Paulo Ribeiro

otros mundos esteve em baixo.

Não esteve de férias, foi vitima de um ataque informático que o pôs of. Alguém que bem poderia usar as suas competências a fazer algo que valha a pena fez o que não deve.

Felizmente há sempre um “anjo da guarda” que anda por perto e repõe a devida Ordem.

Tenho o privilégio de ter trabalhado com o Paulo Ribeiro durante muitos anos; vi-o crescer como pessoa, sempre de grandes valores, e como técnico.

Nutro pelo Paulo uma grande admiração e amizade.

Ao longo da vida, em muitos e variados contextos trabalhei com muita gente de valor e enorme mérito, como o Paulo não há.

Expresso uma enorme gratidão ao Paulo Ribeiro a quem devo Otros Mundos e muito mais.

the runner terroir

Mais de 40 anos depois os quarenta graus da canícula do domingo de agosto eborense mostrou-me um novo conceito. A corrida tem terroir? Tem. Trinta anos a correr no Alentejo, dez em Cascais – Lisboa e agora de novo Évora mostram – me que inequivocamente assim é. Será mesmo? O que distingue a corrida nestes dois ambientes tão diferentes: Évora e Cascais?

Cometi a loucura de correr às 11:00, não imagino a temperatura, corri no circuito do Alto dos Cucos, na verdadeira e autêntica floresta local de sobreiros e azinheiras, provavelmente o mais autêntico dos terroires alentejanos, onde nem o ondulado do percurso, tal como é o Alentejo, falta neste percurso. Para me confortar cruzei-me com outros. Aqui tudo é bom mas falta-me quase tudo. Falta-me a planura do beira Tejo onde gastei muitas sapatilhas, o cruzar com os mesmos de todos os dias, a brisa marítima, a recuperação no banho turco do Britânia…Tudo isto de Cascais é melhor? Não, seguramente. O sobe e sobe e desce do Alto dos Cucos, o piso de terra, a qualidade do ar e a proximidade de casa são valores fabulosos. E depois do esforço o que dizer de um banho no grande lago Atlântico, ou, em Évora, um duche no pátio do Siza? O que é melhor? Como sempre, provavelmente, a resposta mais certa está no dia de hoje, aqui no presente, onde estou; jamais no “lá ontem”. No entanto há diferença, não necessariamente melhor ou pior, se assim não fosse a mesma casta em terroires diferentes daria o mesmo vinho. Sentir a terra onde corremos e a ambiência do lugar ( o genius loci dos arquitectos ) é certamente o melhor para correr como para tudo o resto.
É melhor o Eduardo das Conquilhas que o Luís do Frei Aleixo? Não creio. O essencial posso controlar, não depende da qualidade do cozinheiro ou das sapatilhas ou de qualquer outro factor externo, depende de mim, só de mim. Este é o enorme desafio, o único desafio que nada tem a ver com os 40 graus do Alentejo ou com a brisa do Tejo. É também por isto que gosto da “oração da corrida”, fica muito claro o meu grande desafio. Assim seja até ao fim dos meus dias, correr sempre.

Parabéns Portugueses – Nação Valente e Imortal

 Portugal

 

Vontade

Força

Sacrifício

Suor

Talento

Paixão

À Glória de Deus (Fernando Santos).

Esta é, na íntegra, a carta que Fernando Santos escreveu na solidão do seu quarto, agradecendo a Deus. Não foi depois do jogo com a França. Foi em Marcoussis a 18 de junho, depois do segundo empate no segundo jogo (frente à Áustria) do Europeu. Nessa altura, o discurso da vitória ficava escrito. No fim do jogo contra França, o selecionador pediu uns minutos e antes das perguntas dos jornalistas na conferência de imprensa leu-a em voz alta muito emocionado, sob o som de aplausos: Em primeiro lugar e acima de tudo, quero agradecer a Deus Pai por este momento e tudo aquilo da minha vida. Deixar uma palavra especial ao presidente, dr. Fernando Gomes, pela confiança que sempre depositou em mim. Não esqueço que comecei com um castigo de oito jogos pendentes. A toda a direção e a todos os que viveram comigo estes meses. Aos jogadores, dizer mais uma vez que tenho um enorme orgulho em ter sido o seu treinador. A estes e aqueles que aqui não puderam estar presentes. Também é deles esta vitória. O meu desejo pessoal é ir para casa. Poder dar um beijo do tamanho do mundo à minha mãe, à minha mulher, aos meus filhos, ao meu neto, ao meu genro e à minha nora e ao meu pai, que junto de Deus está certamente a celebrar. A todos os amigos, muitos deles meus irmãos, um abraço muito apertado pelo apoio mas principalmente pela amizade. Por último, mas em primeiro, ir falar com o meu maior amigo e sua mãe. Dedicar-Lhe esta conquista e agradecer-Lhe por ter sido convocado e por me conceder o dom da sabedoria, perseverança e humildade para guiar esta equipa e Ele a ter iluminado e guiado. Espero e desejo que seja para glória do Seu nome.

E, como disse Pierre Leroi:  “os Vinhos de Portugal? É todo o sol, a luz, a cor e a vida inteira deste maravilhoso País!”; aplica-se  obviamente ao fútebol.

a minha praia [texto 300]

time out

este é o texto 300 de Otros Mundos.

quis a Time Out, lida e vivida durante anos, que celebrasse o 300 com a minha praia – desde os 10 anos que a Parede é a minha praia.

aqui vivi, fui feliz e sofri.

agora mesmo no Sargo – bar, na Parede,  sem dúvida o melhor bar da Linha. Este é um segredo com que comemoro o 300 com todos os que me leiem.

escreve a Time Out: quem vive na linha é mais feliz. Será?

 

 

 

é o que vemos

Tudo é o que vemos. A forma como olhamos uma paisagem ou vivemos uma experiência é a sua “realidade” mais verdadeira. Vivo agora as calmas manhãs do Tejo, além, que contrastam fortemente com o bulício alucinante da A5, a curta autoestrada que liga Lisboa a Cascais e que durante anos me acompanhou. Na A5, a mais rentável do país segundo a BRISA, só há duas situações possíveis, transito parado ou muito intenso, 24 sobre 24 horas. Todas as manhãs cedo, ainda em casa, a A5 chega-me pelo velhíssimo hábito de ouvir a Antena 1 a esta hora. Isto é, mesmo no pacato Alentejo a A5 continua a fazer parte da minha vida.

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tecnologia e pêras rocha

Para substituir as mesas da cantina:

http://futurism.com/videos/the-table-that-keeps-your-food-warm-and-drinks-cool/

fico efusivamente satisfeito com o nível tecnológico que atingimos e contraditoriamente preocupado por me interrogar sobre quem vai tratar das pêras rocha do Oeste para servir no refeitório?

a minha escolha é, claramente, o UP LOCAL.

isto é, escolho as pêras rocha saboreadas numa velha mesa de madeira nacional.

inevitavelmente temos que fazer escolhas; ou sabem-me dizer onde há refeitórios com mesas destas e pêras rocha?

só consigo encontrar mesas destas com pêras da Argentina,  e disto eu desconfio e muito.

Clube de Futebol Eborense – o Alentejo no seu melhor

Nos subúrbios eborenses tudo pode acontecer, até o melhor. Há tempos pelo DS soube que o bar/restaurante do Clube de Futebol Eborense no bairro do Frei Aleixo tinha nova gerência e propostas gastronómicas interessantes. Não vá isto ser verdade, vale a pena ir espreitar e provar; se bem o pensei, melhor o fiz e em boa hora. É mesmo, o improvável acontece quando e onde menos se espera.

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“fazer pela vida”

malagueira 2

 

fazer pela vida, foi o que me disse o Vasco, quando lhe perguntei o que estava ali a fazer.

todavia esta atitude de vida é muito mais que isso, é uma lição de mestre sobre empreendedorismo e inovação.

os teóricos da universidade e afins devem correr à Malagueira (Évora) para aprender.

o que o Quim faz é muito melhor que bicicletas de madeira.

atenção, porque é empreendedorismo à séria, o Vasco não está lá todos o dias mas o domingo também é dia.

 

malagueira 1

o leite e os cereais

Já aqui tenho manifestado o enorme privilégio de conviver com alunos todos os dias. Mesmo ao fim de 30 anos continuo a ser surpreendido. As aulas práticas, como as que dou por esta altura, são as melhores; trabalha-se e vai-se conversando sobre “banalidades” sem comprometer a qualidade e o objetivo da aula. Com poucos alunos a coisa ainda fica melhor; na última estavam apenas quatro.

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emoções de romeiros

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Beleza, tradição, biodiversidade, cultura, arte, emoção…, isto é a Romaria.

 

Se só fosse possível uma palavra para caracterizar a Bênção/partida da Romaria Moita – Viana do Alentejo que aconteceu no Largo da Igreja na Moita essa palavra seria, certamente, emoção. Tive e senti emoção. Este laço de emoção entre Romeiros, organização e população eleva a alma da Romaria e consolida definitivamente um grande acontecimento. Mesmo quem já viveu e conhece a Romaria, se surpreende e se deixa contagiar. Foi magnífico ver centenas de cavalos e cavaleiros, muitos em veneração, na Igreja Matriz da bonita e charmosa vila da Moita.

Logo de manhã cedo, chega-se à Moita e o cheiro a cavalo não engana.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan