atitude

a atitude é uma pequena coisa que faz a grande diferença. A atitude é um dos nossos maiores recursos:

  • renovável;
  • infinito;
  • melhoria permanente e infinita.

No O Mirante:

https://www.dropbox.com/s/13axgkwu1b0c7o2/atitude%20-%20carlos%20cupeto%20-%2013-07-2017.pdf?dl=0

 

àgua como fogo

Às vezes, a curiosidade é maior que o bom senso e cometemos “loucuras”. Assim foi no feriado de 15, em que rumei a Cáceres pelo Tejo, onde a Confraria Ibérica do Tejo (CIT) organizou um seminário. Mais um a juntar a dezenas de outros que deste há muito vão acontecendo. Como cristão, interrogo-me se terá sido pecado dedicar um feriado santo a ir a Cáceres. Na verdade, os rios merecem isto e muito mais e, no fim, valeu a pena ir a Cáceres. A nova CIT pode ser uma boa oportunidade para cuidar do Tejo, mas aquilo que presenciei em Cáceres deixa-me muitas dúvidas: mais do mesmo, isto é, gastar dinheiro que contribui para a nossa pobreza. Bom, o certo é que em Cáceres o Tejo estava bem representado, o que infelizmente só por si não chega. Do mais curioso que se passou em Cáceres foi, na primeira mesa redonda do dia, ficar evidente que cada um dos presentes tinha uma ideia diferente do que se estava ali a passar. O ponto alto do ridículo aconteceu quando a representante do Governo português, Helena Freitas – mulher com peso, porque coordenadora da Unidade de Missão para a Valorização do Interior – se viu obrigada a intervir e a dizer aos organizadores o que estavam ali fazer.

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festas e festarolas

Entre o quotidiano, muitas vezes exigente,  que nos entra pela porta o tempo é de autárquicas. Leia-se o Diário da Região (este texto foi publicado neste jornal no dia 28 de junho) e não restam dúvidas. Na verdade o folclore é imenso, em franca oposição ao estado de alma e vontade para o exercício do dever da participação do comum do cidadão. Talvez para contrariar, ou disfarçar o desalento do cidadão, as festas multiplicam-se, como bem referiu Manuel Henrique Figueira recentemente neste jornal.  Interrogo-me donde vem o dinheiro para tanta festa, quando quase sempre falta para o essencial e importante?

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fogo, pior que dantes

Li o que escrevi em anos idos sobre fogos e torna-se incontornável voltar ao tema. Setembro de 2013: “o que se passou no Caramulo é demasiado grave para ficarmos pelo habitual (…) Num contexto só comparável a uma situação de guerra, a exigência técnica e o risco são demasiado elevados para bombeiros voluntários amadores. Neste combate, nesta frente, só podem estar profissionais altamente qualificados, preparados e equipados.” Há menos de um ano, em agosto de 2016, andei nas florestas de Pedrogão Grande e Figueiró dos Vinhos e neste mesmo jornal escrevi: “Andei, passo a passo, algumas dezenas de quilómetros na floresta do centro do país e a pergunta que constantemente me assolava era só uma: ‘como é possível isto não arder?’ No estado em que se encontra a floresta vai arder de certeza.” Ainda a este propósito escrevi em setembro de 2016 que a área ardida em Portugal é maior que a de toda a Europa: “Por cá o ‘negócio do fogo’ está mal equacionado, pois a grande fatia do investimento é feita num segmento da fileira não rentável, o apagar fogo. Imagine-se o resultado diferente se os mesmos recursos fossem investidos em limpeza, conservação e valorização da floresta.” Chegamos a 2017 e tudo pior que dantes. Um ano e uma comissão interministerial de sete ministros depois, o que mudou? Nada. Somos um país do terceiro mundo (bombeiros voluntários, gente que descansa a consciência com paletes de leite para os bombeiros e roupas para os desalojados…), com riscos, sistemas (comunicações, centro de comando…) e equipamentos (jipes, carros de combate, fardas…) do primeiro mundo.

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turismo e sustentabilidade (observatório)

Começo por confessar que a palavra “observatório”, tanto na moda nos nossos tempos, me deixa, imediatamente, com alguma desconfiança. Não se trata da mania de “ser do contra”, como sempre esforço-me por ser positivo e participativo como devo. Salvo raras e boas exceções, nunca vi sair nada de verdadeiramente transformador desses centros de análise e estudo, os observatórios; desde logo, se se limitam a observar, é francamente pouco, digo eu. Na verdade, era muito bom que a título de amostra se escolhesse meia dúzia de observatórios, daqueles que todos pagamos, e se fizesse uma simples e básica análise custo-benefício. No caso em apreço, o anunciado observatório de turismo sustentável no Alentejo, provavelmente, vão-me acenar com a Organização Mundial de Turismo (OMT), que recomenda a existência de observatórios de vocação regional que monitorizem e recolham informação sobre a atividade turística;  mesmo ao jeito da Entidade Regional de Turismo do Alentejo e Ribatejo.

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Tejo – confraria

A propósito da história que hoje escrevo dei conta de quase uma dúzia de escritos especificamente sobre o Tejo. Reli alguns e confesso que este cortejo de textos ao longo de quase cinco anos é, em meu entender, um contributo para a causa de que me orgulho.  Às vezes, a curiosidade é maior que o bom senso e cometemos “loucuras”. Assim foi no feriado de 15, em que rumei a Cáceres pelo Tejo, onde a Confraria Ibérica do Tejo (CIT) organizou um seminário. Mais um a juntar a dezenas de outros que deste há muito vão acontecendo. Como cristão, interrogo-me se terá sido pecado dedicar um feriado santo a ir a Cáceres. Na verdade, o Tejo merece isto e muito mais e, no fim, valeu a pena ir a Cáceres.

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fogo 2017

2017, tudo como dantes. Um ano e uma comissão interministerial de sete ministros depois, o que mudou? Nada.

Somos um país de 3º mundo (bombeiros voluntários, gente que descansa a consciência com paletes de leite para os bombeiros e roupas para os desalojados…) com riscos, sistemas (comunicações, centro de comando…), equipamentos (jipes, carros de combate, fardas…) de 1º mundo.

A tragédia, naturalmente (como poderia ter sido diferente?),  abateu-se sobre o nosso campo. Como avaliar, mais uma vez, o que aconteceu? Aos factos associam-se os comentários e os fabulosos e sábios inventários infinitos de causas. O mais provável é que a principal causa esteja num computador central, algures em Lisboa, sem o qual a decisão não é tomada… Isto é, quem vive o local e conhece os bois pelos nomes, por exemplo: dois GNR, que cortam uma estrada de que o PC de Lisboa nunca ouviu falar, podem evitar meia centena de muito tristes e escandalosas mortes.

Se a dona do café sabia a GNR e os bombeiros locais não?

“Uns metros à frente, no café-restaurante Gil, Lurdes Henriques descreve o mesmo filme. “Muitos turistas até jantaram cá, mas depois entraram em pânico. Queriam ir para Lisboa, só falavam em Lisboa. A uns ainda lhes disse para irem para o lado da Lousã [local contrário à direcção das chamas], a outros, um casal com duas crianças, tanto lhes pedi para não irem. Ainda levaram uma garrafa de água”, lembra.” In: Rádio Renascença, 21 de junho, 8:20.

(http://rr.sapo.pt/noticia/86783/da_agua_ao_fogo_porque_nao_fechou_a_n236_1_a_estrada_da_morte?utm_medium=email&utm_source=newsletter)

No fim os cães ladram e o cortejo de vaidades com bonitas fardas e bons jipes com pirilampos estridentes vai passar e continuar intocável até à próxima.

João Miguel Tavares, no Público (20 de jun.), escreve: “apaziguamos a alma com donativos. Vemos o presidente da República desculpar toda a gente ainda antes de saber o que aconteceu. ”

Fica uma certeza e algumas incertezas, vai voltar a acontecer, não sabemos quando e onde; tudo o que é risco natural acontece nos países ricos e nos pobres. Tudo o resto é outra conversa.

Triste tempo este em que mais recursos, mais meios, mais quase tudo, significa menos, muito menos do essencial. Esta é, na verdade, a maior e mais grave das pobrezas, a incapacidade de fazer o que se deve.

a arder como dantes…:

https://www.dropbox.com/s/803uq8qkcjm85nw/a%20arder%20como%20dantes%20-%20carlos%20cupeto.pdf?dl=0

avaliar

Avaliar é a pior das tarefas de um professor. Custa-me cada vez mais. Talvez porque ao longo da vida profissional, felizmente estupidamente rica, fui encontrando o que de mais estapafúrdio se possa imaginar. A dada altura trabalhei num projeto empresarial onde é preciso dar a resposta requerida no prazo certo com os meios disponíveis (orçamento) com uma licenciada em ambiente que tinha sido aluna brilhantíssima; o resultado foi catastrófico. Será que a classificações excepcionais não correspondem, necessariamente, bons desempenhos profissionais?  Cada ano que passa um 12 ou 17 pouco ou nada me dizem. Sei que o modelo vigente, muito semelhante há dezenas de anos (acima de 10 é positivo, abaixo é negativo), não serve e mostra-se incapaz de reflectir a aptidão para o desempenho de determinada função. Noto igualmente que há, a par de um alheamento (deixa andar) por parte dos estudantes, uma enorme distância para o “mundo lá fora”.

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o Tejo num congresso

Há duas semanas o Tejo ia ter mais um Congresso, não aconteceu sabe-se lá porquê!

Lamento dececionar os mais inocentes, mas nesta, como noutras matérias, está tudo dito e todos sabem o que devem (têm) de fazer; só não fazem se não quiserem. Sobeja (e muito) a legislação, os instrumentos de gestão vigentes e tudo o resto. Apenas se pede uma ação que proteja e valorize o rio e que conduza a um Tejo onde se nade e pesque, somente isto. Ou seja, políticas e práticas que contrariem o habitual “proibir” e incentivem o bom uso, pois o rio devolve-nos exponencialmente tudo o que por ele fizermos.

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turismo 2027

Depois da invasão espanhola na Páscoa apetece voltar a escrever sobre turismo. Bem ou mal o turismo toca em tudo o resto que se possa escrever; talvez por isto este tem sido, sem dúvida, o tema que mais tenho escrito nos últimos tempos. Recentemente saiu à luz o documento estratégico – não se sabe até quando(?); pelo menos desejamos que até este governo se mantenha em funções. Os próximos 10 anos de turismo em Portugal estão aqui bem estudados, é obra. Enquanto a quantidade for uma realidade quase tudo é fácil.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan