verdade


As perguntas fundamentais e verdadeiras: 
temos dinheiro para pagar o Estado que temos?
ou, mais exatamente, temos dinheiro para pagar o Estado de que precisamos?
ou, indo mais longe, temos dinheiro para pagar o Estado que, por comparação com a Europa, achamos que devíamos ter?
a resposta a estas três perguntas é não.
(Vasco Pulido Valente)
faço eu a última pergunta: o que fazer?


serviço público

Pouco, ou nada, nos deve interessar se este ou aquele serviço é fundido com outro, se fecha ou abre. O que verdadeiramente nos deve importar é a qualidade desse serviço e quanto é que isso nos custa; o que todos temos que exigir são melhores e mais eficazes serviços públicos. Não é admissível que em qualquer terra um simples licenciamento, requerido por um cidadão, fique anos à espera, eventualmente de um melhor estado de humor do arquitecto ou outro decisor. A gravidade deste tipo de situações, que infelizmente todos conhecemos, ou até vivemos, é maior quando estão envolvidos fortes interesses económicos e sociais.

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roteiro do Alentejo

O governo regional, isto é a CCDR – Alentejo, promoveu uma conferência a que chamou Roteiro para o Alentejo; uma terra “mais competitiva e garantidamente sustentável.” Não pude assistir mas tive muita pena essencialmente pela oportunidade perdida de ver e ouvir o amigo e colega Carlos Zorrinho, que muito estimo. Há muitos anos que não ouço o Carlos Zorrinho, que, por prémio ou castigo, pegou na mala e foi para Bruxelas. O Zorrinho navegou algumas ondas que há época me diziam alguma coisa, designadamente a treta do desenvolvimento sustentável.

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país avariado

Suspeito que este país do faz de conta precisa de urgente arranjo. Estou enganado? Antes estivesse. Não passa dia que não depare com fartas evidências de que a tal crise ainda por aí anda e bem presente. Enganam-nos como querem e lhes apetece até ao momento que necessitamos de ir ao hospital, de viajar de comboio, de recorrer à justiça… Falar em eficiência energética, descarbonização, luta contra as alterações climáticas, aposta nos transportes públicos, economia circular, ciclovias, etc., etc., como faz com muita facilidade o Primeiro Ministro, ainda por cima com um subjacente e cínico sorriso, é fácil. Depois encalhamos num país miseravelmente produtivo que necessita de 2,5 vezes o seu território para gerar a nossa pobre riqueza, é mau demais.

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MATE

há uma anedota, entre muitas, que persiste: Ministério do Ambiente e da Transição Energética (MATE).

“A obra de emergência de reparação do rombo que ameaça a sobrevivência do Mouchão da Póvoa, consignada, em Maio, em cerimónia presidida pelo ministro Matos Fernandes, afinal ainda não começou.” (Público)

https://www.publico.pt/2018/12/14/local/noticia/rombo-mouchao-povoa-ja-aumentou-obra-nao-comecou-1854597?_

o Mate não tem vergonha?

tempos houve que situações destas eram tratadas na “hora”; até correndo o risco de ultrapassar a burrocracia da lei. Sempre o interesse Público e a salvaguarda das populações.

o presidente Alberto Mesquita pode testemunhar.

aRRÁBIDA, proposta de extinção do ICNF

Se os dinossauros se extinguiram, a bem da natureza e do capital natural, porque não se extingue o ICNF?

Já escrevi duas ou três vezes sobre a Arrábida, falando do que acredito serem boas ideias. E agora, como se passa à prática?

Qual a agenda essencial para a Arrábida? Desde logo AGENDA.

Um. Nada de estudos e estratégias, o melhor caminho para estragar dinheiro. Agenda é ação.

Dois. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) é dos maiores cancros deste país. Não só não faz o que deve como impede que outros o façam. Todos o sabemos, não me vou perder em exemplos e justificações. Basta saber que em Portugal é mau viver num parque natural…  Como é mau esperar por alguém lúcido que acabe com o ICNF; a Área Metropolitana de Lisboa deve exigir e reclamar para si a responsabilidade e gestão da Arrábida. Só vantagens para todos, a começar pela serra. Esta óbvia transferência de competências do ICNF para câmaras municipais já se faz.

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a dor de cabeça do clima…

a ajudar à festa, isto é, o beco sem saída em que nos encontramos, há os ambientalistas salvadores.

este texto do professor Francisco Ferreira, presidente da Zero, é lindo:

https://www.publico.pt/2018/12/07/sociedade/opiniao/politicos-decidir-maior-ambicao-rapidez-medidas-justica-climatica-1853916

a zero é um excelente exemplo de como a coisa anda e chega até aqui.
durante anos participa na “paródia” das cimeiras e aplaude-as.
quando os resultados são catastróficos, ótimo, “vamos aproveitar para subir ao palco que tanto gostamos para gritar que é preciso mudar.”
é um jogo com as regras em que a zero (que nome tão feliz), as irmãs (zangadas – querqus – ou não) e as primas sempre ganham.

a Zero é mesmo zero e o resultado está à vista.

as virtudes e valores do interior

as enormes virtudes e valores do interior são culturalmente transformadas em miséria, abandono e etc.

o “interiorismo” é um tema muito querido a otros mundos, acredito profunda e convictamente no inverso da história que nos contam. Esta história assenta, essencialmente, na ignorância. O interior despovoado e miserável (esta palavra é minha; a que melhor retrata tudo  que se diz e escreve sobre o interior) é a maior e mais perigosa das fake news.

a coisa é tanto mais grave quanto a responsabilidade de quem o apregoa.

no P2 de 25 de novembro Álvaro Domingos é um excelente exemplo, leiam e pensem:

https://www.dropbox.com/s/mcsmpdsndo0i9jx/%C3%A1lvaro%20domingues%20e%20o%20interior%20P2%20Porto-20181125-pages-18-19.pdf?dl=0

As desgraças de Álvaro Domingues, no P2 de domingo, 25 de novembro,  são as piores fakes news do chorrilho que por aí se diz e conta. Consegue bater a Joana Amaral Dias na CMTV. Sabemos que o geógrafo tem uma boa máquina fotográfica e tempo para percorrer o país. No P2 conta-nos a história que já todos sabemos, a desgraça do interior. Quase que nos consegue enganar quando nos induz a pensar que o problema da “geografia emocional do interior” (as coisas que ele discorre!) é a falta de Euros… De essencial nada, de novo o habitual e de contributos para resolver a coisa o mesmo de sempre, ainda menos. A esta equação chamada Álvaro Domingues, geógrafo professor numa prestigiada universidade, exige-se bastante mais. Já nos chega Borba de que Álvaro nada percebe, como sempre “aos costumes disse nada”.  Pobre país este que está sujeito a tanta desgraça.

estrada de Borba

Como o sabedor povo diz, “uma desgraça nunca vem só”. Depois da desgraça da charmosa, real, e ancestral estrada de Borba,  outras desgraças, igualmente graves, sucedem-se. Este país, lamentavelmente para todos nós, assemelha-se, cada vez mais, a uma desgraça. O que mais se lamenta é que temos tudo para ser o contrário, um país fantástico onde seria muito bom viver.

A estrada chamada Portugal:

https://www.dropbox.com/s/chvrqlz3683spjk/estrada%20Portugal%20-%20Set-DR%2023%20nov%2018.pdf?dl=0

A desgraça total:

https://www.dropbox.com/s/4uqt28bznksufif/geologia%20%26%20estrada%20de%20Borba%20%20DS_2018_11_30-pages-4.pdf?dl=0

Sic Notícias, Expresso da Meia Noite, quando o Estado falha:

https://sicnoticias.sapo.pt/programas/expressodameianoite/2018-11-24-Quando-o-Estado-falha

Presidente em Setúbal

Para que fique claro o que vai ler deixo uma curta declaração de interesse. Votei no Prof. Marcelo mas muito dificilmente vou voltar a fazê-lo.

Não ponho em causa a fragilidade social de Setúbal e muito menos o meritório trabalho que inúmeras associações desenvolvem no terreno. Graças a Deus que há muita gente que localmente tenta contrariar esta realidade, se assim não fosse o dia de muitos seria ainda pior. Todavia assiste-me a convicção que a acção do Presidente, “efeito Marcelo”, para pouco ou nada serve. Serve para animar a “festa do dia”. Compare-se com outras realidades análogas onde o Presidente muito se esforçou e esforça: fogo, despovoamento do interior, etc. Obviamente, aos costumes disse nada.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan