paisagem musical, West Highland Way (Escócia)

 

capa jpg

Esta é a história pessoal de uma caminhada numa das mais bonitas Grandes Rotas do Mundo, nas terras altas da Escócia.

Seis dias de uma surpreendente paisagem que em cada vista muda e nos inunda pela sua beleza.

” O  West Highland Way (WHW) é o mais antigo trail de longa distância da Escócia e um dos mais belos do mundo.”

Não sabemos se é um dos mais bonitos do mundo mas, depois de percorrer o WHW, podemos afirmar que é lindo de morrer. É muito mais que isso. O WHW é uma paisagem musical profundamente mágica. São 95 milhas, cerca de 152 quilómetros, que fazem bem ao corpo, à mente e à alma.

Ao fim de poucos quilómetros e algumas horas, entramos francamente noutro mundo. Toda a nossa vida as nossas preocupações ficam algures em stand by, o WHW transforma-nos subtilmente sem darmos por isso. Parece que aqueles seres mágicos da floresta celta como os gnomos, druidas e duendes, nos acompanham divinamente e nos fazem esta magia.

Como sabemos a Escócia e a natureza confundem-se. O campo, a floresta, os rios e os lagos entram pelas cidades, vilas e aldeias. A harmonia é quase perfeita e chega a provocar inveja. Por isto, é impossível a um escocês ignorar o meio natural, vive na natureza. Esta faz parte do seu ecossistema e qualquer um, por muito distraído que seja, sente isso. Uma das notas mais impressionantes desta experiência foi compreender como este simpático povo vive o campo. Tudo é pretexto para ir ao campo usufruir do campo.

Quem anda numa natureza virgem, como aquela em que andámos, fica contagiado com uma sensação de fusão da parte no todo. Ou será do todo na parte? É preciso tirar isto a limpo? Não importa, o campo saberá.

As Highland vieram connosco e nós ficámos lá, é assim. Incontornável.

Depois das Highland nada é igual. Esta terra mostrou-nos a vida tal como ela deve ser. Inteira sem dualismos. O sol e a chuva são bom tempo. As subidas são fáceis como as descidas. E a paisagem, mais ou menos musical, é tudo o que os nossos olhos podem ver.

Equilíbrio, provavelmente, é a palavra-chave. Tudo parece estar em equilíbrio e isso contagia-nos, ficamos como um “mercador de ar puro”. Os pequenos  nadas que mudam a nossa vida estão ali, à mão.

Até a tempestade que passámos nas Conic Hills nos ensina que os acidentes podem acontecer mesmo quando nada o faz crer. Nada acontece por acaso. O controlo, ou o inverso, está na cabeça e daí passa ao corpo. Controlamos a cabeça e o resto vem por acréscimo. A natureza faz a sua parte, convida-nos a ser mais puros e mais simples.

Nada disto se escreve, pinta ou retrata, vive-se. Este é o preço. É preciso ir ao campo para beneficiar do campo.

Quando o campo são terras altas (montanhas), onde os vales e os montes se sucedem, eleva-se, incomparavelmente, o espírito. Se juntarmos o adoçar do verde e o romantismo e imaginário da floresta, então o efeito é perfeito, muito mais que uma mera atividade física.

Aqui, as fronteiras esbatem-se e a parte é o todo e vice versa.

Não há começo ou fim.

Somos.

TEXTO COMPLETO e FOTOGRAFIAS (pdf): terras altas da Escócia (WHW) – paisagem musical – Carlos Cupeto 2013

2 thoughts on “paisagem musical, West Highland Way (Escócia)

  1. Boa noite
    Visitei agora o seu Blog
    Gostei muito da forma como descreve o cenário da sua caminhada pela
    Escócia, faz como que um resumo e apresenta dde uma forma Poética toda a Paisagem que tão bem descreve.
    Adorei

    • Obrigado.
      Partilhe também as suas “caminhadas”; cada vez acredito mais que a partilha é um valor essencial neste trekking em que todos estamos, a vida na Terra.

Adaptado de Esquire, de Matthew Buchanan