pedreiras seguras…

…com sinais e arame (vedações “tipo gado”) resolve-se o problema do risco nas pedreiras. Alguém se lembra de alguma pessoa, cidadão ou operário, ter caído numa pedreira? É muito provável que tenha acontecido mas ninguém se lembra. O Ministério do Ambiente diz-se satisfeito com o trabalho feito nas pedreiras ao longo deste ano. “A situação de risco é muito menor do que era há um ano”, diz Matos Fernandes; com arame e sinais, digo eu. “Não há memória de uma dinâmica destas em Portugal, e valeu mesmo a pena a nossa determinação” (Matos Fernandes), o consumo de tinta e arame em Portugal disparou.

fotografia do Público

e se abríssemos os olhos?

lítio & Greta

como tudo o resto (petróleo, ouro, etc.) em matéria de recursos geológicos, que devem a sua localização exclusivamente a factores geológicos, o país “não quer nem saber”. Qualquer “povo” tem a câmara da TV à frente e diz os disparates que lhe aprouver com o mesmo valor de quem estuda e trabalha a coisa. O Secretário de Estado do brinco tem alguma razão na substância mas não tem nada ver com o assunto, apenas segue a aplicação da lei e os pareceres da Administração competente. Sabe bem a cartilha do chefe Costa; assim não se compreende para que existe? António Barreto escreveu: “As esquerdas, auto-sufcientes, exauriram o Estado competente, técnico e inteligente, para o transformar em agente político e já agora em sua coutada. As direitas, cúpidas, esvaziaram o Estado sabedor, capaz e independente, para entregar poderes e competências aos negócios e aos privados. O Estado, hoje, é alfobre de negócios, tapada dos partidos, autoritário como os ignorantes, convencido como os déspotas! E ao serviço da política mais barata, a dos interesses.”

era só mesmo o que faltava, Greta vem ao Parlamento dizer-nos o que devemos fazer. Aproveitem e perguntem-lhe sobre o lítio.

web summit

Paddy Cosgrave afirmou hoje que este pequeno país é um “país startup”. Fiquei entusiasmado; enquanto isto a nossa miserável pobreza, leia-se produtividade, necessita de 2,5 vezes do território do país para gerar a nossa pobre riqueza, é mau demais.

Também hoje a cidade de Nova Deli está fechada porque a qualidade do ar é venenosa, irrespirável. Estou certo que em Lisboa vai surgir uma app que resolverá o problema. E um pingo de vergonha, não lhes ficaria bem?

no Público dois dias depois:

https://www.dropbox.com/home?preview=Emerg%C3%AAncia+Clim%C3%A1tica+-+Publico+Lisboa-20191106-p%C3%A1ginas-1%2C28-29+(1).pdf

desgoverno

A maior de todas as grandes desgraças nacionais é o desordenamento do território. Ninguém tenha dúvidas. Esta realidade encarregou-se de nos fazer pobres, de desperdiçar recursos e de gastar fortunas a tentar remediar a coisa.  Colocam loteamentos (pessoas a viver) ao lado dos porcos.  Constrói-se em leitos de cheia e em bom solo agrícola. Ignoram-se recursos geológicos, veja-se a Zona dos Mármores. A partir daí toda a gente ralha e todos têm razão. Talvez por isso os grandes desafios associados ao território estejam dispersos por vários Ministérios e Secretarias de Estado no novo enorme Governo. Estou-me nas tintas para isso, é mais caro um Governo grande que um pequeno, mas não é por aí. O que nos deve interessar é a eficácia do Governo e os resultados alcançados. Falam-nos em eficiência energética, descarbonização, luta contra as alterações climáticas, aposta nos transportes públicos, economia circular, ciclovias, etc., etc e depois encalhamos num país miseravelmente produtivo que necessita de 2,5 vezes o seu território para gerar a nossa pobre riqueza, é mau demais. O resto é conversa fiada do bem disposto Ministro Matos Fernandes.  Temos na nossa terra condições, como poucos, para solucionar grande parte do “enorme problema” a que a humanidade chegou: temos solo e água, isto é, território de baixa densidade, pronto a produzir os alimentos que nos faltam para sermos suficientes. Na verdade temos condições para um verdadeiro up local em detrimento do up global que tanto tem agradado a uma ínfima minoria. Num planeta sobrelotado, não é difícil povoar o interior como desejarmos, enquanto é tempo.  Apesar de questões globais, como as alterações climáticas, temos algumas condições ímpares para um Alentejo bem melhor para todos. A grande questão é: os nossos governantes não compreendem isto ou não querem compreender?

cimeira de NY

ouvi a intervenção do nosso conterrâneo Guterres, brilhante.
honesto ao ponto de confessar que a sua geração falhou…, nós bem o sabemos.
segue-se depois o apontar de tudo o que temos de fazer; quem diria melhor?
falta só dizer como se faz?
sobre isso nem uma palavra. Vai falhar outra vez.
o Prof Marcelo foi na mesma linha e todos os outros assim farão.
não há transição possível, vamos bater no muro de frente e aí sim a coisa muda… se os dinossauros nos pudessem contar como foi…
as lágrimas da gaiata sueca não acrescentam nada, ela disse-o, devia estar na escola, como todos os outros meninos que enchem as avenidas dos países ricos com cartazes coloridos; Guterres, Marcelo, eu e você sabemos o que há a fazer mas estamos bem, até ver, e não fazemos.
entretanto viajamos para onde nos apetece por meia dúzia e Euros e vamos trocando de automóvel… aos costumes disse nada!
haja paciência.

novo aeroporto

porque não acredito em estudos de impacte ambiental não me passou pela cabeça ler o Estudo de Impacte Ambiental do aeroporto do Montijo. Por um passado recente com responsabilidades no Tejo sei bem da importância ecológica do estuário deste rio. Olha-se para a seguinte fotografia e parece-me absurdo fazer ali um aeroporto:


entre centenas de perguntas com difícil resposta faço uma: quanto custa preparar geotecnicamente estes solos para suportarem uma pista?

entretanto temos o aeroporto de Lisboa:

esta fotografia foi tirada da janela da cozinha de uma pessoa amiga que vive no bairro de Alvalade em Lisboa. Em largos períodos do dia a periodicidade da passagem dos aviões é de três minutos. Há dias em que ela tem de sair de casa porque não suporta mais o incomodo. Dificilmente poderia haver uma pior localização para o principal aeroporto do país. Não nos esqueçamos localização do aeroporto de Faro…

em matéria de aeroportos é esta a triste realidade de um país que nos dizem exemplar!

catástrofe planetária

Catástrofe planetária e Greta

O risco de uma catástrofe planetária é cada vez maior; isto é uma enorme verdade. A coisa aparece com o nome de “alterações climáticas”. Quase tão grave como esta realidade é o que se tem feito e a forma como surge na casa de cada um: um folclore inconsequente, uma oportunidade política para sacar mais uns votos, ou até uma moda, como todas as outras que, tal como aparecem, da mesma forma se vão… Reparem que na atual campanha eleitoral todos os partidos, ou quase, têm cartazes verdes a aproveitar a onda… Haja paciência, mas não há. O ridículo chega ao ponto de ser uma garota, Greta, de um país rico a liderar a festa.

Outra verdade é o tema ser mais um excelente campo de negócio de milhões para os mesmos de sempre: os mesmos que aproveitaram outras modas e que viraram agora especialistas em clima. Um dos produtos deste negócio são os planos de ação contra as alterações climáticas; ridículos é pouco para os qualificar. Há-os para todos os gostos e não há terrinha que não tenha um pano destes. Data de 2006 um primeiro Programa Nacional para as Alterações Climáticas. São os nossos impostos que os pagam aos tais consultores e especialistas. Entretanto, por causa de mais uma cimeira, esta em Nova York, as últimas semanas têm sido muito animadas.

Há paciência para manifestações, greves e recados de garotas confortáveis na vida que fazem mais mal do que bem à causa? As ruas das cidades ficam cheias de gente a gritar com cartazes, a cimeira passa e, como todas as outras, “aos costumes disse nada”, ou seja, fica tudo na mesma – quem tem piscina tem, viaja de avião as vezes que lhe apetece a custo escandaloso e quem tem fome, fica com fome. Nada muda. Greves palermas para nada, a não ser para tranquilizar consciências. Será que o Ministro do Ambiente também faz greve?

Quantas cimeiras destas já houve? Quais foram os resultados? Depois de cada cimeira a coisa piorou e continua a piorar. Por cá, temos um modo de vida totalmente insustentável: consumimos limões do Chile e vamos ali a Londres por 30 euros. Como é compatível a sustentabilidade do planeta com o turismo que todos conhecemos, cada vez com mais intensidade e que se deseja mais e mais? Tenham vergonha, deixem-se de cimeiras e fiquem em “casa” a fazer o que devem.


as mentiras da sustentabilidade

Talvez por ter começado há muito tempo, também há muito tempo que esgotei a paciência para as mentiras da sustentabilidade. Tenham paciência mas não acredito que um grupo de criancinhas a plantar árvores seja coisa significativa pelo ambiente.  Tranquiliza a consciência do coletivo depredador. Há uns anos a ONU definiu um conjunto de objetivos para a sustentabilidade até 2030 e seguintes (ODS). Irrepreensível no papel, só no papel. Mais do que objetivos para o desenvolvimento sustentável são utopias para a sustentabilidade. A semana passada a mesma ONU divulgou uma espécie de resultados onde Portugal surge em lugar de destaque como bom aluno. Que enorme mentira, em tudo de mais elementar: intensidade energética, gestão da água, produção de resíduos etc. estamos cada vez pior, com toda a verdade. É muito preocupante que a ONU divulgue este tipo de relatórios, enganadores, que alimentam a máquina e não convidam a arrepiar caminho. Não passa de conversa e política, política que entre nós até serve para uns palermas impreparados formarem um partido com sucesso e, não sei onde, na Europa do norte, uma gaita de 17 anos se tornar leader de opinião. A coisa é de tal forma grave que ainda a semana passada o norte do país ardeu violentamente enquanto que a poucos quilómetros, em Valência, devido a enxurradas morreram pessoas e os prejuízos materiais, designadamente na agricultura, foram incalculáveis. A coisa é mesmo de emergência muito séria mas até esta palavra, emergência, perdeu sentido pela leviandade com que é usada e abusada.

Há várias formas de terrorismo, a mentira em matéria de clima e ambiente é uma, bem grave.      

sustentabilidade do Alentejo

Uma improvável jornada na rentrée promovida pela Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), sobre a estratégia de desenvolvimento do Alentejo para 2027, confirma o estranho que estes tempos são. Antes da ordem do dia uma palavra para os técnicos da CIMAC que, apesar do contexto difícil e apertado mostram entusiasmo.

A coisa começou bem quando alguém apelida esta nossa terra de “território virtuoso”. O resto tudo demasiado parecido como se fosse há 20 ou 30 anos. Mais ou menos os mesmos temas de sempre, nada de novo. Até os indicadores mais verdadeiros, como a taxa de resíduos per capita, continuam vergonhosos, mesmo que o Ministro Matos Fernandes e, sobretudo, o Dr. Costa nos contem o contrário. Pelo rácio produtividade/resíduo, podemos concluir que cada vez trabalhamos pior e que por isso mesmo somos mais pobres. Custa mas é verdade. O que se aprendeu entretanto? Novo é o sucesso (?) do “abençoado” turismo do nosso contentamento que mais uma vez muito me surpreendeu: então não é que apesar de tanto sucesso o sector exige dinheiro público para se promover? Coisa estranha esta de um vendedor de castanhas assadas na Praça do Giraldo, com sucesso, exigir à Câmara, isto é, a todos nós, que pague a publicidade do seu negócio…

De resto a grande novidade são as alterações climáticas. Excelente chapéu para todos os enganos. Apesar das previsões apontarem para uma redução significativa da disponibilidade de água, a coisa resolve-se com mais regadio. Ainda por cima mais regadio em culturas tradicionalmente não regadas como a vinha e o olival. Coisa estranha, parece uma história para crianças do infantário. “Pinta-se” a coisa de verde e já está… Os tempos são difíceis e por isso mesmo espera-se qualquer coisa de melhor. Há coragem para isso? Os poderes políticos regionais, sobretudo os dos partidos que ocupam os ministérios de Lisboa, vivem pacificamente com as enormes contradições entre o discurso e a realidade?

E quando a verdade nos bater à porta e entrar?

amazónia

Amazónia, num repente, é o tema do dia de toda a gente. Como se fosse simples e como se todos tivessem a formação e informação suficiente para mandar palpites. Na verdade é assim com tudo. Perdoem-me, mas também tenho o direito de opinar. Interrogo-me, este jogo, sem regras, interessa a quem? Rapidamente penso no fogo de Pedrogão, aqui na nossa terra em direto na TV. Dois anos depois onde está o português que honestamente pode falar publicamente de Pedrogão com perfeito e total conhecimento da coisa? A Amazónia é só o maior e mais complexo ecossistema do planeta Terra, a cerca de 8 mil quilómetros de Lisboa. Quem pode, por dá cá aquela palha, mandar uns palpites? Simbolicamente a triste figura do colega Francisco Ferreira, dessa aberração que se chama Zero, é bem o retrato da coisa: solo, água, floresta, recursos minerais, fauna, flora, etc. fala-se de tudo sem se saber de nada. É o Bolsonaro que o justifica? O ridículo é tão grande que qualquer ignorante se arroga o direito de opinar.  Na verdade, pela sua importância global, a Amazónia “é de todos”, mais corretamente “interessa a todos”. Salvas as devidas proporções o maior lago artificial da Europa, o nosso Alqueva, é de todos, no mínimo dos nossos vizinhos espanhóis, certo? Imaginemos que os nossos parceiros, ou apenas os espanhóis pelo interesse mais direto e óbvio, encetavam uma campanha de opinião e de reclamação de tão importante e valiosa massa de água. Alguém acredita que o D. Afonso Henriques iria gostar? Haja paciência.


Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan