abril do Presidente

No 25 de abril ouvi o discurso do Presidente da República no rádio e percebi que é a melhor forma de compreender um discurso, foquemo-nos no essencial: nas palavras e no seu significado. Tenho pena de estar em desacordo com a maioria dos comentadores mas, lamentavelmente, ouvi um conjunto de lugares comuns sem significado de valor, aos costumes disse nada. Também sei que, infelizmente, muito poucos são os portugueses que compreende um discurso sobre qualquer coisa, ainda por cima quando se fala com alguma metáfora. Para os jovens de 74 (ele próprio) e os atuais nada se ouviu que fosse mobilizador. Pensei nos meus alunos, os jovens com quem mais lido, e suspeito que nada perceberam e que nada daquilo lhes interessa. Será que algum deles ouviu o Presidente? Vou-lhes preguntar. Impropriamente ouvi um conjunto de impossibilidades, até “sonhos impossíveis”, a última das coisas que tem impossíveis. Jovens com “sonhos impossíveis”? Povo e pátria com “sonhos impossíveis”? Era só mesmo o que faltava. Se aí chegássemos então podíamos mesmo arrumar as botas. Ouvi que devemos esperar mais da União Europeia e da CPLP. E de nós próprios, o que esperamos? Vamos esperar mais e melhor de nós próprios? Talvez valha a pena e talvez seja esse o (único) caminho. Na verdade há um principio, o da reciprocidade, que nos diz: só podemos esperar mais se dermos mais.

Do Presidente espera-se, na verdade, algo mais.  

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Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan