casta alentejana

Henrique Monteiro (Expresso, 20 jun 2020)

Orlando Ribeiro, se não se importam, o maior geógrafo português de sempre, explica o que somos pelo terroir, isto é, pela geologia e clima da terra que nos vê nascer. Na verdade, o minhoto é diferente do alentejano como ele exemplifica. Somos a terra onde nascemos e vivemos. Se não perceber isto paciência. Sou alentejano e assim serei até ao fim; diferente dos algarvios, dos louros da Holanda e dos pretos de África. Somos todos diferentes. Aqui, no Alentejo, sobretudo a seguir ao almoço o ritmo de trabalho não pode ser elevado. Se não compreende lamento; os conterrâneos da Merkel que venham cá experimentar uma semana e depois conversamos. Não quero os queijos franceses, as pizas italianas, os vinhos da Toscana ou os 5 jotas espanhóis; quero os queijos do Cano, os chouriços de Estremoz, o presunto de Barrancos, o vinho da Vidigueira e o azeite de Moura. Isto, e tudo à volta, é o melhor do mundo para o meu modo de vida na terra onde nasci. Por isto e muito mais, sou um obcecado pelo up local, não agora, desde sempre. Eu sou, e a vida que tenho é o que Sou, nem mais nem menos. Contrariar isto é contra a Natureza; o resultado começa a ser demasiado inequívoco para ser negado. Quero ser rico, ser feliz, na terra onde nasci, honrando a cultura e os saberes dos meus antepassados. Pode ser?

Deixe uma resposta

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan