verdade


As perguntas fundamentais e verdadeiras: 
temos dinheiro para pagar o Estado que temos?
ou, mais exatamente, temos dinheiro para pagar o Estado de que precisamos?
ou, indo mais longe, temos dinheiro para pagar o Estado que, por comparação com a Europa, achamos que devíamos ter?
a resposta a estas três perguntas é não.
(Vasco Pulido Valente)
faço eu a última pergunta: o que fazer?


roteiro do Alentejo

O governo regional, isto é a CCDR – Alentejo, promoveu uma conferência a que chamou Roteiro para o Alentejo; uma terra “mais competitiva e garantidamente sustentável.” Não pude assistir mas tive muita pena essencialmente pela oportunidade perdida de ver e ouvir o amigo e colega Carlos Zorrinho, que muito estimo. Há muitos anos que não ouço o Carlos Zorrinho, que, por prémio ou castigo, pegou na mala e foi para Bruxelas. O Zorrinho navegou algumas ondas que há época me diziam alguma coisa, designadamente a treta do desenvolvimento sustentável.

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país avariado

Suspeito que este país do faz de conta precisa de urgente arranjo. Estou enganado? Antes estivesse. Não passa dia que não depare com fartas evidências de que a tal crise ainda por aí anda e bem presente. Enganam-nos como querem e lhes apetece até ao momento que necessitamos de ir ao hospital, de viajar de comboio, de recorrer à justiça… Falar em eficiência energética, descarbonização, luta contra as alterações climáticas, aposta nos transportes públicos, economia circular, ciclovias, etc., etc., como faz com muita facilidade o Primeiro Ministro, ainda por cima com um subjacente e cínico sorriso, é fácil. Depois encalhamos num país miseravelmente produtivo que necessita de 2,5 vezes o seu território para gerar a nossa pobre riqueza, é mau demais.

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democracia avariada

esta democracia, muitas vezes, do faz de conta precisa de urgente arranjo.

a par dos referendos está a idolatrada “consulta pública” que Bruxelas e os nossos políticos tanto amam e só serve para gastar dinheiro: milhões, muitos milhões.

e porque amam os políticos estas tretas pseudo-democráticas?

tão só porque:

– manipulam os resultados;

– desresponsabilizam-se.

o “nosso” Carlos Moedas é um fã.

por MEC:

https://www.publico.pt/2018/12/17/mundo/opiniao/certeza-1854949?utm

inteligente & estúpido

estrada e condutor

fernando guerreiro

a dor de cabeça do clima…

a ajudar à festa, isto é, o beco sem saída em que nos encontramos, há os ambientalistas salvadores.

este texto do professor Francisco Ferreira, presidente da Zero, é lindo:

https://www.publico.pt/2018/12/07/sociedade/opiniao/politicos-decidir-maior-ambicao-rapidez-medidas-justica-climatica-1853916

a zero é um excelente exemplo de como a coisa anda e chega até aqui.
durante anos participa na “paródia” das cimeiras e aplaude-as.
quando os resultados são catastróficos, ótimo, “vamos aproveitar para subir ao palco que tanto gostamos para gritar que é preciso mudar.”
é um jogo com as regras em que a zero (que nome tão feliz), as irmãs (zangadas – querqus – ou não) e as primas sempre ganham.

a Zero é mesmo zero e o resultado está à vista.

o nosso futuro…

o presidente do Instituto Superior Técnico escreve hoje no Público sobre a sustentabilidade da Terra.

o presidente do IST é um cientista e tem muito mais responsabilidade, no que pensa e escreve, do que qualquer um.

escreveu isto:

https://www.publico.pt/2018/12/07/ciencia/opiniao/ciencia-tecnologia-futuro-planeta-1853729#comments

comentei a assim:

está no seu papel, sr professor.

o presidente do ist não pode escrever coisa diferente (?)

todavia, por muito que se esforce qualquer tonto que olhe um bocadinho à sua volta, até ler o Público, tira-lhe a razão.

o sr professor acredita mesmo que mais e mais tecnologia resolve a coisa?

peço-lhe que leia: dez mil milhões – enfrentando o nosso futuro, de Stephen Emmott, um cientista seu colega.

depois da leitura, pf, volte a escrever sobre o tema.

interior miserável

Ao interior miserável junta-se agora a miséria da fronteira.

Mentira e mentira.

Provavelmente a mais vergonhosa fake news que por aí anda.

Tenho profunda convicção do contrário, com risco de me tornar arrogante. Não me convencem do interior pobre.

Tenho muita curiosidade em saber se a mentira que nos impingem é por ignorância ou se é intencional? Agora, como se a maldição cinzenta do interior não nos chegasse, junta-se o fatalismo da fronteira, como terra de ninguém, até agora, esquecida. A coisa é tanto mais grave quanto a responsabilidade de quem o apregoa.

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as virtudes e valores do interior

as enormes virtudes e valores do interior são culturalmente transformadas em miséria, abandono e etc.

o “interiorismo” é um tema muito querido a otros mundos, acredito profunda e convictamente no inverso da história que nos contam. Esta história assenta, essencialmente, na ignorância. O interior despovoado e miserável (esta palavra é minha; a que melhor retrata tudo  que se diz e escreve sobre o interior) é a maior e mais perigosa das fake news.

a coisa é tanto mais grave quanto a responsabilidade de quem o apregoa.

no P2 de 25 de novembro Álvaro Domingos é um excelente exemplo, leiam e pensem:

https://www.dropbox.com/s/mcsmpdsndo0i9jx/%C3%A1lvaro%20domingues%20e%20o%20interior%20P2%20Porto-20181125-pages-18-19.pdf?dl=0

As desgraças de Álvaro Domingues, no P2 de domingo, 25 de novembro,  são as piores fakes news do chorrilho que por aí se diz e conta. Consegue bater a Joana Amaral Dias na CMTV. Sabemos que o geógrafo tem uma boa máquina fotográfica e tempo para percorrer o país. No P2 conta-nos a história que já todos sabemos, a desgraça do interior. Quase que nos consegue enganar quando nos induz a pensar que o problema da “geografia emocional do interior” (as coisas que ele discorre!) é a falta de Euros… De essencial nada, de novo o habitual e de contributos para resolver a coisa o mesmo de sempre, ainda menos. A esta equação chamada Álvaro Domingues, geógrafo professor numa prestigiada universidade, exige-se bastante mais. Já nos chega Borba de que Álvaro nada percebe, como sempre “aos costumes disse nada”.  Pobre país este que está sujeito a tanta desgraça.

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan