geologia no presente

Dia 1 de setembro às 18 horas em Portugal.

sardinhada

No tempo dos ridículos do corona e do país corrupto só me interessa tudo o resto; neste tempo de verão, as sardinhas assadas no topo, uma das mais valias que nos distingue superiormente. De Setúbal a Matosinhos não faltam catedrais. Deus abençoou-me com o privilégio de ter amigos em Setúbal, Sesimbra, Ericeira, Peniche e Nazaré, entre outros terroirs. Sim, o mar é igual à terra, tem terroir. O vinho é igual ao peixe. As maçãs iguais às batatas, o lugar é determinante. Em qualquer destas terras come-se o melhor peixe do mundo, coitados dos que não sabem ou não o podem saborear. A sardinha é o peixe da época. Os meus amigos de Setúbal, sobretudo o Fernando e o Jorge, e de Peniche, o Tó Zé, o presidente da câmara que pôs Peniche no mapa mundial do surf, que me perdoem, mas as melhores sardinhas assadas do mundo e arredores estão em Évora.

Não é por acaso, a coisa tem história com quase 100 anos. Nessa época, um casal, ali da Igrejinha e Graça do Divor, instalou-se na Rua do Inverno, 5 (965 155 939) e abriu a Taberna do Pita, alcunha de José dos Santos Pisco, o avô do Nuno. Depois do avô passou o Joaquim dos Santos Pisco, o pai do Nuno.  A coisa tem mesmo história, verdadeira e genuína, que o Nuno neste tempo honra da melhor forma: tudo o que serve é muito bom. Vem isto a propósito das sardinhas assadas que o neto do Pita serve e levam ao céu todos os comensais de bom gosto. Para além da qualidade dos bichos o Nuno sabe assar, faz uma salada divina e serve um Antão Vaz estupidamente gelado que compõe o ramalhete. Se faz favor guarde este segredo.

kamarada

Festa do Avante, todos à festa.
kamarada o sol quando nasce é para nós.

o futuro do passado

O “futuro do passado” não é meu mas ajusta-se perfeitamente aos infinitos ridículos mentirosos a que vamos assistindo no presente. Nunca como agora é essencial pensarmos pelas nossas cabeças. Leitor, por si e pelos seus mais queridos, por favor, pense pela sua cabeça. Na verdade “não vemos as coisas como são: vemos as coisas como somos”(Anais Nin, 1903-1977, escritora francesa). Neste tempo de crise, isto é, de oportunidade, segundo a ancestral língua e saber grego, o essencial é um apelo à verdade. Poucos ou nenhuns estão interessados em esquerda-direita, queremos é viver em segurança. A minoria, muito minoria, privilegiada, que vive da politica, sim, esses esses sim interessam-se pelas aparentes questões “esquerda-direita”. Segurança é a palavra mais importante. E deixem-se de mentiras democráticas tipo “vamos ficar todos bem”, “ninguém pode ficar para trás”. Democracia é a última palavra que este vírus conhece; não querem? Paciência, é assim. Os arautos da democracia, juízes da santíssima trindade, direitos, garantias e liberdades, não se questionam? Uma miragem mentirosa e conveniente para nos manipularem. Talvez fosse uma boa oportunidade para lhes explicar o excelente momento para começarmos a assumir os deveres. Será que eles têm deveres? Onde fica a verdade que a crise nos exige?  É bom gozar a liberdade, quem a pode ter, mas é incontornável validá-la com a responsabilidade perante os outros. Será que os juízes do “certo-errado” (esquerda – direita) nos deixam acreditar em nós próprios, nos nossos recursos e na nossa capacidade para criar riqueza? A verdade, isto é, a crise, exige-nos que deixemos de assobiar para o lado, a olhar para Bruxelas e a esquecer significativas franjas do submundo português que diariamente navegam à tona da miséria para sobreviver. São milhões os portugueses reféns da pobreza à espera da caridade pública e privada. Com ou sem mala de cartão, cada vez mais distantes da sua terra, os melhores partiram. Não nos interrogamos? Dizem-nos que foi a troika e dormimos todos bem? Que raio de fatalismo é este que nos obriga a ser pobres? Sem estudos, estratégias e consultores, que já nada acrescentam e só servem para entornar muitos milhões em cima dos problemas, uma boa verdade seria escolher sermos remediados e felizes na terra onde nascemos e que amamos, honrando a cultura e os saberes dos nossos antepassados. Pode ser?

descentralização

esta é vergonha de democracia e valores a que chegámos; só não vê quem não quer.
(Público, 8 agosto 2020)

Ventura & BoaVentura

https://www.publico.pt/2020/07/11/politica/opiniao/higienizacao-academica-racismo-fascismo-chega-1923953

sim, somos todos racistas e outras coisas muito piores se não pensamos como eles.

estes Srs. “juízes da moral e da democracia” é que sabem da poda e nos dizem o que é “bom e mau”.

entre o Ventura e Boaventura Sousa Santos (das coisas mais sinistras que por aí anda) venha o diabo e escolha – posso ter esta opinião?

miséria

in: Público, 9 jul 2020

morangueiro (por Miguel Boieiro)

O que vou contar parece inverosímil face às mudanças sociais, culturais, económicas, tecnológicas e políticas que entretanto se verificaram e continuam a verificar. É bom recordar para atentar bem de onde viemos e para onde vamos. Tinha este cronista 12 anos e nunca havia saboreado morangos nem sequer sabia o que eram dióspiros, kiwis, ananases, abacates, anonas e outras espécies que agora são comuns nos supermercados em todas as épocas do ano. No inverno tinha algumas laranjas e tangerinas que caíam no chão porque as colhidas na árvore eram muito caras. Bananas, só quando alguém ia à cidade. Na primavera já se colhiam peras, damascos e ameixas. Também havia maçãs riscadinhas que os palmelões vinham vender porta-a-porta. No verão e no princípio do outono é que tínhamos fartura de figos e uvas. Ora um belo dia primaveril, lembro-me como se fosse hoje, vi na montra da Frutaria Polar um morango vermelho, carnudo, atraente, fotogénico, provocante. Custava dez tostões. Uma fortuna, naquela altura! Guloso, como sempre fui, nesse dia não resisti. Sacrifiquei parte da quantia que tinha para o almoço e comprei o tal morango. Confesso que fiquei desiludido. Tinha-o imaginado muito doce e saiu um fruto meio ácido que, num ápice, desapareceu na minha ávida goela.

Era assim a vida! Nas terras arenosas e galegas onde vivia, ainda não se dominava o regadio e a cultura dos morangos não era conhecida. Os pobres consideravam os morangos como algo de sofisticado e coisa de gente fina. Bem sei, que esta prosa pode ser esquisita à luz das realidades atuais, mas tenham paciência! Apeteceu-me iniciar desta forma a croniqueta sobre o morangueiro.

Entre a extensa e variada literatura que existe sobre os morangos, escolhi o Caderno Naturista da coleção “Alimentos que Curam”, dirigido por Nicolas Capo do Instituto de Trofoterapia de Barcelona, publicado em 1971, na sua 2ª edição. Logo na capa do pequeno caderno escreve o ilustre Professor: O morango é muito medicinal e rico em vitaminas. Convém aos doentes do fígado, rins, estômago, da prisão de ventre, reumatismo, gota, anemia, doenças dos ovários, etc. É um manjar dos deuses, morangos com mel e natas; embeleza o rosto e a pele e é um elixir de juventude.

Parece estar tudo dito para que os morangos sejam mimados. Vamos, no entanto, aduzir mais alguns ensinamentos.

Acontece que a Fragaria vesca, espécie silvestre euroasiática é uma herbácea perenifólia e estolonífera (com rizomas) da família das Rosaceae. Tem folhas tripartidas, com margens dentadas, levemente pilosas na parte de baixo. As flores hermafroditas, com cinco pétalas obovadas, são brancas e, por vezes, rosadas. A polinização é feita por insetos, principalmente por abelhas e o período de floração é longo. Dizem os especialistas que o morango é tecnicamente um pseudofruto já que provém de um recetáculo floral desenvolvido que apresenta pequenos pontos verdes ou pretos e que são esses os verdadeiros frutos. A multiplicação da planta faz-se essencialmente através de estalões (guias) enraizados.

A tal Fragaria vesca com frutos muito pequenos, após sucessivas manipulações e cruzamentos genéticos originou as espécies híbridas que encontramos nos mercados. Há hoje mais de 20 espécies com ampla distribuição em zonas temperadas e subtropicais. Julga-se que a Fragaria x ananassa é a que gera morangos maiores e mais carnudos que não são necessariamente os melhores, mas como os olhos comem primeiro…

Os morangos contêm vitaminas B5, B6 e C, betacaroteno, fósforo, potássio, cálcio, ferro, selénio, magnésio, ácido fólico, cítrico e málico, pectinas, fibras, hidratos de carbono, antioxidantes…

Entre as propriedades medicinais, para além das já mencionadas, refere-se que são estimulantes do apetite, diuréticos, antirreumáticos, alcalinizantes, auxiliares da circulação sanguínea, fortalecedores dos ossos, redutores dos problemas cardiovasculares, têm ação anticancerígena, etc. A infusão das folhas alivia inflamações e catarros respiratórios e em gargarejos afasta o mau hálito. O “chá” das raízes é bom para debelar problemas da boca e da garganta. Os morangos amassados fornecem ótimas cataplasmas para curar chagas, feridas e queimaduras. Em banhos de imersão são calmantes. Entram também na elaboração de cremes para a cútis, reduzindo manchas e sardas.

Na culinária, especialmente na doçaria, os morangos são altamente versáteis. O professor Capo elenca no seu caderno algumas dezenas de receitas naturistas, recomendando que não convém comer morangos como sobremesa e não se devem misturar com hortaliças, saladas, gorduras, fritos, vinagre e bebidas alcoólicas.

Acrescente-se que as folhas tenras do morangueiro são comestíveis.

A terminar, uma precaução muito importante: sendo o morangueiro uma planta rasteira sempre em contacto com o solo, os seus frágeis frutos podem contaminar-se facilmente. Deste modo, convém ter muita atenção acerca da sua proveniência e preferir sempre os que são de cultura biológica.

agora

é agora

casta alentejana

Sou independente, democrata liberal que presa a liberdade individual e a responsabilidade perante os outros;  somos todos iguais nos direitos e nos deveres. Entre outras, há duas coisas que me custam: conversar com alguém que se julga dono da “verdade” e ser politicamente correto, só porque sim.

Orlando Ribeiro, o maior geógrafo português de sempre, explica o que somos pelo terroir, isto é, pela geologia e clima. Se é assim com vinho e com tudo o resto porque não seria com os humanos? Na verdade, o minhoto é diferente do alentejano como Orlando Ribeiro exemplifica. Somos a terra onde nascemos e vivemos. Se não perceber isto paciência. Sou branco, moreno, quase meio “aciganado”, alentejano e assim serei até ao fim; diferente dos algarvios, dos louros da Holanda e dos pretos de África. Somos todos diferentes. Aqui, no Alentejo, sobretudo a seguir ao almoço o ritmo de trabalho não pode ser elevado. Se não compreendem, os conterrâneos da Merkel que venham cá experimentar uma semana e depois conversamos. Não quero os queijos franceses, o vinho de Bordéus, as pizzas italianas ou os 5 jotas espanhóis; quero os queijos do Cano, os chouriços de Estremoz, o presunto de Barrancos, o vinho da Vidigueira ou Borba e o azeite de Moura. Isto, e tudo à volta, é o melhor do mundo para o meu modo de vida na terra onde nasci. Por isto e muito mais, sou um obcecado pelo up local, não agora, desde sempre. Eu sou, a vida que tenho é o que Sou, nem mais nem menos. Contrariar isto é contra a Natureza; o resultado começa a ser demasiado inequívoco para ser negado. Quero ser remediado e feliz, na terra onde nasci, honrando a cultura e os saberes dos meus antepassados. Pode ser?

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan