miséria

in: Público, 9 jul 2020

agora

é agora

Portugal, onde estás?

minas para quê?

sim, sim, um país carregado de hipocrisia mas “livre” de petróleo e de minerais/metais.
vamos acabar com os pacemaker, certo?
se os metais vierem de longe não tem problema?
com o petróleo idem.
ainda acreditamos nos estudos de impacte ambiental?

https://www.dropbox.com/s/q8li2ohnu8dm6h6/avalia%C3%A7%C3%A3o%20ambiental%20-%20Expresso%20-%2022%20dez%2018%20-%20carlos%20cupeto-pages-35.pdf?dl=0


grande aposta nacional esta de pobres mas honrados, perdão, patetas e vigaristas.

casta alentejana

Henrique Monteiro (Expresso, 20 jun 2020)

Orlando Ribeiro, se não se importam, o maior geógrafo português de sempre, explica o que somos pelo terroir, isto é, pela geologia e clima da terra que nos vê nascer. Na verdade, o minhoto é diferente do alentejano como ele exemplifica. Somos a terra onde nascemos e vivemos. Se não perceber isto paciência. Sou alentejano e assim serei até ao fim; diferente dos algarvios, dos louros da Holanda e dos pretos de África. Somos todos diferentes. Aqui, no Alentejo, sobretudo a seguir ao almoço o ritmo de trabalho não pode ser elevado. Se não compreende lamento; os conterrâneos da Merkel que venham cá experimentar uma semana e depois conversamos. Não quero os queijos franceses, as pizas italianas, os vinhos da Toscana ou os 5 jotas espanhóis; quero os queijos do Cano, os chouriços de Estremoz, o presunto de Barrancos, o vinho da Vidigueira e o azeite de Moura. Isto, e tudo à volta, é o melhor do mundo para o meu modo de vida na terra onde nasci. Por isto e muito mais, sou um obcecado pelo up local, não agora, desde sempre. Eu sou, e a vida que tenho é o que Sou, nem mais nem menos. Contrariar isto é contra a Natureza; o resultado começa a ser demasiado inequívoco para ser negado. Quero ser rico, ser feliz, na terra onde nasci, honrando a cultura e os saberes dos meus antepassados. Pode ser?

política

13 de maio é 13 de maio.
a política voltou em boa hora.
os grandes estadistas que nos governam afinal enganam-se uns aos outros;
com o dinheiro dos nossos impostos.

abril, sempre

Aquando do estado de emergência fiquei surpreendido por muitos sentirem que  poderia estar em causa a “sagrada família” da democracia de abril: direitos, liberdades e garantias.  Uma ameaça à democracia gritaram, considerei um despropósito. Todavia, sou agora obrigado a reconhecer que eles tinham razão. Os Órgãos de Soberania que nos impuseram e confinaram no Estado de Emergência ameaçam e põem em risco a democracia. Se assim não fosse haveria necessidade de agora comemorar abril na Assembleia da República? Uma iniciativa ao arrepio de tudo o que nos foram contando, contra tudo e todos. Todas as contraindicações, que me abstenho de enumerar, são tantas, estão vinculadas à festa programada e anunciada. Revolta-me não ter a liberdade de comemorar como entendo com os meus amigos. Vislumbro, apenas, duas razões que justificam tamanho absurdo. Pesa-lhes a consciência pelo confinamento antidemocrático a que nos submeteram e, assim, com esta “festinha” dão-nos uma espécie de compensação. Ou, pior ainda, os Órgãos de Soberania, sabem que o descontentamento do povo é tanto (corrupção, decadência dos serviços públicos, pobreza, etc.) que ao fim de 46 anos de democracia sentem a necessidade incontornável de assinalar a data, não vá a malta esquecer-se. Seja como for muito mal vai a coisa. Vamos lá explicar, porque razão, por esse país fora o povo (quem mais ordena) não poderá fazer as festas que muito bem entenda?

Talvez fosse bom, e uma salvaguarda da democracia, o povo começar a pensar pela sua própria cabeça.

Juntos venceremos e a reação não passará.

e agora?

Neste mar de dúvida, medo e incerteza devemos apostar no mesmo caminho que nos trouxe até aqui?

Toda a retórica diz-nos que devemos retomar quanto mais depressa melhor. Retomar, é mais do mesmo: 225 mil voos num só dia. Milhões de pessoas em trânsito numa vida, que está na “nuvem”, sem custos, low cost. Como se a vida fosse digital. Vai-se a um supermercado e compra-se, em qualquer altura do ano, um frasco enorme de pimentos assados (que a nada sabem) por menos de 2€. Este valor não paga o vidro do frasco, o rótulo, a tampa de metal. Vale a pena pensar em todos os outros valores e o que pagamos por eles?

E agora?

Obviamente que as centenas de milhar de camas dos hotéis espalhados pelo país não podem ficar vazias de um dia para ou outro. A transição, quando estivermos dispostos a fazê-la, ou formos obrigados, não será fácil e levará anos. Mais uma razão para começar já. O up global tem que dar lugar ao up local; mesmo que o não queiramos. Portugal tem de ter a sua própria agenda. Temos camas a mais e gente a menos: fácil de resolver, quando o problema da Terra é gente a mais. Uma equação muito fácil. Estamos na hora de uma grande reflexão pessoal e coletiva. Desde logo temos de voltar a um tempo que tenha “tempo” para as estações do ano, tempo para viver.

É tempo dos valores e da ética, de aprender com os erros e ter a coragem de mudar, mesmo que seja ao revés de muitos dos outros. A aposta nos nossos próprios recursos. Devemos apostar num turismo de alto valor, porque temos um capital natural único e muito geobiodiverso, um caminho de longo curso. Quase o oposto das “carradas de turistas depredadores” que nos invadiram. O nosso sonho tem que contar, essencialmente, com o que temos à porta de casa, o up local. Temos de vencer a ignorância e a falta de cultura e empreender uma revolução. Enquanto tratamos das emergências do momento, este tempo tem de servir para desenhar o futuro que queremos.

Ou queremos que fique tudo na mesma?

eutanásia, referendo

80% das respostas erradas nos exames na universidade devem-se aos estudantes não saberem interpretar a pergunta.
diga-se, também, que muitos, mas muitos, professores não sabe escrever. 
como vou perguntar um assunto tão complexo ao povo de onde emana esta classe universitária?

Évora – Arraiolos; Cascais – Oeiras, etc.

O concelho de Arraiolos não faz qualquer sentido. Obviamente que como este há muitos mais por esse país fora. Apenas mais alguns exemplos: Castelo de Vide,  Marvão e Portalegre deviam ser só um concelho; Estremoz, Borba e Vila Viçosa igual; Arronches, ali encostado a Elvas é uma aberração como Arraiolos. Cuba e Vidigueira; e o que dizer de Alvito? Antes de voltar a Arraiolos,  saiba-se que não é só por cá, Cascais e Oeiras é uma estupidez, por esse país fora há muitos, mas muitos exemplos estúpidos, verdadeiramente estúpidos porque não servem a ninguém nem a nada.

É assim porquê? Porque quando nascemos já assim era? E, para quê? Para que os pequeninos enormes poderes locais da partidocracia possam existir. Já se está a ver no que ia dar a regionalização. Qual é a principal consequência disto? Ineficácia na gestão do território e dos recursos disponíveis, que, consequentemente conduz a miserável pobreza.

Arraiolos tem tudo e não tem nada. Tem tudo porque tem patrimónios (arte, cultura, saberes, etc.), não tem nada porque lhe falta gente e economia, vida. Évora a 20 quilómetros está carregada de turistas, apesar de a maioria descer e subir a rua da Républica ou do Raimundo em 30 minutos. Arraiolos como um produto integrado com Évora (a que falta um verdadeiro castelo) terá um enorme sucesso. Um mine-bus gratuito, num vai-vem permanente  entre a cidade e a vila em menos de 30 minutos serve turistas e moradores. Serve também estudantes da Universidade que não têm alojamento em Évora. Arraiolos é o castelo, os tapetes, o museu, os pasteis de toucinho, etc. que Évora não tem. É a pequena vila/aldeia exemplar que em muitos países estaria atafulhada de gente. Mas há também uma vergonhosa ecopista que liga as duas terras. Esta excelente infraestrutura está subaproveitada e é ignorada por quem nos visita. Não precisamos de passar a fronteira, vejamos excelentes exemplos no Minho, Beiras ou Trás -os – Montes. Ciclovias bem promovidas, muito melhor infraestruturadas que se traduzem em produtos turísticos de grande valor e riqueza.

Não percebem ou não querem perceber?

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan