à beira mar plantados

era uma vez um povo que vivia num jardim à beira mar plantado.     brando clima, brandos costumes.                                                                       vida fácil, tudo a ajudar, até a história.                                                                até que num repente, no meio da floresta de iguais, surge um lobo mau, Sócrates.                                                                                                                                   contrariamente a que este povo pensa essa criatura não está só, tem muitos, mas muitos seguidores, e, muito importante: não surge do nada. pensavam que tudo se resumia a Sócrates?                                                                                                                         santa ingenuidade a deste povo; povo de onde emanam estas criaturas.   a candura imaculada deste Constâncio nunca inspirou confiança. tantos, mas tantos, iguais aí no ativo. Na verdade estes lobos, tipo Capuchinho Vermelho (Constâncio), são os mais perigosos.

pobreza

esta é uma micro estória de pobreza em que os portugueses aposta e, em particular, os alentejanos acreditam:

” ALENTEJO O Bloco de Esquerda está contra a prospeção de ouro e outros minerais nos concelhos de Évora, Montemor-o-Novo e Vendas Novas.”

faz de conta…

um pacote de bolachas de 1,8 €, três embalagens, 3 materiais.

viva a charada do ambiente, sustentabilidade e outras tais.

um enorme faz de conta…

bandeira azul

Não nos podemos esquecer que em 2007 o Prof. Marcelo considerou Berardo a personalidade do ano. Este é mundo e o país onde vivemos e que aceitamos.

Enquanto isto, todos os anos por esta altura assistimos ao folclore da Bandeira Azul. Mais um ano que em batemos o recorde do número de bandeiras nas nossas praias.

Será que um dia ainda vamos saber as verdadeiras contas desta coisa?

Por princípio desconfio muito das certificações, selos e bandeiras… De todos os setores, o automóvel, é o mais exigente nesta matéria e o que mais certificações ostenta e exige. Lembram-se do que a aconteceu com a Volkswagen e com outras “respeitosas” marcas? Não preciso de mais nada para a minha generalizada desconfiança sobre este tema.

Durante anos, por funções dirigentes no Ministério do Ambiente, lidei de perto com a bandeira azul e com toda a corte à sua volta. Porque será que a Câmara Municipal de Cascais, desde há uns anos, ignora a bandeira a azul? As dezenas praias de Cascais perderam qualidade? Quanto custa esta fantochada a uma câmara municipal e quanto valeria se esse investimento fosse feito noutros aspetos como a segurança/vigilância? Suspeito que esta paranoia da bandeira bate recorde no nosso país. Em França vi praias com bandeira azul, poucas a têm, onde as pessoas passeiam de cavalo, imaginam isso por cá?

Quanto valeria um outdoor em Vilar Formoso, em Elvas, Vila Real ou na Portela,  do tipo: “País livre da Bandeira Azul” (as nossas praias são excelentes).

abril do Presidente

No 25 de abril ouvi o discurso do Presidente da República no rádio e percebi que é a melhor forma de compreender um discurso, foquemo-nos no essencial: nas palavras e no seu significado. Tenho pena de estar em desacordo com a maioria dos comentadores mas, lamentavelmente, ouvi um conjunto de lugares comuns sem significado de valor, aos costumes disse nada. Também sei que, infelizmente, muito poucos são os portugueses que compreende um discurso sobre qualquer coisa, ainda por cima quando se fala com alguma metáfora. Para os jovens de 74 (ele próprio) e os atuais nada se ouviu que fosse mobilizador. Pensei nos meus alunos, os jovens com quem mais lido, e suspeito que nada perceberam e que nada daquilo lhes interessa. Será que algum deles ouviu o Presidente? Vou-lhes preguntar. Impropriamente ouvi um conjunto de impossibilidades, até “sonhos impossíveis”, a última das coisas que tem impossíveis. Jovens com “sonhos impossíveis”? Povo e pátria com “sonhos impossíveis”? Era só mesmo o que faltava. Se aí chegássemos então podíamos mesmo arrumar as botas. Ouvi que devemos esperar mais da União Europeia e da CPLP. E de nós próprios, o que esperamos? Vamos esperar mais e melhor de nós próprios? Talvez valha a pena e talvez seja esse o (único) caminho. Na verdade há um principio, o da reciprocidade, que nos diz: só podemos esperar mais se dermos mais.

Do Presidente espera-se, na verdade, algo mais.  

europeias

nesta trapalhada dramática a que chegámos quem se pode demitir?

participar para algo melhor é votar?

António Barreto no Público (P2) de 12 maio é imperdível.

políticos

Ferro Rodrigues: “Os políticos não podem ser tratados pior do que cães” (Público)

Comentário de Ana Cristina: “conversa de parvoíce, nunca fui roubada por um cão”


o fim da crise

hoje o Público pública um trabalho com base no relatório do Eurostat sobre as finanças públicas dos Estados membros não é preciso ler, basta ver os gráficos, Portugal: -3ª maior dívida pública; -menor investimento público; -5ª maior despesa com a banca. conclusão: estamos cada vez mais pobres e mais no fim da Europa. e se pensássemos um bocadinho?

artigo no Público


mafiosos

Devemos todos saber que o maior dos perigos, também ele não legislável, vem de outro tipo de famílias. Há uns anos, num daqueles congressos internacionais, para pouca ou nenhuma coisa, tive a oportunidade de conhecer o jovem presidente da Junta de Freguesia de Oeiras. Um rapaz bem vestido, muito bem-falante e etc. Nunca mais vi ou me lembrei de tal criatura. Até que, na semana passada numa boa iniciativa do Parlamento decorreu mais um “Café de Ciência” dedicado à água e à seca; na mesa onde fiquei, para além, do “velho” e conhecido ex-presidente da CM de Moura, Pós-de-Mina, surgiu um rosto que me “incomodou” durante algum tempo por não me recordar de onde o conhecia. Precisamente, a tal jovem promessa de Oeiras. Agora virou especialista em água, é Director Delegado dos Serviços Intermunicipalizados de Água e Saneamento de Oeiras e Amadora, empresa que também tem um Presidente do Concelho de Administração entre muitas outras coisas. Suspeito que o Director Delegado seja licenciado em direito. O país, nós todos, muito lhe agradecemos mais este serviço em prol do bem comum. Obviamente que todos sabemos como e porquê este tipo de cargos acontecem; obviamente, é transversal a toda a manjedoura política.  Na verdade este novelo de clientelismo político de uma classe, verdadeiramente, mafiosa é muito difícil de desatar. Não consigo imaginar como vamos sair deste beco e darmos passos em frente no sentido de um estado de consciência mais elevado donde resultará uma sociedade mais justa e um mais rico. Acontece, e eles não dão por isso, ou fingem não dar, que a massa anónima que trabalha e sustenta tudo isto com os seus impostos, começa a dar sinais de saturação; diz-nos a história que o resultado disto não é coisa boa. Eduardo Dâmaso no editorial da revista Sábado escreve uma série de “absurdos” sobre o Juiz Desembargador, ex-presidente da CM da Figueira da Foz e novo Secretário de Estado do Ambiente. Como este jornalista ainda não foi preso só temos que acreditar que escreve a verdade. Assim estamos nós, cantando, rindo e assobiando para o lado.

Vai na volta, afinal, vivam os primos, comparativamente inofensivos.

teatro no interior

Em Évora, na sexta feira fui ao teatro, aos Celeiros da EPAC.  Bons artistas, bom espectáculo. Como professor/estudante paguei três euros. Estavam cinco espectadores, os artistas eram três, fora todo o outro pessoal envolvido, desde a menina que vende os bilhetes… Bem sei que já paguei muito mais através dos impostos absurdamente elevados sobre o meu trabalho que o Estado me cobra. Também sei que há pequenas cidades do interior, por exemplo a Covilhã, onde as salas esgotam e as representações têm que ser repetidas para satisfazer a procura. Isto faz-me pensar. Esta realidade de Évora, esta pobreza, não é de agora. Sempre assim foi. Não é só centro histórico que está em ruínas, as calçadas estão impróprias, a iluminação publica é deplorável (já repararam na principal entrada de Évora, as portas do Raimundo?), as marcações horizontais são inexistentes… Em Évora há uma Universidade com uma Escola de Artes. Quantos alunos e professores do Departamento de Artes Cénicas viram este espectáculo? E dos restantes? Évora é a cidade que pretende ser cultural e que é candidata a capital europeia da cultura 2027: rimos ou choramos? Isto não é uma interpretação pessoal ou política da coisa, isto não é um texto de opinião, são factos. Só não vê quem não quer, ou não pode. Estamos, pois, perante uma encruzilhada muito difícil de resolver. Não há solução mágica para Évora. O país não nos vai ajudar, antes pelo contrário. O país está de tanga, como nunca esteve. Já perceberam isso? O que fazer? Como mínimo, para começar, é incontornável abrir os olhos.

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan