pobres mas contentes

… “justiça para quem trabalhou” e “trabalho para quem precisa”, há alguém que não precise? E, quem trabalhou foi injustiçado? Falta saber o essencial, onde está esse trabalho para quem precisa? Como aparecem essas oportunidades de trabalho? É com mais uma lei, um programa, uma medida que se consegue trabalho? Ou, por ora, com o “milagre do turismo”? Muito significativo é o salto civilizacional que é falar de trabalho e não de emprego. Faltarão agora, só, umas décadas para o resto: sabermos de onde vem o trabalho que todos necessitamos. Esperemos pois, para, naturalmente, todos chegarmos à boa conclusão e deixarmo-nos de mentiras. O  “enganados mas contentes” também é um rótulo que nos assenta bem.

Artigo completo no Diário da Região (Setúbal):

https://www.dropbox.com/s/woew6orzr0f213c/carlos%20cupeto%20-pobres%20e%20contentes%20-%20DR%2015%20jun%2018.pdf?dl=0

toussinho

todo o país o conhece e muitos tivemos  o privilégio de com ele aprender, é o Professor, grande mestre, Galopim de Carvalho, o “divulgador de saber”.

nos finais dos anos 70, depois da Politécnica arder, cheguei à Faculdade de Ciências num clima de grande agitação social e politica. Para um eborense tímido a coisa não foi fácil e deu em chumbo no 1º ano, disfarçado com a reestruturação do curso; uma verdadeira Bolonha em setenta, imaginem. Julgo que muito graças à visão de outro grande geólogo, Carlos Romariz, que já por cá não anda.

quando o Prof. Galopim me apareceu pela frente foi uma lufada de ar fresco, mais concretamente de afectividade e carinho, muito para além da geologia. Ouvi na 24 de julho, onde tínhamos aulas devido ao fogo, a minha língua materna, alentejano, de Évora onde o Professor nasceu. Pela primeira vez um professor dizia qualquer coisa que na sala só eu compreendia. Lembro-me, como se fosse ontem, o professor falou numa venda (taberna com mercearia), onde, em trabalho de campo, tinha almoçado.

ontem em Évora, na apresentação do seu mais recente livro (açordas, migas e conversas), com muitas histórias, o professor partilhou, como sempre, muito saber.

Isabel (revisora oficial): olha que toussinho é com c.

Galopim: leste chouriço? Não, então está bem.

esta é enormidade de Galopim de Carvalho, Isabel é a sua mulher.

nesta agitação permanente, de há muitos anos, em que vive o ensino, essencialmente para cumprir estatísticas, o Professor escreve, “o professor tem de ter arte (por vocação própria ou porque para tal foi formado) de levar os educandos a «a aprenderem a gostar de saber» … compete em grande parte, ao professor, conduzir o aluno nesses três sentidos; “aprender a gostar de saber”, o “dever cívico de estudar”e a “autoestima”. Oh Professor, tão longe que temos andado disto.

porque inteiramente merecida, uma referência ao Sr. Ludgero,  deveriam haver mais homens destes. Quando passar por Évora,  Moinho do Cú Torto, e nunca mais vai esquecer o seu almoço ou jantar.

bem haja Professor.

nota: aqui ao lado, na Azaruja, onde fiz a escola primária, tenho quase a certeza que tóicinho  é a forma correcta para dizer toucinho.

 

arrumar Portugal

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território 2018 – 2030, que está agora em cima da mesa, antes de ir para a gaveta até à próxima revisão, é uma excelente ferramenta que só por si, mesmo que apenas parcialmente implementado, iria tornar Portugal num país mais rico, próspero e harmonioso. É tão fácil, porque não o fazemos? A resposta a esta pergunta é bem simples mas fica para uma próxima oportunidade: o Portugal pobre mas contente.

Artigo completo:

https://www.dropbox.com/s/wr8lk09wozlyycz/carlos%20cupeto%20-%20arrumar%20Portugal%20%28PNPOT%29%20-%20DR%208%20jun%2018.pdf?dl=0

mais interior

O interior é aquela coisa a preto e branco, triste, envelhecida e pobre em oposição a outra, colorida, jovem, alegre e rica.

A diferença é a atitude das pessoas, moldadas durante muitos anos pela educação e cultura. E isto, meus amigos, não se altera com Movimentos e Programas.

Artigo completo no Público:

https://www.publico.pt/2018/06/07/sociedade/opiniao/mais-interior-1833439

regeobalização

Estou certo que a penúria e o descontentamento torna a governação mais fácil. Mais, determinado tipo de governação e política só são possíveis na miséria. Todavia, saibam que uma possível regionalização não é a magia para todas as nossas “mágoas”.

Artigo completo em:

https://www.dropbox.com/s/ej0vf6ppyr6qefy/carlos%20cupeto%20-%20regeobaliza%C3%A7%C3%A3o%20%20-%20Mirante%2007-06-2018.pdf?dl=0

 

restaurantes não são santuários…

[ultrapassar uma regra, quando inofensiva, sabe-me bem. O texto que se segue não é meu mas  merece estar no Otros Mundos]

Este texto é dedicado ao “Chef” Avilez, que estragou dois magníficos restaurantes, o Tavares e, principalmente, o Belcanto. E como esta praga não é nacional apenas, dedicado também ao Alain Ducasse, que assassinou o em tempos magnífico Louis XV, o restaurante (emblemático) do Hotel de Paris, em Monte Carlo. Felizmente, neste caso, pelo menos continua a magnífica garrafeira.

Restaurantes não são santuários…

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Portugal às voltas

O geógrafo Álvaro Domingues há muito que anda às voltas com Portugal. Veio a Évora apresentar o seu mais recente livro – Volta a Portugal – e aos costumes (quase) disse nada. Coisa rara de acontecer, o auditório na Universidade estava a abarrotar de gente, mesmo sendo hora de ir buscar os gaiatos à escola e passear o cão. Quando a coisa é bem divulgada e o tema é interessante, não falha. Há uns meses, quando o livro saiu, comprei-o e usei-o nas aulas de geografia. Facultei a obra aos meus alunos e incentivei-os a lerem. Foi particularmente útil ler os capítulos sobre o Alentejo e o Minho, escritos por outros que não o autor, e associar/comparar aos trabalhos de Orlando Ribeiro.

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desperdício

Uma das marcas do nosso mundo é o desperdício. Sendo a fome um flagelo que persegue centenas de milhões de pessoas, imagine-se o que significa um terço de todos os alimentos produzidos serem desperdiçados. E, quando desperdiçamos comida, esta não é a única coisa que é desperdiçada quando não é consumida: todos os recursos (como sementes, água, energia, etc.), o dinheiro e o trabalho necessários para produzi-los também são perdidos. A diminuição do desperdício alimentar começa nas compras. Comprar acertado é um ato que depende só de cada um e que se pode traduzir em considerável economia de recursos, designadamente dos euros de cada um.

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abrilada

Comemorar o 25 de Abril em Lisboa foi a escolha. Para fugir à confusão do dia os “novos” jardins Botânico e Cerco da Graça eram as hipóteses. A escolha caiu na Graça. O jardim é um espanto. Para além de turistas tinha gente que fazia de tudo um pouco, até de fato de banho a apanhar banhos de sol. Muito positivo um jardim vivo e vivido. Quanto dinheiro gasto há por este país que ninguém vive?  De resto, muitos turistas e obras, assim é Lisboa. Estamos em obras para os turistas. Quando esta febre passar, ou será que se julga que não passa?, veremos o que sobra e para quem sobra?

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queixume

Não parece, mas é verdade, todas as semanas penso em escrever coisas positivas e não reclamar. Mas o país não ajuda e as nossas cabeças estão muito mais dimensionadas para o “mal dizer”. É bem mais fácil. Muito mais fácil se ficarmos por aí e se não pensarmos em melhores alternativas: como fazer melhor?  O mundo seria muito mais feliz se andássemos todos pela positiva, a começar por mim. Alguém escreveu um dia que “o mundo é aquilo que vemos”. O queixume é dar força ao que não queremos; isto é, a coisa fica ainda pior. Na verdade, o principal actor da minha vida sou eu e por isso sou eu que decido os tons daquilo que vejo.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan