viva a animalidade

A forma como tratamos os animais é o perfeito retrato do que somos. No largo de  Santa Apolónia, em Lisboa, a estação ferroviária  onde muito se chega e parte, há um pequeno chafariz encimado por uma placa onde se pode ler: “os animais necessitam de mais humanidade”. Somos uma Humanidade que de “humanidade”, no melhor dos sentidos, pouco ou nada tem. Quanto mais conheço a humanidade, mais aprecio e admiro a animalidade.

Continue reading

o elefante do Tejo

E a montanha pariu um elefante. Um elefante que o Ministério do Ambiente (MA), o Governo e o Estado Português aceitam como se fossem pipocas na matiné do cinema. A nós, povo, cabe-nos assistir, impávidos e serenos, aos programas da impreparada Fátima Campos Ferreira – lembram-se do programa sobre o Alentejo diretamente de Reguengos de Monsaraz? Tejo: desde logo a coima de 12.500 €, à Celtejo, proposta pela Inspeção Geral do Ambiente, transformada numa advertência pelo tribunal, confirma a empresa como cumpridora da lei, isto é, das regras impostas pelo MA. Não bate certo já todos o compreendemos.

Continue reading

floresta, fogo e comissão

[comissão técnica independente: há “comissões técnicas” que não são independentes? ]

João Guerreiro, coordenador da Comissão Técnica Independente (CTI), afirmou duas coisas lapidares que há muito escrevi nestas páginas: i. “As autoridades de protecção civil não entenderam bem o que podia vir a acontecer”, se a protecção civil não entende quem entende? Para que serve então a Autoridade Nacional de Protecção Civil? ii. “É fundamental a profissionalização do combate e da primeira intervenção”, obviamente, uma guerra, como o fogo, não se combate com amadorismo “voluntário”.

Continue reading

ainda a floresta

Pelas razões que todos sabemos a floresta continua na ordem do dia. Pode parecer um paradoxo, mas para escrever sobre floresta vou-me fixar na nossa magnífica capital, Lisboa. É verdade, Lisboa tem uma floresta magnífica e admirável que devia servir de exemplo para todo o país. Mais, o exemplo do Parque Florestal de Monsanto pode e deve constituir motivo de orgulho para todos nós. Saibam que qualquer desses emblemáticos parques verdes, mais ou menos urbanos, que as grandes capitais mundiais exibem e que todo o mundo conhece, até pelo cinema, são ridículos quando comparados com Monsanto. No meu tempo de menino, ir a Lisboa visitar o Jardim Zoológico era um sonho de todas as crianças. Pois bem, o Zoo que me desculpe, mas Monsanto está muito à frente. O sonho das crianças e pais de hoje devia associar Monsanto ao Zoo.

Continue reading

água

“o ministro do ambiente julga que é dono da água”, afirma o presidente da CAP ao jornal Público.
é forte mas é verdade; não está em causa a postura do MA.
a verdade é, quem manda na água são os agricultores que consomem 80% da água em Portugal. nesta e noutras matérias o MA é uma figura decorativa.
numa sociedade do futuro, com”nível de consciência superior” o ambiente é intrínseco a todos os sectores e o MA não tem razão de existir. Em boa verdade, se pensarmos um pouco, talvez já assim seja.

av. s joão de deus (évora)

A conhecida e importante avenida eborense reúne características únicas, eventualmente merecedora de algum tipo de classificação distintiva, como tanto se gosta por esta terra. Com este belo exemplo bem pode a autarquia exigir tudo e mais umas botas dos cidadãos. A S. João de Deus é a pior e mais perigosa avenida do país, é a pior e mais ridícula Estrada Nacional (no caso, um Itinerário Principal – IP2) e é o mais caricato e original corredor de hospital do mundo. Com tanta coisa boa só podemos estar orgulhosos. Mesmo para um eborense a boníssima artéria é difícil de compreender, como é possível uma coisa destas na cidade UNESCO candidata a capital europeia da cultura?

Continue reading

mato limpo

O Governo manda fazer o que não faz, ou seja, que o cidadão limpe o mato nas suas propriedades. Manda fazer em pouco tempo o que não fez durante anos. O típico “casa arrombada tranca na porta”.

A realidade é um interior despovoado onde predominam velhos. De resto, são emigrantes e imigrantes de difícil contacto e que por isso dificilmente vão cumprir o dever. Segundo quem melhor conhece o território, os autarcas, é tarefa impossível. Na verdade, o que se tem de fazer é um trabalho de anos, quase de reestruturação total de ordenamento do campo. Mas para isso são necessárias pessoas, que ocupem e que façam e tirem riqueza do campo. Isso só é possível, como sempre, se o campo for valorizado. Como em tudo, a valorização do campo não vai acontecer por decreto, será um processo lento, essencialmente por mudança do “nível de consciência dos portugueses”. Ora, isto é lento, muito lento, e custoso.

Continue reading

vergonha de Simplex

O Governo aproveitou a Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) para, com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo, anunciar a simplificação do licenciamento de actividades na área do turismo. Muito mais do que este anúncio, o que todos queremos é que isto seja uma realidade em todo o país e em todos os sectores. Um amigo, empresário de sucesso, diz-me muitas vezes: “Carlos, só quero que me deixem trabalhar.” Na verdade, não é pedir muito. É um grito de desespero de quem conhece a realidade do licenciamento no nosso país.

Continue reading

congresso nacional da água no jornal Expresso

Mais um congresso, para novos desafios? Que desafios? Que novos desafios são estes? Renovar e adaptar normas, regulamentos e legislação? Mais legislação? A Directiva Quadro da Água não chega? Mais reuniões, congressos, seminários e todo o tipo de eventos relacionados com o tema? Há alguma semana em que isso não aconteça?

E depois, o que fazemos com os estudos e conclusões dos congressos. Os recentes acontecimentos do Tejo respondem.

Texto completo no jornal Expresso:

https://www.dropbox.com/s/jx2c1w13efaoic6/c%20cupeto%20-%20recursos%20h%C3%ADdricos%20-%20Expresso%20-%2010%20de%20mar%C3%A7o%202018.pdf?dl=0

sustentabilidade insustentável

Para além de tudo o resto o modo de vida a que chegámos é uma mentira maior que este mundo, conveniente para uma ínfima minoria.

A seca que vivemos em Portugal é uma boa oportunidade para tornarmos a conversa em coisa séria.

Hoje no jornal Público:

https://www.publico.pt/2018/02/23/sociedade/opiniao/sustentabilidade-insustentavel-1803240

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan