as virtudes e valores do interior

as enormes virtudes e valores do interior são culturalmente transformadas em miséria, abandono e etc.

o “interiorismo” é um tema muito querido a otros mundos, acredito profunda e convictamente no inverso da história que nos contam. Esta história assenta, essencialmente, na ignorância. O interior despovoado e miserável (esta palavra é minha; a que melhor retrata tudo  que se diz e escreve sobre o interior) é a maior e mais perigosa das fake news.

a coisa é tanto mais grave quanto a responsabilidade de quem o apregoa.

no P2 de 25 de novembro Álvaro Domingos é um excelente exemplo, leiam e pensem:

https://www.dropbox.com/s/mcsmpdsndo0i9jx/%C3%A1lvaro%20domingues%20e%20o%20interior%20P2%20Porto-20181125-pages-18-19.pdf?dl=0

As desgraças de Álvaro Domingues, no P2 de domingo, 25 de novembro,  são as piores fakes news do chorrilho que por aí se diz e conta. Consegue bater a Joana Amaral Dias na CMTV. Sabemos que o geógrafo tem uma boa máquina fotográfica e tempo para percorrer o país. No P2 conta-nos a história que já todos sabemos, a desgraça do interior. Quase que nos consegue enganar quando nos induz a pensar que o problema da “geografia emocional do interior” (as coisas que ele discorre!) é a falta de Euros… De essencial nada, de novo o habitual e de contributos para resolver a coisa o mesmo de sempre, ainda menos. A esta equação chamada Álvaro Domingues, geógrafo professor numa prestigiada universidade, exige-se bastante mais. Já nos chega Borba de que Álvaro nada percebe, como sempre “aos costumes disse nada”.  Pobre país este que está sujeito a tanta desgraça.

estrada de Borba

Como o sabedor povo diz, “uma desgraça nunca vem só”. Depois da desgraça da charmosa, real, e ancestral estrada de Borba,  outras desgraças, igualmente graves, sucedem-se. Este país, lamentavelmente para todos nós, assemelha-se, cada vez mais, a uma desgraça. O que mais se lamenta é que temos tudo para ser o contrário, um país fantástico onde seria muito bom viver.

A estrada chamada Portugal:

https://www.dropbox.com/s/chvrqlz3683spjk/estrada%20Portugal%20-%20Set-DR%2023%20nov%2018.pdf?dl=0

A desgraça total:

https://www.dropbox.com/s/4uqt28bznksufif/geologia%20%26%20estrada%20de%20Borba%20%20DS_2018_11_30-pages-4.pdf?dl=0

Sic Notícias, Expresso da Meia Noite, quando o Estado falha:

https://sicnoticias.sapo.pt/programas/expressodameianoite/2018-11-24-Quando-o-Estado-falha

rota das tapas em Évora

Há umas semanas aconteceu em Évora, como noutras cidades, a Rota das Tapas (RT). Os dias eram bem maiores e a temperatura convidava. A coisa não se devia chamar assim mas antes “rota do vinho e petisco”. Como a iniciativa é de uma marca de cerveja espanhola que remédio temos nós senão aceitar a RT. Quer Évora goste ou não, adira ou não, a RT acontece há uma série de anos por uma única razão, tem sucesso. Experimentei em Lisboa há uns anos nas duas primeiras edições. Este ano experimentei em Évora. Já que mais não fosse valeu muito a pena porque encontrei e abracei o Manuel Piçarra que já não via há algum tempo. De resto Évora igual a si própria: entre o melhor e pior.

Continue reading

autoestrada e comboio

Na semana passada, no dia em escrevi sobre a autoestrada estúpida aconteceu um grave acidente na Estrada Nacional nº 4 junto a Vila Boim- Terrugem. Um jornal nacional noticiou e publicou a fotografia de um camião de grandes dimensões que se despistou, felizmente para o talude da estrada. Hoje volto ao tema porque a estupidez é tão grande que não se esgota e merece ser insistentemente gritada.

 

 

Espanta-me muito que a partidarice local/regional não clame por tão justa causa: “portagens a custo que possibilite a criação de riqueza”. Numa linguagem bem mais comum à esquerda do nosso contentamento: “o povoamento do Alentejo e a criação de emprego”, o PCP não diria melhor. Como é que as Comunidades Intermunicipais cá da terra estão quietas e caladas? Como é que a Sra Presidente de Montemor aceita que a sua terra seja esventrada e devassada, com elevadíssimo risco, com um tráfego que nada tem a ver com Montemor? O mesmo Vendas Novas? Será que a estupidez gera estupidez e que, supostamente a hipotética defesa do negócio das bifanas, ou das empadas, justifica tal aberração?

Continue reading

“…portugueses, somos óptimos.”

uma pedrada no charco?

entrevista de Vasco Pulido Valente ao Público:

https://www.publico.pt/2018/10/21/politica/entrevista/portugueses-optimos-1848215

autoestradas estúpidas

Uma manhã destas percorri a Estrada Nacional nº 4 nos seus escassos 10 quilómetros entre Estremoz e Borba, contei 32 camiões de transporte internacional. Também vi muitos tratores da vindima para além do transito ligeiro particular e comercial e muitos turistas que no início de outubro ainda viajam por estas paragens, vindos da ou para a fronteira. Ao lado a autoestrada está deserta. Esta e as outras autoestradas são grande parte da razão da nossa enorme dívida.

Continue reading

estado social

“O Estado social não produz coisa nenhuma, apenas se apropria da riqueza, redistribuindo os proveitos resultantes da produção de terceiros.”   (Ricardo Arroja, in: ECO – economia online)

será que é verdade?

quê antes do para quê

Tim Marshall em Prisioneiros da Geografia (2017, ed. portuguesa) escreve que a geografia é uma parte fundamental, tanto do “porquê” como do “quê”. A terra onde nascemos e vivemos diz-nos o que somos e porquê. Porquê ou para quê? Na ciência da vida importa mais o para quê  mas também o quê. Provavelmente só chegamos ao para quê se compreendemos bem o quê.  Ter respostas, resolver desafios, oscila entre o “favorável”, ou não tanto, inicialmente. O quê permite-nos equacionar o desafio como o primeiro passo para a resposta que nos interessa, o para quê. O quê associado ao para quê dá-nos Paz e retira-nos ansiedade. A ansiedade das “muitas coisas”, estas e outras, do “já já”, o imediato, sem tempo. A apreensão e insegurança trata-se com saber, com tempo e com a certeza que há sempre um para quê que joga a nosso favor. Seguimos um caminho, que às vezes não compreendemos, mas que é o nosso, à medida. Verdadeiramente sem surpresas, só pode ser assim. É justo e perfeito para nos levar onde temos que ir. Este trilho da vida só é positivamente percorrido com grandes doses de compreensão e aceitação. Sem muitas perguntas. As respostas têm um tempo, muitas vezes não é o nosso.

Para quê:

http://www.otrosmundos.cc/?s=por+qu%C3%AA

o porquê do “para quê”

o tio, já ido, de uma amiga ensinou-lhe o efeito positivo do “para quê”.

não compreendemos  o que nos acontece, como se tivéssemos que tudo compreender, e perguntamos “porquê”.

“porque fiquei agora desempregado?”

raramente o porquê nos leva a um lugar que valha a pena. Leva-nos ao passado, na melhor das hipóteses à “causa das cousas”, à causa.

porque razão isto ou aquilo? Desde logo cheira a “não aceitação”, a resistência, a revolta…

e se a pergunta for “para quê”. Experimente e sentirá a diferença.

“para que fiquei sem trabalho?”

para procurar um trabalho melhor, para mudar de lugar, para tirar o curso que sempre desejei, ou, para conhecer o amor da minha vida na fila do Instituto de Emprego e Formação Profissional…

com o “para quê” tudo muda para melhor. Sem custo, é grátis. Abre uma janela com vista bem melhor que a porta fechada.

na verdade a mudança é a nossa única certeza. Para quê? Para crescer!

nútícias

três das notícias na TV às 13:00 mostram bem o mundo em que vivemos.

O fogo na Grécia não conta, lá como cá, ou no Japão (onde morreram centenas de pessoas devido às cheias), o essencial do drama é o mesmo: desordenamento do território. Explica-se pelo “lucro fácil” de uma minoria com a conivência dos governantes.

  1. Um empresário americano de sucesso (Trump) foi às putas (a notícia boa seria o empresário americano que o não fez, se souberem de algum digam-me p.f.). Como pôde pagar foi ao gourmet (Playboy) e não ao “chinês”. A profissional arrecadou 150 mil € para não abrir o bico. Isto tem alguma coisa de estranho? Merece notícia? A imigrante com quem é casado custa-lhe muito mais para estar calada. Como qualquer gaiato, se lhe dermos menos atenção ele fará menos disparates. Aqui ao lado, o “respeitável” rei, não só fez o mesmo como a levou a caçar elefantes, uma actividade de contacto com a natureza muito nobre e meritória; um exemplo, nada que se compare com o Trump. Por cá também não temos nada repreensível, somos um exemplo.
  2. Demi Lovato foi internada de urgência com excesso de heroína no sangue. Outra grande e original notícia. É raro esta gente fazer isto? Provavelmente fazem-no porque a sociedade não os compreende; num mundo onde há 800 milhões de humanos com fome e outros tantos obesos fico muito preocupado com a Demi.
  3. Algures no interior de Portugal numa casa isolada um casal de oitenta e cinco anos é assaltado, espancado e a senhora assassinada. Roubam 150 €. Esta é a notícia que me deixa de coração partido e revoltado.

 

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan