saúde e interior

Como assumido convicto do valor do interior tudo me conduz ao up local, em oposição ao modelo que nos trouxe até aqui: globalização – produzir, consumir e crescer, o tal ciclo diabólico.

Acredito convictamente na vida local porque tudo o essencial à vida, como os recursos indispensáveis (solo e água), são locais. Entretanto, este país é inundado por estudos e estratégias para tudo o que se possa imaginar e que só servem para produzir papel e nos distanciar do importante, da vida. O interior, aquela coisa pobre, cinzenta e velha, até teve direito a uma Unidade de Missão que entretanto, como sempre, se esfumou sem deixar rasto. Agora mesmo, com o Dr. Ceia da Silva, o Presidente da CCDR – Alentejo “democraticamente” eleito, é que vai ser: vamos tornar esta região colorida, rica e jovem. As oportunidades não vão faltar e casais jovens, portugueses e estrangeiros, sem filhos, vão-se acotovelar para viver e trabalhar no interior. Sem filhos porque, entretanto, algumas más línguas, dizem que a “pediatria retrocedeu em Évora”. Como povoamos com jovens uma região que não responde satisfatoriamente nos cuidados pediátricos? E no resto da saúde, será que estamos bem? Tenho a certeza que o “competentíssimo” Concelho de Administração do Hospital do Espírito Santo de Évora e Administração Regional de Saúde respondem com um inequívoco sim. Esta miséria governativa vai-se perpetuando e consolidando aos mais variados níveis. Trata-se de uma enorme classe inútil e incompetente que assaltou os lugares de decisão e gestão e se protege e sustenta com todas as armas que tem sem olhar a meios e processos. Enquanto isto, idosos doentes aguardam em filas à porta dos centros de saúde, e o número de óbitos dispara; para compensar somos inundados por uma agressiva campanha de marketing para a vacina da gripe que não está nas farmácias.

Até quando este povo assobia para lado? Depois queixem-se dos populismos.

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan