o porquê do “para quê”

o tio, já ido, de uma amiga ensinou-lhe o efeito positivo do “para quê”.

não compreendemos  o que nos acontece, como se tivéssemos que tudo compreender, e perguntamos “porquê”.

“porque fiquei agora desempregado?”

raramente o porquê nos leva a um lugar que valha a pena. Leva-nos ao passado, na melhor das hipóteses à “causa das cousas”, à causa.

porque razão isto ou aquilo? Desde logo cheira a “não aceitação”, a resistência, a revolta…

e se a pergunta for “para quê”. Experimente e sentirá a diferença.

“para que fiquei sem trabalho?”

para procurar um trabalho melhor, para mudar de lugar, para tirar o curso que sempre desejei, ou, para conhecer o amor da minha vida na fila do Instituto de Emprego e Formação Profissional…

com o “para quê” tudo muda para melhor. Sem custo, é grátis. Abre uma janela com vista bem melhor que a porta fechada.

na verdade a mudança é a nossa única certeza. Para quê? Para crescer!

campo porque sim

O mundo rural e o desenvolvimento económico e social de Portugal  um desafio porque não há outro, porque sim. Consubstancia-se num estudo recentemente apresentado em Lisboa, o sitio certo para falar do campo. No que me toca, gosto muito mais da palavra “campo” do que da expressão “mundo rural”, opção que é muito mais do que uma mania pessoal, mas isso é outra história. A iniciativa nasceu há dois anos pela mão de quem sente o campo como deve, como uma mais-valia, um privilégio. Isto é, a Câmara Municipal de Idanha-a-Nova na pessoa do seu magnífico presidente, que sempre tem contrariado a convicção nacional de que o campo é um inaceitável e fatal beco sem saída entre o maravilhoso litoral urbano e Espanha, que atravessamos de noite para chegar à Europa. As dicotomias rural e urbano, interior e litoral só fazem sentido a gente de vistas muito curtas.

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porque me chamas? (história de uma peregrinação a Santiago de Compostela)

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Estas são as emoções (com botas) de uma peregrinação a Santiago. Cerca de 350 km pelo Caminho Primitivo, de Oviedo a Santiago de Compostela, sob o tórrido calor de agosto de 2012.

Pouco importa se o Santo lá tem os ossos, as Astúrias e também a Galiza valem tudo e muito mais; o resto, quase tudo, fica para cada um. A certeza é: umas botas nos pés e uma mochila às costas fazem bem ao corpo, mente e espírito.

Neste caminho nasceu OTROS MUNDOS a magnífica loja da bonita galega de Lugo.

Ande e viva!

“Quem chega a Santiago, depois de muitos quilómetros – quantos mais melhor – com uma mochila às costas, sabe do que falo.

– Deixa-me ficar.

Não quero ficar em Santiago, a Parede – onde vivo -, Cascais, Lisboa é muito melhor.

– Deixa-me ficar ligado ao meu mais profundo EU.

É isto que Santiago me dá.

Ligação a mim próprio, é o que consegues quando caminhas com sentido. Peregrinar a Santiago, para Santiago, pelo caminho das estrelas.

Quantas estrelas?

Quantos passos?

Quanta dor?

Quanto suor?

Quanta alegria?

Por sorte o Caminho Primitivo (Oviedo-Santiago, 343 Km) potencia tudo isto, e muito mais, como nenhum outro trilho, quase um fantástico segredo, muito bem guardado. Enquanto milhões andam pelo Caminho Francês, os que partem de Oviedo tiram um bilhete especial. Um bilhete que garante autenticidade, verdade, retiro e tudo o resto, magnitude.

“Si alguno (peregrino) se acerca triste, vuelve feliz” (Códice Calixtino, Libro de Santiago, Libro I Cap 17). Esta é a grande verdade. Centenas e centenas de anos com milhões de peregrinos a caminhar para Santiago. Porquê?”

Texto completo e fotografias (pdf):  Caminho de Santiago Final

 

ambiente para quê?

…a avaliação de impacte ambiental (AIA) só serve verdadeiramente a quem não deve estar no mercado. Para quem trabalha bem, faz o que deve, não precisa da AIA – atrapalha, empata e convida à aldrabice. Há uns bons anos alguém disse: “o ambiente é aquela coisa que me rodeia por todos os lados e que não me deixa trabalhar.” Na verdade, o ambiente não pode ser visto como um mero meio castrador e proibitivo, mas antes como um fator de competitividade. Assim o saibamos entender, a começar pela tutela. É uma oportunidade para os investidores e uma mais-valia para quem vive neste magnífico território. Desenvolvimento e qualidade ambiental são, não só compatíveis, como necessários. São a mesma face da moeda, apesar de muitos ainda não o terem compreendido.

artigo completo no Expresso de 22 de dez de 2018:

https://www.dropbox.com/s/19lfam2x1t24ez7/avalia%C3%A7%C3%A3o%20ambiental%20-%20Expresso%20-%2022%20dez%2018%20-%20carlos%20cupeto-pages-35.pdf?dl=0

Outros artigos sobre o tema “sustentabilidade” no Expresso na Categoria “Expresso” – no final desta pagina do blog.

porto de Setúbal

há uns miseráveis, sempre os mesmos, que só sobrevivem na pobreza, que não querem este país próspero, feliz e em paz.

Bruno de Carvalho, Trump, Bolsonaro … são óptimos para nos distrairmos.

o nosso Presidente ajuda à festa, anda em festa e quer festa.

o Público de hoje notícia:

“Tensão no Porto de Setúbal trava exportações da Autoeuropa

Estivadores precários recusam-se a trabalhar enquanto patrões não rasgarem contratos já assinados. Fábrica da Volkswagen em Palmela tem 6 mil carros parados à espera de embarcar para o estrangeiro.”

a famosa “luta entre trabalhadores e patrões” mantém – se actual. Para quê compreender que ambos são parte incontornável do ecossistema económico – social?

depois dos problemas laborais da Autoeuropa resolvidos há outras formas de lá chegar…

e se a Autoeuropa se aborrece e debanda para outras paragens?

o objectivo é este.

ps – obviamente que este escrito nada tem a ver com as eventuais justas razões dos estivadores.

pegada ecológica de Portugal…

pegada ecológica de Portugal, uma vergonha.

https://www.publico.pt/2018/10/30/ciencia/noticia/pegada-ecologica-portuguesa-recuou-crise-precisos-22-planetas-1849297

isto é o resultado de anos e anos a tapar o sol com uma peneira…
programas e projectos de milhões e milhões que para nada servem a não ser para iludir a coisa, isto é, para agravar a coisa como mostra esta notícia.
ainda ontem no Público uma sra professora escreveu sobre um destes programas do “faz de conta”:

https://www.publico.pt/2018/10/29/sociedade/opiniao/admiravel-mundo-sustentavel-1848716

enquanto isto há milhões de pessoas com fome e está em curso a sexta grande extinção…
o nosso António Costa é exímio, aprende com muita facilidade a retórica que convém, a propósito do OE 2019 foi ouvi-lo a falar em eficiência energética, descarbonização, luta contra as alterações climáticas, aposta nos transportes públicos, economia circular, ciclovias, etc., etc.

quê antes do para quê

Tim Marshall em Prisioneiros da Geografia (2017, ed. portuguesa) escreve que a geografia é uma parte fundamental, tanto do “porquê” como do “quê”. A terra onde nascemos e vivemos diz-nos o que somos e porquê. Porquê ou para quê? Na ciência da vida importa mais o para quê  mas também o quê. Provavelmente só chegamos ao para quê se compreendemos bem o quê.  Ter respostas, resolver desafios, oscila entre o “favorável”, ou não tanto, inicialmente. O quê permite-nos equacionar o desafio como o primeiro passo para a resposta que nos interessa, o para quê. O quê associado ao para quê dá-nos Paz e retira-nos ansiedade. A ansiedade das “muitas coisas”, estas e outras, do “já já”, o imediato, sem tempo. A apreensão e insegurança trata-se com saber, com tempo e com a certeza que há sempre um para quê que joga a nosso favor. Seguimos um caminho, que às vezes não compreendemos, mas que é o nosso, à medida. Verdadeiramente sem surpresas, só pode ser assim. É justo e perfeito para nos levar onde temos que ir. Este trilho da vida só é positivamente percorrido com grandes doses de compreensão e aceitação. Sem muitas perguntas. As respostas têm um tempo, muitas vezes não é o nosso.

Para quê:

http://www.otrosmundos.cc/?s=por+qu%C3%AA

arrumar Portugal

Programa Nacional da Política de Ordenamento do Território 2018 – 2030, que está agora em cima da mesa, antes de ir para a gaveta até à próxima revisão, é uma excelente ferramenta que só por si, mesmo que apenas parcialmente implementado, iria tornar Portugal num país mais rico, próspero e harmonioso. É tão fácil, porque não o fazemos? A resposta a esta pergunta é bem simples mas fica para uma próxima oportunidade: o Portugal pobre mas contente.

Artigo completo:

https://www.dropbox.com/s/wr8lk09wozlyycz/carlos%20cupeto%20-%20arrumar%20Portugal%20%28PNPOT%29%20-%20DR%208%20jun%2018.pdf?dl=0

Portugal às voltas

O geógrafo Álvaro Domingues há muito que anda às voltas com Portugal. Veio a Évora apresentar o seu mais recente livro – Volta a Portugal – e aos costumes (quase) disse nada. Coisa rara de acontecer, o auditório na Universidade estava a abarrotar de gente, mesmo sendo hora de ir buscar os gaiatos à escola e passear o cão. Quando a coisa é bem divulgada e o tema é interessante, não falha. Há uns meses, quando o livro saiu, comprei-o e usei-o nas aulas de geografia. Facultei a obra aos meus alunos e incentivei-os a lerem. Foi particularmente útil ler os capítulos sobre o Alentejo e o Minho, escritos por outros que não o autor, e associar/comparar aos trabalhos de Orlando Ribeiro.

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queixume

Não parece, mas é verdade, todas as semanas penso em escrever coisas positivas e não reclamar. Mas o país não ajuda e as nossas cabeças estão muito mais dimensionadas para o “mal dizer”. É bem mais fácil. Muito mais fácil se ficarmos por aí e se não pensarmos em melhores alternativas: como fazer melhor?  O mundo seria muito mais feliz se andássemos todos pela positiva, a começar por mim. Alguém escreveu um dia que “o mundo é aquilo que vemos”. O queixume é dar força ao que não queremos; isto é, a coisa fica ainda pior. Na verdade, o principal actor da minha vida sou eu e por isso sou eu que decido os tons daquilo que vejo.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan