos quanto existenciais. É esta vocação quotidiana, prática, local, próxima e pessoal que nos transporta para o essencial. Nestes tempos de grandes desafios globais e pessoais, «a mística do instante é uma declaração de amor à vida e um empenho na construção de um futuro comum.»

Carlos Alberto Cupeto nasceu em Cano / Sousel. Licenciou-se em Geologia na Faculdade de Ciências de Lisboa., tendo regressado a Évora, onde se doutorou em Hidrogeologia Ambiental e onde é professor universitário há mais de 30 anos. Foi membro do quadro dirigente do Ministério do Ambiente durante 10 anos (INAG, ARH do Tejo, APA). Realizou assessoria ambiental para a ASSIMAGRA e CEVALOR durante vários anos, tendo desenvolvido e implementado a política ambiental no sector das rochas ornamentais. Foi fundador e director durante vários anos da Associação Portuguesa das Empresas de Tecnologias Ambientais,

Assessor Técnico e Delegado Regional da Unesul – Associação Universidade Empresa do Sul – e director da revista Indústria & Ambiente, durante quase 10 anos. Esteve envolvido num grande conjunto de projectos de cariz nacional, tendo cerca de meia centena de trabalhos publicados. Carlos Cupeto possui também Carteira de Jornalista, tendo um blog onde partilha a suas experiências, preocupações e agitações (www.otrosmundos.cc).

Inscrições e informações

jaf@escritanapaisagem.net ou 931763350.

Cruzamentos (série 4) é um projecto da Colecção B, com curadoria de José Alberto Ferreira. Tem o apoio da Direcção Regional de Cultura do Alentejo, da Fundação Eugénio de Almeida e da Câmara Municipal de Évora.

350

significativamente, com as palavras chave para 2017 atingiram-se as 350 publicações neste blog…

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan