pós-férias

Durante alguns anos tive responsabilidades públicas nos rios do Tejo, estudar, autorizar, licenciar. Sempre que possível, indiscutivelmente sempre que necessário, saí da secretária e estive no local; muito poucas foram as semanas que fiquei em Lisboa. Todavia, depois das férias deste ano, confesso-vos que não conhecia suficientemente a realidade; isto não significa que o serviço, no caso a ARH do Tejo I.P., não cumprisse a função: usar e valorizar a água.  Felizmente, desde a Guarda até Lisboa,  a equipa da ARH integrava técnicos locais de enorme valor e conhecimento que sempre apoiavam a tomada da melhor decisão  pelo bem público e interesse dos utilizadores, quase sempre conciliáveis.
Durante uma semana andei, no sentido literal do termo, a melhor forma de conhecer uma região, pelas bacias do Tejo e Zêzere, pelos pequenos e únicos rios destas grandes bacias hidrográficas.

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cancioneiro da sustentabilidade

riqueza local

Depois de dois exemplos do Portugal bom, sobre os quais escrevi nas semanas anteriores, eis um terceiro que merece ser partilhado.

O Portugal de baixa densidade (despovoado) tem recursos ignorados. Fátima Saraiva, em Penela, leva por diante um projeto de empreendedorismo social que contraria a pobreza.  Surge a marca DAQUI.

Aceda aos  excelentes biscoitos artesanais de Penela:

https://docs.google.com/forms/d/1roWYwJfxsoflIfwdqBxWvgdCvYxRilyue23tSLNN3AM/viewform

Artigo completo em o O Mirante:

http://www.omirante.pt/noticia.asp?idEdicao=54&id=85640&idSeccao=543&Action=noticia#.VijNmrmFPIU

Mais informação:

http://idei-a.blogspot.pt/2015/11/dar-uma-nova-vida-ao-mundo-rural.html#more

 

 

 

 

 

trabalhar a terra

“Assustei-me” quando num daqueles supermercados de todas as terras peguei numas maças a 1€/kg com origem no Brasil. Assim que dei conta devolvi as maçãs ao expositor. Como é possível? Que contas são estas? A quantidade de absurdos que está por detrás deste custo é inaceitável. Será que só é crime assaltar um banco? O que irá acontecer, e quando, para repor a verdade e normalidade neste modelo global do mercado?

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floresta de oportunidades

Muito oportunamente, Oleiros marcou um dia para tratar da floresta, o mais importante recurso natural local. À parte a importância da floresta, o mais relevante foi elevar os recursos locais. Na verdade, o que Oleiros é, foi ou será tem tudo a ver com a floresta.

É importante que cada terra assuma a sua identidade e singularidade e faça delas a mais-valia distintiva, como Oleiros tenta fazer. Provavelmente, o melhor caminho é inovar a tradição, isto é, pegar no que hoje se sabe, na tecnologia existente, incomparavelmente superior, e usá-la na valorização e inovação da tradição. O muito passado traduz-se assim na garantia de um futuro sustentável e atrativo para as novas gerações. Os recursos locais, em toda a sua dimensão, são sempre passíveis de garantir a sustentabilidade e prosperidade locais, é incontornável, assim os saibamos usar e gerir.

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solo

A par da água, o solo é o recurso natural mais importante de um país.

Ninguém de bom senso ignora que a promoção de uma gestão sustentável do solo é essencial para o sistema produtivo de alimentos, melhoria e subsistência dos ecossistemas e modos de vida rurais e para um ambiente saudável.

Pela sua grande importância a ONU, através da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), declarou 2015 como o Ano Internacional dos Solos. Em boa hora o fez. Com esta iniciativa, a FAO quer trazer para a ordem do dia o que se pode sintetizar na frase “A vida na Terra depende da sustentabilidade dos solos”. Na verdade, seja qual for o ângulo de análise, este tema do solo leva-nos à grande relevância da sua importância. Agricultura, segurança alimentar e biodiversidade são alguns dos temas que justificam esta relevância.

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tejo

Tejo: “muito para além das suas margens, o rio são as pessoas e as pessoas são o rio. Desde há milhares de anos que é assim no Tejo, o melhor e mais bonito rio do mundo, porque é o nosso rio, mas também porque tem tudo, tem vida e tem alma, que contagia a quem ele toca. Como todos os rios maduros, a diversidade torna-o ainda mais precioso.

Uma bênção às terras que ele atravessa, desde a Beira, com uma beleza natural impar e estatuto de Parque Natural, até a um dos maiores estuários da Europa, em Lisboa. Um ponto singular a nível mundial em matéria de biodiversidade, designadamente no que respeita à avifauna. Contrariamente ao que possa parecer, o Tejo, como todos os rios, não divide, antes une. Une Santarém a Almeirim/Alpiarça, Abrantes a Rossio ao Sul do Tejo, Rio de Moinhos a Tramagal, Vila Nova da Barquinha/Tancos a Arrepiado, etc. Também Lisboa tem que inverter o habitual paradigma da separação da margem sul pelo Tejo. É o contrário, as duas margens estão unidas pelo Tejo. Este pensamento, ao revés, muda tudo.”

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vila velha

terras altas do tejo

terras altas do Tejo

O Tejo é muito mais que o Terreiro do Paço e a Lezíria.

Em Vila Velha de Rodão, nas terras altas, o Tejo assume uma beleza impar. Autêntica, onde os mais variados patrimónios se cruzam. Tudo parece estar em harmonia. As pessoas, o rio e tudo o resto têm encanto e encantam.

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primavera

para além do betão e asfalto há um mundo ao pé de casa que nos transporta para um modo de vida que esquecemos.

para além do betão e asfalto há um mundo ao pé de casa que nos transporta para um modo de vida que esquecemos.

Longe vão os tempos em que as estações do ano marcavam bastante a vida das pessoas. Muito do que eram as atividades laborais e de lazer, com as festas tradicionais à cabeça, estava intimamente associado aos ciclos da natureza. O modo de vida das pessoas integrava-se bastante bem com a natureza. As feiras sazonais eram o reflexo da época do ano e as pessoas procuravam-nas na busca dos produtos próprios de cada tempo.

Nos tempos atuais, a diferença é tão grande que muitas vezes a linguagem e as atitudes nos colocam, a nós humanos, como se tivéssemos fora desta casa que é a Terra.

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paisagem musical, West Highland Way (Escócia)

 

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Esta é a história pessoal de uma caminhada numa das mais bonitas Grandes Rotas do Mundo, nas terras altas da Escócia.

Seis dias de uma surpreendente paisagem que em cada vista muda e nos inunda pela sua beleza.

” O  West Highland Way (WHW) é o mais antigo trail de longa distância da Escócia e um dos mais belos do mundo.”

Não sabemos se é um dos mais bonitos do mundo mas, depois de percorrer o WHW, podemos afirmar que é lindo de morrer. É muito mais que isso. O WHW é uma paisagem musical profundamente mágica. São 95 milhas, cerca de 152 quilómetros, que fazem bem ao corpo, à mente e à alma.

Ao fim de poucos quilómetros e algumas horas, entramos francamente noutro mundo. Toda a nossa vida as nossas preocupações ficam algures em stand by, o WHW transforma-nos subtilmente sem darmos por isso. Parece que aqueles seres mágicos da floresta celta como os gnomos, druidas e duendes, nos acompanham divinamente e nos fazem esta magia.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan