aRRÁBIDA, proposta de extinção do ICNF

Se os dinossauros se extinguiram, a bem da natureza e do capital natural, porque não se extingue o ICNF?

Já escrevi duas ou três vezes sobre a Arrábida, falando do que acredito serem boas ideias. E agora, como se passa à prática?

Qual a agenda essencial para a Arrábida? Desde logo AGENDA.

Um. Nada de estudos e estratégias, o melhor caminho para estragar dinheiro. Agenda é ação.

Dois. O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) é dos maiores cancros deste país. Não só não faz o que deve como impede que outros o façam. Todos o sabemos, não me vou perder em exemplos e justificações. Basta saber que em Portugal é mau viver num parque natural…  Como é mau esperar por alguém lúcido que acabe com o ICNF; a Área Metropolitana de Lisboa deve exigir e reclamar para si a responsabilidade e gestão da Arrábida. Só vantagens para todos, a começar pela serra. Esta óbvia transferência de competências do ICNF para câmaras municipais já se faz.

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interior miserável

Ao interior miserável junta-se agora a miséria da fronteira.

Mentira e mentira.

Provavelmente a mais vergonhosa fake news que por aí anda.

Tenho profunda convicção do contrário, com risco de me tornar arrogante. Não me convencem do interior pobre.

Tenho muita curiosidade em saber se a mentira que nos impingem é por ignorância ou se é intencional? Agora, como se a maldição cinzenta do interior não nos chegasse, junta-se o fatalismo da fronteira, como terra de ninguém, até agora, esquecida. A coisa é tanto mais grave quanto a responsabilidade de quem o apregoa.

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vinho: seminário técnico

“Antes do vinho há a geologia, geografia, cepa e clima. Toda mudança numa destas 4 variáveis vai ter consequências no resultado final, isto é, na qualidade e quantidade do vinho na garrafa. Todos os dias ouvimos falar em “alterações climáticas”.

O que é isto?

Que consequências tem para a vinha?

Quando e onde?

Lá longe e daqui a muito tempo? Ou aqui e agora?

Todos somos poucos para debater tão importante assunto que a todos toca: grandes e pequenos produtores. Técnicos e consumidores. Novos e velhos. No Alentejo e no Minho…

Venha a Borba no dia 17 de nov. às 10:00, partilhe saber e experiência; ajude-nos e ajude-se.”

vai à adega e prova o vinho

Conta a lenda que num dia frio e chuvoso de inverno Martinho seguia montado a cavalo quando encontrou um mendigo. Vendo o pedinte a tremer de frio e sem nada para lhe dar, pegou na espada, cortou o manto ao meio e cobriu o mendigo com uma das partes. Mais à frente encontrou outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Martinho continuou viagem sem nada que o protegesse do frio. Diz a lenda que, nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias. Não sei onde entra aqui o vinho mas o ditado popular diz, “no dia de São Martinho, vai à adega e prova o vinho”.

Assim vai ser no próximo fim de semana por todo o Alentejo.

A nossa sugestão,

dia 10:

17:00, Adega do Mestre Daniel, Vila Alva, Cuba;

18:00, 125 anos do Moinho do Cú Torto, com Francisco Pimenta, Évora;

dia 11:

18:00, com a artista Maria do Céu Guerra, Sovibor, Borba.

 

entre o Sado e o Tejo

Todas as terras têm um rio, o mais bonito de todos. Esta certeza popular diz tudo sobre a importância de um rio. Muito mais do que o escoamento superficial da água, um rio é vida. Que o diga quem vive o Sado, nem que seja só com os olhos, ao longe, de quando em vez. Muito para além das suas margens, o rio são as pessoas, as árvores, os pássaros, os peixes e tudo o resto, tudo isto é o rio. Desde há milhares de anos que é assim no Sado, o melhor e mais bonito rio do mundo, porque é o nosso rio, mas também porque tem tudo, tem vida e tem alma, que contagia a quem toca. Como todos os rios maturos, a diversidade torna-o ainda mais precioso. Uma bênção às terras que ele atravessa de sul para norte, desde o Baixo Alentejo, com uma beleza natural ímpar. Mas Setúbal, a região de Setúbal tem também o Tejo, e muito mais, tem os fabulosos e ricos estuários destes rios, as serras da Arrábida e Sintra e, ainda, o imenso Atlântico; que abençoada terra esta. Qual a região da Europa que tem tanta riqueza?

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terras à conversa

dia 23, 18:00, regressa a Conversas de Cesta.

o tema à conversa é de grande actualidade e importância:

terras de Cascais.

as hortas e as vinhas urbanas/comunitárias de Cascais.

a Teresa Pelagio e o André Miguel são gente que sabe e que garantem uma excelente Conversas.

faça parte da mudança; sinta-se convidado e convide os seus amigos.

 

Tejo ao vento

Há uns anos que a beira Tejo é palco para um bonito festival de papagaios ao vento. Imagine-se que vêm equipas de vários países. Deste ano não passou e fui lá espreitar. Valeu muito a pena. No caminho pensei: como voariam os ditos se não estava vento? Mas o Tejo é assim, uma vez na praia, mesmo sem perceber nada da coisa, o vento não enganava, fazia-se sentir de forma contínua e persistente. Tudo muito bom. Depois de andar um tempo de cabeça no ar, não faltou uma excelente esplanada, muito confortável, onde estavam umas largas, larguíssimas, dezenas de pessoas com o olhar entre a terra e o céu. Só faltou mesmo uma bebida fresca, pois não havia serviço de esplanada. Por aqui me fiquei, deixei de ver os papagaios e a magnífica paisagem, a imaginar como se pode tomar uma decisão destas: “não temos serviço de esplanada”?…

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desperdício

Uma das marcas do nosso mundo é o desperdício. Sendo a fome um flagelo que persegue centenas de milhões de pessoas, imagine-se o que significa um terço de todos os alimentos produzidos serem desperdiçados. E, quando desperdiçamos comida, esta não é a única coisa que é desperdiçada quando não é consumida: todos os recursos (como sementes, água, energia, etc.), o dinheiro e o trabalho necessários para produzi-los também são perdidos. A diminuição do desperdício alimentar começa nas compras. Comprar acertado é um ato que depende só de cada um e que se pode traduzir em considerável economia de recursos, designadamente dos euros de cada um.

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auto-suficiência [Conversas de Cesta]

o grande desafio da auto – suficiência partilhado por quem o faz.

muitos de nós sonhamos com um modo de vida diferente, mais sustentável.

muitos lemos ou ouvimos falar… todos temos ideias fantásticas e planos ainda melhores para um futuro distante, talvez um dia. Todavia há quem faça agora, com sucesso.

a Tatiana e o Cláudio vivem a 15 minutos de Lisboa e são auto-suficiências, é da sua experiência que nos vêm falar no domingo, dia 8 às 18:00.

venha também, partilhe este convite com os seus amigos.

ainda a floresta

Pelas razões que todos sabemos a floresta continua na ordem do dia. Pode parecer um paradoxo, mas para escrever sobre floresta vou-me fixar na nossa magnífica capital, Lisboa. É verdade, Lisboa tem uma floresta magnífica e admirável que devia servir de exemplo para todo o país. Mais, o exemplo do Parque Florestal de Monsanto pode e deve constituir motivo de orgulho para todos nós. Saibam que qualquer desses emblemáticos parques verdes, mais ou menos urbanos, que as grandes capitais mundiais exibem e que todo o mundo conhece, até pelo cinema, são ridículos quando comparados com Monsanto. No meu tempo de menino, ir a Lisboa visitar o Jardim Zoológico era um sonho de todas as crianças. Pois bem, o Zoo que me desculpe, mas Monsanto está muito à frente. O sonho das crianças e pais de hoje devia associar Monsanto ao Zoo.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan