as mentiras da sustentabilidade

Talvez por ter começado há muito tempo, também há muito tempo que esgotei a paciência para as mentiras da sustentabilidade. Tenham paciência mas não acredito que um grupo de criancinhas a plantar árvores seja coisa significativa pelo ambiente.  Tranquiliza a consciência do coletivo depredador. Há uns anos a ONU definiu um conjunto de objetivos para a sustentabilidade até 2030 e seguintes (ODS). Irrepreensível no papel, só no papel. Mais do que objetivos para o desenvolvimento sustentável são utopias para a sustentabilidade. A semana passada a mesma ONU divulgou uma espécie de resultados onde Portugal surge em lugar de destaque como bom aluno. Que enorme mentira, em tudo de mais elementar: intensidade energética, gestão da água, produção de resíduos etc. estamos cada vez pior, com toda a verdade. É muito preocupante que a ONU divulgue este tipo de relatórios, enganadores, que alimentam a máquina e não convidam a arrepiar caminho. Não passa de conversa e política, política que entre nós até serve para uns palermas impreparados formarem um partido com sucesso e, não sei onde, na Europa do norte, uma gaita de 17 anos se tornar leader de opinião. A coisa é de tal forma grave que ainda a semana passada o norte do país ardeu violentamente enquanto que a poucos quilómetros, em Valência, devido a enxurradas morreram pessoas e os prejuízos materiais, designadamente na agricultura, foram incalculáveis. A coisa é mesmo de emergência muito séria mas até esta palavra, emergência, perdeu sentido pela leviandade com que é usada e abusada.

Há várias formas de terrorismo, a mentira em matéria de clima e ambiente é uma, bem grave.      

sustentabilidade do Alentejo

Uma improvável jornada na rentrée promovida pela Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central (CIMAC), sobre a estratégia de desenvolvimento do Alentejo para 2027, confirma o estranho que estes tempos são. Antes da ordem do dia uma palavra para os técnicos da CIMAC que, apesar do contexto difícil e apertado mostram entusiasmo.

A coisa começou bem quando alguém apelida esta nossa terra de “território virtuoso”. O resto tudo demasiado parecido como se fosse há 20 ou 30 anos. Mais ou menos os mesmos temas de sempre, nada de novo. Até os indicadores mais verdadeiros, como a taxa de resíduos per capita, continuam vergonhosos, mesmo que o Ministro Matos Fernandes e, sobretudo, o Dr. Costa nos contem o contrário. Pelo rácio produtividade/resíduo, podemos concluir que cada vez trabalhamos pior e que por isso mesmo somos mais pobres. Custa mas é verdade. O que se aprendeu entretanto? Novo é o sucesso (?) do “abençoado” turismo do nosso contentamento que mais uma vez muito me surpreendeu: então não é que apesar de tanto sucesso o sector exige dinheiro público para se promover? Coisa estranha esta de um vendedor de castanhas assadas na Praça do Giraldo, com sucesso, exigir à Câmara, isto é, a todos nós, que pague a publicidade do seu negócio…

De resto a grande novidade são as alterações climáticas. Excelente chapéu para todos os enganos. Apesar das previsões apontarem para uma redução significativa da disponibilidade de água, a coisa resolve-se com mais regadio. Ainda por cima mais regadio em culturas tradicionalmente não regadas como a vinha e o olival. Coisa estranha, parece uma história para crianças do infantário. “Pinta-se” a coisa de verde e já está… Os tempos são difíceis e por isso mesmo espera-se qualquer coisa de melhor. Há coragem para isso? Os poderes políticos regionais, sobretudo os dos partidos que ocupam os ministérios de Lisboa, vivem pacificamente com as enormes contradições entre o discurso e a realidade?

E quando a verdade nos bater à porta e entrar?

amazónia

Amazónia, num repente, é o tema do dia de toda a gente. Como se fosse simples e como se todos tivessem a formação e informação suficiente para mandar palpites. Na verdade é assim com tudo. Perdoem-me, mas também tenho o direito de opinar. Interrogo-me, este jogo, sem regras, interessa a quem? Rapidamente penso no fogo de Pedrogão, aqui na nossa terra em direto na TV. Dois anos depois onde está o português que honestamente pode falar publicamente de Pedrogão com perfeito e total conhecimento da coisa? A Amazónia é só o maior e mais complexo ecossistema do planeta Terra, a cerca de 8 mil quilómetros de Lisboa. Quem pode, por dá cá aquela palha, mandar uns palpites? Simbolicamente a triste figura do colega Francisco Ferreira, dessa aberração que se chama Zero, é bem o retrato da coisa: solo, água, floresta, recursos minerais, fauna, flora, etc. fala-se de tudo sem se saber de nada. É o Bolsonaro que o justifica? O ridículo é tão grande que qualquer ignorante se arroga o direito de opinar.  Na verdade, pela sua importância global, a Amazónia “é de todos”, mais corretamente “interessa a todos”. Salvas as devidas proporções o maior lago artificial da Europa, o nosso Alqueva, é de todos, no mínimo dos nossos vizinhos espanhóis, certo? Imaginemos que os nossos parceiros, ou apenas os espanhóis pelo interesse mais direto e óbvio, encetavam uma campanha de opinião e de reclamação de tão importante e valiosa massa de água. Alguém acredita que o D. Afonso Henriques iria gostar? Haja paciência.


HD, otro mundo

otros mundos

este mundo é muito igual a otros. depois de uma pausa, sem razão, apenas porque sim, ou não porque não, otros mundos volta.

na verdade todos os dias há razão para escrever otros mundos.

ou o escrevemos, ou não.

a Essência É, não necessita de justificação, estudo ou investigação, tão comuns no nosso tempo e que, a mais das vezes, para nada servem além de justificar os recursos gastos, mal gastos.

escrever porquê? escrever para quê? dizem alguns: escrever para viver; escrever para partilhar; escrever para o próprio. um famoso escritor escreveu que escrevia para ele…

escrever porque SIM…

à beira mar plantados

era uma vez um povo que vivia num jardim à beira mar plantado.     brando clima, brandos costumes.                                                                       vida fácil, tudo a ajudar, até a história.                                                                até que num repente, no meio da floresta de iguais, surge um lobo mau, Sócrates.                                                                                                                                   contrariamente a que este povo pensa essa criatura não está só, tem muitos, mas muitos seguidores, e, muito importante: não surge do nada. pensavam que tudo se resumia a Sócrates?                                                                                                                         santa ingenuidade a deste povo; povo de onde emanam estas criaturas.   a candura imaculada deste Constâncio nunca inspirou confiança. tantos, mas tantos, iguais aí no ativo. Na verdade estes lobos, tipo Capuchinho Vermelho (Constâncio), são os mais perigosos.

pobreza

esta é uma micro estória de pobreza em que os portugueses aposta e, em particular, os alentejanos acreditam:

” ALENTEJO O Bloco de Esquerda está contra a prospeção de ouro e outros minerais nos concelhos de Évora, Montemor-o-Novo e Vendas Novas.”

by bike

Como, quase, todos sabemos estes tempos estão patetas e querem fazer de nós parvos. Na cidade onde vivo, do dia para a noite, aconteceu o 1º Encontro Nacional de Rotas e Infraestruturas Cicláveis. Ao que lá disseram a propósito do dia da bike (a bicicleta portuguesa) que a UNESCO instituiu (dia 3 de junho). Parece que andamos a fazer grandes descobertas e que usar a bicicleta é uma grande inovação – mobilidade sustentável, todos muito amigos do ambiente etc. Haja paciência. Num repente o transporte dos pobres virou uma inovação só possível aos mais abastados. Fiquei a saber que há uma empresa pública, Infraestruturas de Portugal Património (IP Património) dedicada à grande causa. Neste caso justificada pelas linhas de comboio e estações abandonadas que há uns anos se chamam Vias Verdes. Até quando é que vamos suportar que o nosso dinheiro seja assim estragado? Apesar do Encontro ser Nacional o que valeu a pena foram os exemplos que vieram de fora, designadamente de Espanha. O resto, por cá, é o faz de conta habitual, uma “família” de gente com o interesse nas bikes que governa a vida com a coisa. Como sempre. O presidente da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta informou, com satisfação, que o Ministro das Infraestruturas criou um grupo de trabalho para por ordem na coisa: obviamente que ficamos todos a saber que nada se vai resolver.  Dois singelos exemplos, aqui do lado, mostram o ponto onde estamos. Numa serra despovoada da Andaluzia (como o nosso “desgraçado” interior) há uma destas vias verdes (Via Verde de la Sierra, está tudo na net) com cerca de 36 km que é gerida profissionalmente. Esta infraestrutura, via verde, criou 35 postos de trabalho diretos. Em Girona, na Espanha rica e povoada, foi criado o Consórcio das Vías Verdes de Girona, uma entidade pública de carácter associativo e de natureza institucional e local. O orçamento anual é cerca de um milhão de Euros e as receitas mais de três milhões. E por aqui me fico.

faz de conta…

um pacote de bolachas de 1,8 €, três embalagens, 3 materiais.

viva a charada do ambiente, sustentabilidade e outras tais.

um enorme faz de conta…

sismo de 1969

E se fosse hoje? Esta é a pergunta. Portugal é um país, naturalmente, perigoso e cada vez mais o será. O país é perigoso devido à sua localização geográfica (incluindo uma coisa que se chama geodinâmica interna; neste caso a perigosidade vem-nos da “localização tectónica”), à sua geodiversidade, ao seu clima e à sua exposição atlântica. Com este contexto, a probabilidade de acontecerem fenómenos naturais perigosos é elevada.

Na Conversas de Cesta, Luís Lopes, professor na Universidade de Évora vai conduzir a conversa à volta deste importante assunto.

Domingo, dia 26, 18:00, no Junqueiro (Parede/Carcavelos).

Sinta-se convidado e convide.

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan