A “geração do canudo” tem muito que se lhe diga.
A resposta depende de todos, sobretudo dos próprios, dos professores e das famílias.
Apesar da massificação, os licenciados continuam a ser uma classe privilegiada. Nenhum mal há nisso se houver o retorno social e económico desses privilégios. O país investe na educação e os contribuintes têm legítimas expectativas de retorno.
O mais curioso é que a maioria, a esmagadora maioria, dos alunos com quem vou contactando não tem a noção desta sua condição de privilégio – todavia esta é a classe de quem o país mais necessita para melhorar as suas condições de vida.
Salvo algumas exceções, o aluno está nesta universidade como podia estar noutra, neste curso ou naquele é igual. Tudo vai acontecendo com tranquilidade e passivamente. O que está mal “nada depende de mim”. Assim sendo, as nossas expectativas sobre o tal, legitimo, retorno não podem ser muitas.
Sobre a gestão da carreira, nem pensar (“o que é isso?”). Um dia de cada vez onde tudo, mais ou menos, como até aqui tem acontecido.
Pouco ou nada os faz pensar e análise crítica do mundo que os rodeia é coisa que não interessa.
Procura-se um canudo e o resto logo se vê. Alguém vai ter que “me arranjar um emprego”.
Entretanto, segundo parece, os bons emigram e por cá os empresários procuram recursos qualificados, com atitude, e não encontram. Há aqui um desencontro que não se compreende.
Os empresários (hoje muito presentes nos conselhos consultivos das universidades e politécnicos) têm que explicitar, de vez, de que formações necessitam.
Será que a questão está aqui?
As universidades e os possuidores de canudo têm que responder cabal e integralmente às necessidades do mercado.
A atitude vai ter que mudar. Desde logo, ao fim de 17 ou 18 anos de formação, o canudo da licenciatura vai ter que servir, em primeira opção, para criar riqueza para o próprio. Por outras palavras, o licenciado tem de ser capaz de criar o seu próprio emprego/trabalho. Se não esperarmos isso de um licenciado, que se prepara durante 18 anos, de quem o esperamos?
Para que assim seja, tem que se valorizar e estimular a cultura do risco e promover o espírito de iniciativa. Se é fácil abrir uma empresa, tem de ser igualmente fácil fechá-la.
Antigamente perguntava-se a um licenciado à saída da universidade qual o curso e qual a média. Depois passou a perguntar-se “o que sabe fazer”. Hoje pergunta-se “o que está disposto a aprender”. Um canudo tem que ser essencialmente isso: uma atitude de disponibilidade para aprender.
Os nossos estudantes estão preparados para este desafio? E, já agora, os professores têm a atitude que estes tempos exigem?
Falta só o essencial, o mais barato mas ao mesmo tempo o mais difícil; mudar de atitude. Esta é a tal pequena coisa que faz a grane diferença. Durante anos enganaram-nos e nós, alegremente, consentimos. Que estes tempos difíceis nos obriguem, pelo menos, a mudar de atitude.
Excelente reflexão com a qual estou plenamente de acordo.
Há de facto na atual juventude uma perspetiva que a sociedade lhe deve entregar de bandeja o que sentem com direito de ter, sem para isso ter de procurar, lutar esforçar-se na busca das suas próprias soluções.
Tal como existe da parte de adultos instalados vícios que criam obstáculos às necessárias adaptações para viabilizar o futuro dos mais novos