novo aeroporto

porque não acredito em estudos de impacte ambiental não me passou pela cabeça ler o Estudo de Impacte Ambiental do aeroporto do Montijo. Por um passado recente com responsabilidades no Tejo sei bem da importância ecológica do estuário deste rio. Olha-se para a seguinte fotografia e parece-me absurdo fazer ali um aeroporto:


entre centenas de perguntas com difícil resposta faço uma: quanto custa preparar geotecnicamente estes solos para suportarem uma pista?

entretanto temos o aeroporto de Lisboa:

esta fotografia foi tirada da janela da cozinha de uma pessoa amiga que vive no bairro de Alvalade em Lisboa. Em largos períodos do dia a periodicidade da passagem dos aviões é de três minutos. Há dias em que ela tem de sair de casa porque não suporta mais o incomodo. Dificilmente poderia haver uma pior localização para o principal aeroporto do país. Não nos esqueçamos localização do aeroporto de Faro…

em matéria de aeroportos é esta a triste realidade de um país que nos dizem exemplar!

catástrofe planetária

Catástrofe planetária e Greta

O risco de uma catástrofe planetária é cada vez maior; isto é uma enorme verdade. A coisa aparece com o nome de “alterações climáticas”. Quase tão grave como esta realidade é o que se tem feito e a forma como surge na casa de cada um: um folclore inconsequente, uma oportunidade política para sacar mais uns votos, ou até uma moda, como todas as outras que, tal como aparecem, da mesma forma se vão… Reparem que na atual campanha eleitoral todos os partidos, ou quase, têm cartazes verdes a aproveitar a onda… Haja paciência, mas não há. O ridículo chega ao ponto de ser uma garota, Greta, de um país rico a liderar a festa.

Outra verdade é o tema ser mais um excelente campo de negócio de milhões para os mesmos de sempre: os mesmos que aproveitaram outras modas e que viraram agora especialistas em clima. Um dos produtos deste negócio são os planos de ação contra as alterações climáticas; ridículos é pouco para os qualificar. Há-os para todos os gostos e não há terrinha que não tenha um pano destes. Data de 2006 um primeiro Programa Nacional para as Alterações Climáticas. São os nossos impostos que os pagam aos tais consultores e especialistas. Entretanto, por causa de mais uma cimeira, esta em Nova York, as últimas semanas têm sido muito animadas.

Há paciência para manifestações, greves e recados de garotas confortáveis na vida que fazem mais mal do que bem à causa? As ruas das cidades ficam cheias de gente a gritar com cartazes, a cimeira passa e, como todas as outras, “aos costumes disse nada”, ou seja, fica tudo na mesma – quem tem piscina tem, viaja de avião as vezes que lhe apetece a custo escandaloso e quem tem fome, fica com fome. Nada muda. Greves palermas para nada, a não ser para tranquilizar consciências. Será que o Ministro do Ambiente também faz greve?

Quantas cimeiras destas já houve? Quais foram os resultados? Depois de cada cimeira a coisa piorou e continua a piorar. Por cá, temos um modo de vida totalmente insustentável: consumimos limões do Chile e vamos ali a Londres por 30 euros. Como é compatível a sustentabilidade do planeta com o turismo que todos conhecemos, cada vez com mais intensidade e que se deseja mais e mais? Tenham vergonha, deixem-se de cimeiras e fiquem em “casa” a fazer o que devem.


as mentiras da sustentabilidade

Talvez por ter começado há muito tempo, também há muito tempo que esgotei a paciência para as mentiras da sustentabilidade. Tenham paciência mas não acredito que um grupo de criancinhas a plantar árvores seja coisa significativa pelo ambiente.  Tranquiliza a consciência do coletivo depredador. Há uns anos a ONU definiu um conjunto de objetivos para a sustentabilidade até 2030 e seguintes (ODS). Irrepreensível no papel, só no papel. Mais do que objetivos para o desenvolvimento sustentável são utopias para a sustentabilidade. A semana passada a mesma ONU divulgou uma espécie de resultados onde Portugal surge em lugar de destaque como bom aluno. Que enorme mentira, em tudo de mais elementar: intensidade energética, gestão da água, produção de resíduos etc. estamos cada vez pior, com toda a verdade. É muito preocupante que a ONU divulgue este tipo de relatórios, enganadores, que alimentam a máquina e não convidam a arrepiar caminho. Não passa de conversa e política, política que entre nós até serve para uns palermas impreparados formarem um partido com sucesso e, não sei onde, na Europa do norte, uma gaita de 17 anos se tornar leader de opinião. A coisa é de tal forma grave que ainda a semana passada o norte do país ardeu violentamente enquanto que a poucos quilómetros, em Valência, devido a enxurradas morreram pessoas e os prejuízos materiais, designadamente na agricultura, foram incalculáveis. A coisa é mesmo de emergência muito séria mas até esta palavra, emergência, perdeu sentido pela leviandade com que é usada e abusada.

Há várias formas de terrorismo, a mentira em matéria de clima e ambiente é uma, bem grave.      

amazónia

Amazónia, num repente, é o tema do dia de toda a gente. Como se fosse simples e como se todos tivessem a formação e informação suficiente para mandar palpites. Na verdade é assim com tudo. Perdoem-me, mas também tenho o direito de opinar. Interrogo-me, este jogo, sem regras, interessa a quem? Rapidamente penso no fogo de Pedrogão, aqui na nossa terra em direto na TV. Dois anos depois onde está o português que honestamente pode falar publicamente de Pedrogão com perfeito e total conhecimento da coisa? A Amazónia é só o maior e mais complexo ecossistema do planeta Terra, a cerca de 8 mil quilómetros de Lisboa. Quem pode, por dá cá aquela palha, mandar uns palpites? Simbolicamente a triste figura do colega Francisco Ferreira, dessa aberração que se chama Zero, é bem o retrato da coisa: solo, água, floresta, recursos minerais, fauna, flora, etc. fala-se de tudo sem se saber de nada. É o Bolsonaro que o justifica? O ridículo é tão grande que qualquer ignorante se arroga o direito de opinar.  Na verdade, pela sua importância global, a Amazónia “é de todos”, mais corretamente “interessa a todos”. Salvas as devidas proporções o maior lago artificial da Europa, o nosso Alqueva, é de todos, no mínimo dos nossos vizinhos espanhóis, certo? Imaginemos que os nossos parceiros, ou apenas os espanhóis pelo interesse mais direto e óbvio, encetavam uma campanha de opinião e de reclamação de tão importante e valiosa massa de água. Alguém acredita que o D. Afonso Henriques iria gostar? Haja paciência.


à beira mar plantados

era uma vez um povo que vivia num jardim à beira mar plantado.     brando clima, brandos costumes.                                                                       vida fácil, tudo a ajudar, até a história.                                                                até que num repente, no meio da floresta de iguais, surge um lobo mau, Sócrates.                                                                                                                                   contrariamente a que este povo pensa essa criatura não está só, tem muitos, mas muitos seguidores, e, muito importante: não surge do nada. pensavam que tudo se resumia a Sócrates?                                                                                                                         santa ingenuidade a deste povo; povo de onde emanam estas criaturas.   a candura imaculada deste Constâncio nunca inspirou confiança. tantos, mas tantos, iguais aí no ativo. Na verdade estes lobos, tipo Capuchinho Vermelho (Constâncio), são os mais perigosos.

by bike

Como, quase, todos sabemos estes tempos estão patetas e querem fazer de nós parvos. Na cidade onde vivo, do dia para a noite, aconteceu o 1º Encontro Nacional de Rotas e Infraestruturas Cicláveis. Ao que lá disseram a propósito do dia da bike (a bicicleta portuguesa) que a UNESCO instituiu (dia 3 de junho). Parece que andamos a fazer grandes descobertas e que usar a bicicleta é uma grande inovação – mobilidade sustentável, todos muito amigos do ambiente etc. Haja paciência. Num repente o transporte dos pobres virou uma inovação só possível aos mais abastados. Fiquei a saber que há uma empresa pública, Infraestruturas de Portugal Património (IP Património) dedicada à grande causa. Neste caso justificada pelas linhas de comboio e estações abandonadas que há uns anos se chamam Vias Verdes. Até quando é que vamos suportar que o nosso dinheiro seja assim estragado? Apesar do Encontro ser Nacional o que valeu a pena foram os exemplos que vieram de fora, designadamente de Espanha. O resto, por cá, é o faz de conta habitual, uma “família” de gente com o interesse nas bikes que governa a vida com a coisa. Como sempre. O presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta informou, com satisfação, que o Ministro das Infraestruturas criou um grupo de trabalho para por ordem na coisa: obviamente que ficamos todos a saber que nada se vai resolver.  Dois singelos exemplos, aqui do lado, mostram o ponto onde estamos. Numa serra despovoada da Andaluzia (como o nosso “desgraçado” interior) há uma destas vias verdes (Via Verde de la Sierra, está tudo na net) com cerca de 36 km que é gerida profissionalmente. Esta infraestrutura, via verde, criou 35 postos de trabalho diretos. Em Girona, na Espanha rica e povoada, foi criado o Consórcio das Vías Verdes de Girona, uma entidade pública de carácter associativo e de natureza institucional e local. O orçamento anual é cerca de um milhão de Euros e as receitas mais de três milhões. E por aqui me fico.

faz de conta…

um pacote de bolachas de 1,8 €, três embalagens, 3 materiais.

viva a charada do ambiente, sustentabilidade e outras tais.

um enorme faz de conta…

bandeira azul

Não nos podemos esquecer que em 2007 o Prof. Marcelo considerou Berardo a personalidade do ano. Este é mundo e o país onde vivemos e que aceitamos.

Enquanto isto, todos os anos por esta altura assistimos ao folclore da Bandeira Azul. Mais um ano que em batemos o recorde do número de bandeiras nas nossas praias.

Será que um dia ainda vamos saber as verdadeiras contas desta coisa?

Por princípio desconfio muito das certificações, selos e bandeiras… De todos os setores, o automóvel, é o mais exigente nesta matéria e o que mais certificações ostenta e exige. Lembram-se do que a aconteceu com a Volkswagen e com outras “respeitosas” marcas? Não preciso de mais nada para a minha generalizada desconfiança sobre este tema.

Durante anos, por funções dirigentes no Ministério do Ambiente, lidei de perto com a bandeira azul e com toda a corte à sua volta. Porque será que a Câmara Municipal de Cascais, desde há uns anos, ignora a bandeira a azul? As dezenas praias de Cascais perderam qualidade? Quanto custa esta fantochada a uma câmara municipal e quanto valeria se esse investimento fosse feito noutros aspetos como a segurança/vigilância? Suspeito que esta paranoia da bandeira bate recorde no nosso país. Em França vi praias com bandeira azul, poucas a têm, onde as pessoas passeiam de cavalo, imaginam isso por cá?

Quanto valeria um outdoor em Vilar Formoso, em Elvas, Vila Real ou na Portela,  do tipo: “País livre da Bandeira Azul” (as nossas praias são excelentes).

abril do Presidente

No 25 de abril ouvi o discurso do Presidente da República no rádio e percebi que é a melhor forma de compreender um discurso, foquemo-nos no essencial: nas palavras e no seu significado. Tenho pena de estar em desacordo com a maioria dos comentadores mas, lamentavelmente, ouvi um conjunto de lugares comuns sem significado de valor, aos costumes disse nada. Também sei que, infelizmente, muito poucos são os portugueses que compreende um discurso sobre qualquer coisa, ainda por cima quando se fala com alguma metáfora. Para os jovens de 74 (ele próprio) e os atuais nada se ouviu que fosse mobilizador. Pensei nos meus alunos, os jovens com quem mais lido, e suspeito que nada perceberam e que nada daquilo lhes interessa. Será que algum deles ouviu o Presidente? Vou-lhes preguntar. Impropriamente ouvi um conjunto de impossibilidades, até “sonhos impossíveis”, a última das coisas que tem impossíveis. Jovens com “sonhos impossíveis”? Povo e pátria com “sonhos impossíveis”? Era só mesmo o que faltava. Se aí chegássemos então podíamos mesmo arrumar as botas. Ouvi que devemos esperar mais da União Europeia e da CPLP. E de nós próprios, o que esperamos? Vamos esperar mais e melhor de nós próprios? Talvez valha a pena e talvez seja esse o (único) caminho. Na verdade há um principio, o da reciprocidade, que nos diz: só podemos esperar mais se dermos mais.

Do Presidente espera-se, na verdade, algo mais.  

políticos

Ferro Rodrigues: “Os políticos não podem ser tratados pior do que cães” (Público)

Comentário de Ana Cristina: “conversa de parvoíce, nunca fui roubada por um cão”


Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan